por C.A. - Sabado, 24 de Julho de 2010, às 11:15
Texto originalmente publicado no site Tribuneiros.com em 8 de janeiro de 2010.
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Nenhuma atividade ilegal - criminosa e assassina - será compreendida [admitida], aqui, como alternativa de inserção-ascensão social e de reparação pela desgraça racista e furiosamente discriminatória que caracteriza o Rio de Janeiro [o Brasil] desde a abolição da escravatura.
Excluídos dos salões do poder! - não há acesso negado no mundo [porta-fechada nenhuma] que me faça confundir sedução com vigarice, subversão com pilantragem; e nada, nem um grande mestre, convencer-me-á de que algo do carioca [do Rio de Janeiro, a minha cidade, se também me permitem] possa ser encontrado no ilegal.
Temos, ancestral e escrotíssima, uma elite perversa, excludente, corrupta etc.; mas esse papo - bonito, atraente, sem dúvida - de “malandragem” como instrumento para o desenvolvimento de espaços urbanos próprios, como estratégia de afirmação e pertencimento, é aquele mesmo, ideológico e mesquinho, que fomentou e deu curso ao surgimento do Comando Vermelho e do tráfico de drogas como o conhecemos hoje.
O que é malandragem, afinal? A maneira vulgar como esta palavra [conceito] foi - academicamente, inclusive - incorporada ao cotidiano brasileiro legitima, também no pensamento, o conto do vigário. Mas, afinal, o que é malandragem? (Se formos pela forma rasteira consagrada, teremos, por malandro, de apontador do jogo-do-bicho ao presidente Lula, de traficante de drogas a Noel Rosa; e nesta mentira, definitivamente, não incorro).
A ilegalidade é opção de bandido. No Rio de Janeiro, sob todos os pontos de vista [inclusive o histórico], ela foi - e é - formidavelmente explorada pelo Estado elitista; e aí está, aliás, um ambiente dos mais democráticos: existem bandidos para todos os gostos, de todos os níveis e formações.
Há quem leia - no conhecimento das leis [e na exigência, incondicional, de que sejam cumpridas] - um sinal de desconhecimento do que seja o Rio de Janeiro e seu povo.
Será que estamos tão mal assim? Será que somos tão pouco? Será que somos tão primitivos? Será que optamos mesmo pela ignorância e pela barbárie? Por que, para gostar de samba [para ter o aval dos sambistas], tenho de tolerar os que o fizeram refém? (Por que, para gostar de samba, para ter a aprovação dos sambistas, não posso dizer - sem patrulha - que este samba do Martinho para a Vila Isabel-2010 é chato pra cacete; fruto, de resto, de uma das mais nojentas armações da história dos concursos de samba-enredo)? Por que nos querem engessar assim? A quem serve uma cidade cujas favelas não podem sequer ser discutidas? Que mito é esse?
Com raras exceções, deparo-me com uma outra elite - recente e muito na moda - que exerce seu poder [que controla, perversamente, a miséria] justamente como guardiã de um Rio de Janeiro que, sempre em festa, mistura manifestações culturais orgânicas, como as da nobre matriz africana, com elementos marginais, como o jogo-do-bicho, instrumento decisivo para o financiamento do crime que mata sem dó.
Vai tudo no mesmo saco, despercebido, um pacotão de carioquices, de jeitinhos, de puxadinhos e remendos - mas não é assim, não. Talvez seja mais fácil, mais confortável, mais popular - mas não é assim, não.
Existem babaquices tremendas no tal choque de ordem do prefeito Paes - a proibição de cerveja no Maracanã, por exemplo, contra a qual nos batemos sempre aqui -; mas isso não desqualifica o conjunto da iniciativa, isso se de fato estivermos a favor da ordem pública. (Eu sou - declaro - a favor da ordem urbana; mas há os que acham que devo me envergonhar disso). (É mole)? (Não tenho apreço por índices elevados de coliformes fecais - e me querem convencer de que sou, por isso, um fresco incapaz de captar o sentido supremo e descontraído de ser carioca). (Eu, que só não queria - não posso, preciso trabalhar - ficar doente)…
Repressão ao jogo-do-bicho? Claro! É ilegal; e não é de brincadeira: aquele senhor que anota os talões, simpático, quase um familiar, é a ponta mais simples de um sistema assassino que, se cavarmos à vera, levar-nos-á, num túnel de sangue e corrupção, ao Japão. (Sei que não preciso escrever isso, mas: nem todo o processo se enriquece por ser histórico e cultural - e é esta compreensão falaciosa de tempo e espaço, a mesma que mitificou vagabundos como Natal da Portela, que nos faz ter de engolir, hoje, anísios, luizinhos e queijandos).
Remoção de favelas? De modo geral, como estão implantadas hoje, não. Mas por motivos urbanos e habitacionais; não por pena, não por demagogia. Quero, com urgência, discutir as favelas que ocupam áreas de risco. Como não? (O que aconteceu em Angra dos Reis, em menor escala, acontece todos os dias - à primeira pancada de chuva). Quero debater, sim, sem mistificações e saídas poéticas fáceis - que são tão bonitas e comoventes quanto falsas e irresponsáveis. Favela não é museu, embora não sejam poucos os que lhe exploram [imobilizam] as artes… (Não tenho paciência para essa romantização da pobreza, com a qual quase todos lucram, menos os pobres; e estou certo de que o samba de que gosto existiria ainda melhor se o sambista pudesse nascer e viver em melhores condições).
Favela não é uma coisa boa - não como moradia, não como habitação. É uma solução improvisada e insalubre, perigosa, de sobrevivência. E é uma obrigação de qualquer cidadão que pense a cidade considerar-lhes alternativas.
Lamento que se confunda - será que se confunde mesmo? - o péssimo modelo habitacional que é uma favela [uma constatação, um fato] com a situação [passageira, provisória, assim esperamos] que lhe faz refúgio e trincheira habitual para criminosos. São coisas diferentes, que devem ser enfrentadas de maneiras distintas. (É tão repugnante o preconceito contra um favelado quanto a complacência com o criminoso que o usa como disfarce e escudo). Bandidos têm de ser combatidos, sempre, em qualquer lugar - e sou portanto a favor da tal ocupação dos morros. Eis um primeiro passo, policial, para que políticas públicas consistentes - e ainda ausentes - melhorem a vida de quem vive honestamente numa favela. Primeiro, saneamento, saúde, educação, transporte; depois, por quê não?, violino e orquestra. (Ou cavaquinho, se preferir; eu prefiro).
Que ofereçamos opções, chances, todas elas, ao garoto - mas deixemos ele escolher qual mercado respeitar. Essa é a civilização de um democrata. Amém!


Sabado, 24 de Julho de 2010, às 12:13
Ótima esclação, Andreazza. Sò não sei se o Angelim (isso embora o tenha na mais altíssima conta) seria escalado se eu fosse o essa espécie de técnico virtual.
Sabado, 24 de Julho de 2010, às 12:35
Marcelo, vou te confessar: mais até do que do Zico, esta escalação nasceu em função do Angelim - bom jogador, eficiente, mas longe de ser craque, que vem dar humanidade a uma escalação formada por craques consagrados.
Ronaldo Angelim é a prova de que ninguém precisa ser Zico para ser ídolo imortal - e isto, você sabe, é grande!
Saudações imperianas!
Sabado, 24 de Julho de 2010, às 13:01
Eu assino embaixo, embora - como sabe o nosso profeta Alberto - tenha vaga fácil nesse time, sobretudo no lugar deste pesado Adriano, do futebol-força, que às vezes me lembra o zagueiro Ronaldão, com sua parca habilidade no domínio da criança.
Sabado, 24 de Julho de 2010, às 14:00
O Angelim é aquele tipo de pessoa que dá vontade de levar pra casa, pra proteger e não deixar ninguém fazer mal. Já o admirava antes, agora me apaixonei pra sempre.
Sabado, 24 de Julho de 2010, às 14:02
Olímpica Olga, não tenho vontade de levá-lo pra casa, não; mas, afora isso, estamos de acordo!
Sabado, 24 de Julho de 2010, às 14:43
Graande, CA! Só teus textos do Flamengo para me fazer voltar à Casa depois de tanto tempo…
Sensacional a seleção! Só discordo do Zinho na reserva, nunca gostei do futebol enceradeira dele…
abs
Sabado, 24 de Julho de 2010, às 14:45
Caro Eduardo, bem-vindo de volta!
Olha: o Zinho tem seu valor - e jogou muita bola sob o manto rubro-negro. Muita bola!
Saudações,
C.
Sabado, 24 de Julho de 2010, às 16:45
Timaço mesmo.
Mas falar mal do xerifão Gottardo é pura maldade!
Sabado, 24 de Julho de 2010, às 00:18
Reli e encontrei outro absurdo.
“Ronaldo e sua pequenez”.
Comparar Ronaldo com Adriano é o mesmo que comparar Romário com Zico.
Um crime, imperiano!
Sabado, 24 de Julho de 2010, às 08:29
Em matéria de Flamengo, bom Pian, único assunto futebolístico que me interessa, Adriano é muito - muito - mais importante que Ronaldo.
Sabado, 24 de Julho de 2010, às 17:35
Te entendo.
Eu, particularmente, ainda não conheci jogador melhor do que Túlio Humberto Pereira da Costa, o Túlio Maravilha.
Sabado, 24 de Julho de 2010, às 18:15
C.A., aqui vai a minha (com o endosso completo à sua frase que diz: “Zico - O maior jogador de futebol do mundo em todos os temspo” - em tempos imemoriais de ‘aborrecência’, já saí até no pau para defender isso):
Raul, Leandro (um dos maiores craques que já vi jogar), Aldair, Rondinelli e Júnior; Andrade, Carpegiani, Adílio e Zico; Bebeto e Nunes.
Abraço hexacampeão - e pau na canalha cada vez mais recalcada!
Sabado, 24 de Julho de 2010, às 09:48
Bom depois da vitória contra o grêmio, ouvi várias pessoas me zoando,dizendo que o título do Flamengo foi roubado,comprado, dado pelos adversários, etc…
Diante dessas acusações, resolvi escrever este desabafo…
voltando para o início do campeonato, em junho por exemplo…o Mengão estava em 8º lugar, em agosto caiu para 14º, em dezembro foi campeão do brasileiro, agora me diz: o mengão conquistou o hexa por que os adversários entregaram?o juiz roubou?Claro que não, foi por puro mérito da seleção do mengão,por mérito dos jogadores,por exemplo o nosso artilheiro do campeonato brasileiro, o cara Adriano, nosso goleiro a muralha Bruno que defendeu vários pênaltis, muitos roubados e outros não, Álvaro um zagueiro que jogou muito e infelizmente estava suspenso no jogo da decisão no qual o David que entrou no teu lugar fez o primeiro gol do jogo, o segundo gol foi feito por outro zagueiro que para mim deveria ter sido o melhor zagueiro do brasileirão Ronaldo Angelim, sem falar nos laterais direitos Everton e Leo moura que jogaram muito,e o Maldonado que não tem nem o que comentar Infelizmente teve uma contusão e teve que operar…E o Pet,Toró,Airton, wilians,que jogaram muito em partidas decisivas para o Flamengo.O Pet não tem nem o que comentar,o cara jogou muito,e o Fierro o Zé Roberto, puts, foram decisivos quando tiveram que ser decisivos,sem falar no nome do time que na minha opinião foi o responsável pelo título do Flamengo, nosso eterno flamenguista Andrade, e sem esquecer é claro do nosso 12º jogador a torcida rubro-negra,o engraçado é que ninguém recorda das várias vezes em que tentaram prejudicar o Flamengo, por exemplo:no empate de 2a2 com o são paulo na 1º rodada do brasileirão, o erro do juiz Simon no jogo contra o palmeiras no qual prejudicou muito o flamengo, aquele jogo contra o santos en que o juiz deu 2 pênaltis sendo que um foi duvidoso e o outro não existiu e claro o nosso Bruno defendeu os dois, contra o botafogo o mengo ganhava por 1a0 e o juiz Luiz Antonio silva marcou um penalti inexistente para o botafogo no qual nosso grande Bruno defendeu, na derrota de 3a2 no serra dourada para o goiás, onde o meia Léo lima empurrou o volante willians de propósito antes de marcar o 2º gol, e na derrota contra o barueri qdo o jogador paulista abriu o placar com um gol impedido e vários outros que nem me lembro mais. O importante é que o Flamengo foi campeão por mérito dele e não porque os adversários entregaram,o Flamengo foi um time desacreditado que esteve em 14º e de repente trouxe a taça.Nossa seleção porque o Flamengo é uma seleção,não teve culpa do Palmeiras que liderou o campeonato durante 17 rodadas,o são paulo,o internacional por 7 rodadas,o atlético mineiro por 8 rodadas serem incompetentes,o Flamengo chegou e foi campeão, na partida contra o corínthians disseram q o jogo foi entregue…se o goleiro não foi na bola na hora do penalti isso é problema dele;falaram que o gremio entregou,fala sério né,quem assistiu o jogo e realmente entende de futebol, viu que o fraco time do gremio(fraco pois fora de casa ganhou apenas uma partida)jogou muito mais com os reservas do que com os titulares…o gremio armou uma forte marcação contra o flamengo e anulou várias chances de gol.
Para esses anti- flamenguistas de merda… vão ter que aceitar que o Flamengo foi o melhor time desse ano e é por isso que foi hexa…o MENGÂO foi hexa-campeão por mérito e competência do time todo, da torcida e do técnico(grande Andrade) coisa que os outros times não tiveram,então de hj em diante dobrem a lígua qdo falarem da seleção rubro- negra e respeitem esse time cheio de títulos e glórias.Só aceito que falem mal do Flamengo quando existir um time com mais raça, mais glórias e mais história que o esse.Ele é um time onde a união prevalece, onde a torcida é mais de 30milhões de pessoas.Já ouvi muita gente dizendo que o Flamenguista é marrento…e eles tem toda razão,nós somos e podemos ser marrentos;nós não somos apenas torcedores, somos uma nação, nação de loucos e apaixonados pelo maior e mais bonito time brasileiro:O FLAMENGO