por Pim - Sexta-Feira, 2 de Julho de 2010, às 16:16
Leia também: Vitória do Brasil é pior para o futebol - [AQUI]. Porque bem mais importante que a análise do jogo (que segue abaixo) é a análise do que ele poderia ter representado.

Palmadas holandesas
Felizmente para o futebol, o Brasil perdeu. A lógica, mais uma vez, saiu vitoriosa – e não serão o estupendo lançamento de Felipe Melo para o gol de Robinho e a falha monumental de Júlio César no primeiro gol holandês que a farão menor. Ela dá margens – ainda que estreitas - para o improvável.
O “domínio” inicial foi só o retrato das limitações brasileiras: impondo-se ante uma Holanda rarefeita, a seleção de Dunga não soube traduzir a posse de bola em oportunidades fartas, muito menos num placar folgado. E o domínio por si só não faz outra coisa senão dar uma falsa sensação de superioridade, enquanto o adversário vai se armando sorrateiramente.
Quem depende de lançamentos de Felipe Melo e Lúcio, ou cabeçadas de Juan, não tem o direito de “gostar do jogo”. Deve odiá-lo, detestá-lo, sentir nojo dele até o fim, na ânsia de mostrar ao mundo que pode atacar sem a sua defesa, assim como pode defender sem o seu ataque. Mas o Brasil não pode. E ainda voltou para o segundo tempo “gostando do jogo”.
As duas maiores provas de conhecer a seleção brasileira já haviam sido dadas pela Holanda. A primeira: ninguém esperava de Felipe Melo mais do que pontapé. A segunda: Robben sabia onde ficava Michel Bastos. E isso foi então o suficiente para provocar a expulsão de um (após colaborar em todos os gols) e a substituição de outro, pendurado com cartão amarelo.
Da mesma forma que o Brasil jogou o mínimo necessário para vencer as demais seleções, a Holanda de Robben, Sneijder e Kuyt jogou o mínimo necessário para vencer o Brasil. Kaká errou tudo, incluindo dessa vez os passes de 2 ou 3 metros; Luís Fabiano – isolado – não viu a cor da jabulani; e Robinho – sem ter com quem jogar – já fez muito marcando seu gol.
Em termos de “fatalidade”, aliás, a maior foi a Holanda ter saído atrás; o que não é lá um grande problema para quem tem ao menos três jogadores de forte personalidade (e bons) a partir do meio-campo. Fosse o Brasil a levar o primeiro, eu já havia dito que ninguém saberia o que fazer. Exagero meu, claro. O Brasil já não sabe o que fazer quando sofre um empate.
Contra times de várzea, esse futebol infantilizado não raro soa bonitinho, fofo, alegre - e até moleque. Mas a verdadeira molecagem precisa daquele estofo de conhecimento e equilíbrio emocional do qual possa emergir de repente causando a sua graça. Sozinha, se não resvala na delinqüência (Felipe Melo), ela é só uma bundinha teen à espera de palmadas adultas.
As da Holanda – lamento dizer -, chegaram em boa hora.
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