por Pim - Sexta-Feira, 2 de Julho de 2010, às 13:06
NOTA: Escrevi o texto abaixo antes do jogo contra a Holanda, mas não consegui publicar a tempo. Faço isso agora, 5 minutos após a eliminação do Brasil, sem mexer numa única linha. Sobre o jogo, falarei daqui a pouco. [Pós-escrito: confira AQUI].
Vitória do Brasil é pior para o futebol
Mais do que as vuvuzelas e a jabulani; que os jogos sofríveis da primeira fase; que seleções de quinta categoria nas quartas e até nas semifinais; que os erros grosseiros de arbitragem contra a Inglaterra e a favor da Argentina; que a censura de replays reveladores no telão do estádio e até nas transmissões; e que a falta imperdoável de juízes trancados numa salinha com todos os recursos de TV para validar ou anular lances duvidosos - mais do que tudo isso, a vitória do Brasil sobre a Holanda empobrecerá o futebol.
[E o pior é que, vencendo este jogo, o Brasil corre sério risco de vencer também a Copa do Mundo, pois os jogadores de Argentina, Alemanha ou Espanha, depois de épicas batalhas entre si, podem chegar à decisão mais destruídos que o Chuck Norris no fim de Braddock III, e sucumbir a quem vier dum descanso coletivo frente a Uruguai ou Gana.]
A Copa terá virado uma espécie de Prêmio Nobel, consagrando a farsa na qual os desavisados mundo afora hão de se espelhar. Qualquer Saramago será um John Coetzee, qualquer Kaká será um Zidane, e cada molequinho que hoje dorme abraçado à sua bola Campeão sonhará em se tornar zagueiro. É assim o triunfo da mediocridade: um atraso sempre estendido para muito além do erguer de uma taça; sobretudo se o espírito de cordeiro e a adolescência voluntária também sobem ao pódio, mostrando a irrelevância de personalidades fortes para as maiores conquistas.
Quem tem uma na seleção brasileira? Qual discípulo de Dunga converte a sua grandeza fora de campo num futebol imponente e inspirador dentro dele, com carisma e desenvoltura? Quem ali pode romper as ordens burocráticas dos esquemas impingidos para então organizar o imponderável? Qual jogador deste elenco é capaz de despertar a admiração inescapável dum homem adulto? O Brasil não tem sequer um Robben, um Sneijder, um Schweinsteiger, um Lahm, um Xavi, um Iniesta, nem mesmo um Tevez, que dirá um Messi. Tem no máximo alguns bons coadjuvantes, que nem nas mãos de Tarantino renderiam um filmaço.
O futebol precisa de ídolos de verdade. Se não forem craques, que ao menos transcendam com um mínimo de personalidade a condição do homem comum. Quando o medíocre é alçado a esse patamar, os parâmetros se rebaixam; os horizontes se apertam; os tetos declinam; e os cérebros passam a andar curvados. O combate cultural precisará de uma força ainda maior para destruir os falsos ídolos que a propaganda e a ignorância deixaram florescer.
Os erros da Fifa tornaram o futebol mais estúpido este ano, mas podem ser corrigidos na próxima Copa. A vitória do Brasil, não. Marcaria gerações para sempre.


Sexta-Feira, 2 de Julho de 2010, às 13:51
Obra-prima.
Sexta-Feira, 2 de Julho de 2010, às 16:29
É….. no máximo alguns bons coadjuvantes !
Sexta-Feira, 2 de Julho de 2010, às 15:02
Mas o Messi mostrou que é do tipo “craque de clube”…