por C.A. - Segunda-Feira, 28 de Junho de 2010, às 10:05
Atenção: esta ocorrência brutal, que enreda o arqueiro Bruno [do Flamengo], não é questão clubística. Merece, portanto, uma abordagem desapaixonada e exclusivamente técnica. É um caso de polícia, no qual se deve empenhar todos os instrumentos de investigação. Em silêncio.
O leitor me perdoe se escrevo o óbvio, mas um pouco de responsabilidade [de prudência!] não nos faria mal, e tanto mais se formos jornalistas. É que, no Brasil, eventos como o tal servem sobretudo para que promotores e delegados apareçam no Jornal Nacional e no Fantástico; e outra coisa não terá almejado - bem antes de qualquer apuro profissional - a senhora responsável pelo caso, que se lançou a falar de Bruno como um homicida consumado: os holofotes.
Este rapaz, por ora, é suspeito de um crime. Apenas isso, suspeito - situação em que toda a cautela será pouca. Ocorre que, ainda sem ter sido sequer indiciado, está já de todo comprometido e vai publicamente tratado como um criminoso, julgado e condenado - exemplo mais recente de um processo espúrio, tipicamente brasileiro, que suprime etapas para aterrar culpados e concorre para que o linchamento público imediato torne nulo [irrelevante, indiferente] o direito à defesa.
O ponto é: e se for inocente?; e se for provado que nada tem com isso? Haverá reparação possível para este homem?
Podemos considerá-lo um tipo cafajeste, de última categoria; mas neste mau juízo, de resto superficial, não poderemos descobrir, senão levianamente, a explicação para um crime, para um assassinato. Não é assim, no chute, na canelada, que a Justiça funciona - e muito ao contrário: é assim que se a boicota, que se a mina, vulgariza.
Ora estamos num terreno que extrapola qualquer limite de simpatia pessoal, qualquer pormenor de opinião, de gosto individual, e eu não me sinto minimamente apto - moralmente apto - a especular sobre se Bruno seria ou não capaz de uma tal barbárie. Quem o seria? Quem tem meios de o afirmar? Com base em quê? Num certo estilo dunguista de se expressar? Nos modos grosseiros - não raro agressivos - como se comporta? Por que disse que bate em mulher etc.?
Nada disso aponta para um assassino. Nada disso indica um criminoso. Nada disso nos leva a bom lugar, senão àquele, terrivelmente rasteiro, onde se abastarda a Justiça. Nada disso serve a uma investigação policial séria; de forma que, por favor: cuidado.


Segunda-Feira, 28 de Junho de 2010, às 11:27
Também achei, digamos, muito espalhafatosa a entrevista da delegada. As investigações devem ocorrer sem prejulgamento. A questão é que um cara que bate em mulher e defende publicamente que se bata em mulher acaba ficando um pouco marcado mesmo.
Segunda-Feira, 28 de Junho de 2010, às 08:36
Pois é, compadre; mas esta, vá-lá, é uma posição que nós podemos ter. Concordo que o cara já estava marcado mesmo. A delegada, porém, jamais poderia falar daquele jeito.
Abraço!