por João Paulo Duarte - Sexta-Feira, 2 de Julho de 2010, às 13:58
Eu me sabotei quando disse que podia te beijar sem ônus. E me valorizei quando disse que era capaz de te ter sem danos. Por que se o tempo passou, e eu estou aqui, algo não mudou.
Confiamos que nosso erro passou; superamos os traumas, mas idealizamos o porém. O que deu errado é errado [mesmo que eu erre sempre se for você]. Teu beijo ainda é meu, todo teu corpo ainda é o que sinto, mas onde chego é o impossível. Implausível das nossas possibilidades.
Mas é que quando eu te olho, tudo se resume a nós, quando eu te toco não sei mais o que sentir e quando te esqueço é porque me enganei. Sou o que consigo, e se te conquisto, eu posso mais. E de novo, de novo, de novo. Mais uma vez te tomei pra mim e foi simples: foi teu corpo que quis, fui eu inteiro que te busquei. Se não me procura, eu te acho. Esquece-me, que eu te retomo. Ganham-te, e eu reconquisto.
O destino – que não existe – é nosso, você é minha e eu ultrapasso teu querer pelo que sentimos. É porque você chega e se encaixa, e por que eu quero quando eu sinto. E o que eu posso fazer se eu respiro no teu compasso e te tomo no meu todo ?Desequilibro porque meu destino não existe, esqueci minha fé no anterior ato e fico com o que é nosso.
Agora, componha-se. Eu me troco. Minha falta de ar é de incompreensão. Quando vamos superar isso? Confia no meu braço que eu atropelo a tua certeza. A arma que carrego me destrói, e volto se é isso aqui. Meu queixo no teu pescoço, tua pele que me esfrega; tudo que conheço e não quero largar. Respiro. Sufoco. Tomo-te. Minha mulher de sempre, minha história mal contada.
E se minha inspiração é tudo isso aqui, e se tudo foi o que senti por você, e quando eu não puder mais sentir, quando tudo me entorpecer e me tirar as possibilidades todas. Não pergunto, avanço sobre teu corpo e me calo. Atiro-me.
Agora, protejo-te. Meu futuro é o que nossa vida permite. Quando lutarei - é o momento que aprendi - que amei o tudo. Não tenho fundo, vou até me restar.
São as minhas mãos que retomam teu cabelo. É meu calor que te esquenta fria; tudo que te conforta. Esquece a força e me dá teu rumo. Eu tomo, é-te minha, reconstruo o que foi certo. O erro está aqui – sou eu contigo – e não fujo do impossível. Eu sou teus pés fora do chão,
conectado em você. Minha mania.
E se eu não acredito mais em nós e te quero? Meu consentimento acabou e luto contra o que posso amar, e te amo inteira, toda, pra mim. Não respiro mais, é só impulso. São todos os meus vícios, aqui. Encontrei toda minha destruição. Estou tão longe de mim – e arrebento minha razão de te amar.


Sexta-Feira, 2 de Julho de 2010, às 15:15
Nossa! Linda postagem, fiquei sem palavras!
Sexta-Feira, 2 de Julho de 2010, às 14:08
Cinematográfico eu diria, este texto é incrivelmente arrebatador. Que esse amor trasnborde cada vez mais.
Sexta-Feira, 2 de Julho de 2010, às 19:17
Por que escrever esse sentimentalismo amoroso?Isso não serve mais para nada nem para ninguem. Uma carta de amor deve ser entregue a ela ou falada ou cantada sei lá,inventa aí, mas ninguem tem nada a ver com isso. Ficar remoendo dores pra ter inspiração…Ou enchendo a paciência dos leitores é uma perda de tempo…