“(…) Chega uma hora na vida da gente (e Juveninho não sabe como seria “uma hora na morte da gente”) que as coisas vão ficando fáceis por um lado (o da pegação, da sacanagem, do suingue) e bem difíceis por outro (o do amor, do romance, da disponibilidade). Todo mundo já tem passado (presente…) demais. (…)”
“(…) Diferente de outras casas, a frase “posso viajar com meu namorado?” não desencadeou uma crise paterna, mas uma palestra sobre o histórico da revolução feminina, visitas à fábricas de anticoncepcionais, participação em uma roda de debates sobre o relatório Hite e um k7 do Chico com “joga pedra na Geni” para o caso da sociedade não me compreender. (…)”
“(…) Todo planejamento é um exercício elitista; tanto mais o urbano, o qual, para existir, exclui. Uma cidade planejada é oxímoro moral; mas não há o que lamentar. Mais ou menos planejada, toda cidade é - e aí estão todas elas, no mundo todo, menos ou muito menos felizes, mas aí estão e avante. (…)”
“(…) Agora além de balzaquiana, independente e metida a escritora bipolar ainda vão me acusar de ser tia? Olha, girino, se você nascer homem vou educá-lo a não ter medinho de qualquer coisa que ameace seu poder de dominação. Se nascer mulher vê se vem um modelo mais avançado? (…)”
“(…) A neurociência dos últimos dez anos comprovou o que eu já nasci sabendo: o sentimento - saber sentir, conseguir sentir - é mais importante que saber pensar. Descartes estava errado. Não existo quando penso, mas quando sinto. (…)”
“(…) A disponibilidade real, ele diz, é um dos maiores mistérios do nosso tempo – e testá-la, um dos esportes favoritos de Juveninho. Na vida adulta como na internet, há quem coloque ‘ocupado’ quando está ‘disponível’; ‘disponível’ quando está ‘ausente’; ‘invisível’ quando está ‘em todas, pegando geral, no meio da pista’; e ‘num relacionamento sério’ quando está ‘na cama com Juveninho’. (…)”
“(…) Sugeri que você se chame Doris Lane! Sua mãe ainda não tem opções de nomes, nem sabe se você é homem ou mulher; eu tive essa idéia. Doris é a protagonista de uma brincadeira nossa de criança, Lane ajuda a dar um ar glamouroso, remete aos Beatles (e assim você será obrigado a conhecê-los) (…)”
“(…) No homem comum, ele diz, a necessidade afetada de parecer gente boa já sinaliza a falta de atributos. No artista, se não é prova duma obra sem vigor, é desejo de aparecer mais do que ela. (…)”
“(…) Agora (mentira, há anos), Juveninho passa dia e noite estudando a alma feminina na internet. O Twitter, ele diz, é como o filme ‘Do que as mulheres gostam’. Você pode ouvir tudo que elas pensam; até querer sair correndo. (…)”
“(…) Acho que me interesso mais pelas belas histórias do que pelos belos homens, minha teimosia em viver algo lindo pode por tudo a perder, mas fazer o quê? (…)”