por Pim - Segunda-Feira, 26 de Abril de 2010, às 15:32

Atenção!: esta foto nada tem a ver com o artigo; mas é que não resistimos a procurar e achar o Geninho [o leitor lembra dele?] escondido em meio à fauna e à flora exuberantes do desenho animado She-Ra.
O esquerdismo beneficia-se, entre outras, de duas características da linguagem: 1) A mentira é sempre mais curta que a sua refutação; para a qual a maioria não terá paciência, tempo ou acesso, satisfazendo-se antes com a mentira mesmo, e ajudando a propagá-la; 2) Toda barbárie ou canalhice objetiva pode ter uma palavra genérica, de apelo emocional positivo, para encobri-la com ares de respeitabilidade; como ao se dizer que há “eleições” em Cuba e, portanto, há “democracia”; sendo que, na prática, a primeira é uma farsa e a outra, uma impossibilidade lógica (não só pela farsa eleitoral, mas também pela falta de livre acesso à informação, liberdade de expressão, respeito aos direitos humanos e papel higiênico). Ninguém é maior mestre nisso [o bom-mocismo vago, sob o qual o esquerdismo apronta] que o teleprompter e o Twitter de Barack Obama, onde as mais belas intenções declaradas escondem as ações mais cafajestes.
Graças à intelectualidade esquerdista, hoje no Brasil - e cada vez mais neste mundo obâmico - já não se reagem aos significados objetivos das palavras, mas sim aos apelos emocionais que elas evocam. Isso afeta e abarca todos os setores da vida pública e da personalidade individual, tornando impossível qualquer discussão racional (seja filosófica, política, amorosa ou sexual) à medida que se desprezam o conhecimento, a inteligência, os argumentos e as provas, em prol do apego a sentimentos adquiridos na juventude e inflados pela propaganda revolucionária (em universidades, escolas, jornais, show business e mercado editorial). Sem as balizas da realidade e da consciência moral, tudo vira uma eterna batalha de foices contra enxadas; um Flamengo x Vasco sem fim no Maracanã - ou no boteco: onde a evidência de uma mentira se torna antes um ataque ao adversário - quando não a transferência mesma da responsabilidade a ele - do que um motivo para reanalisar os próprios conceitos e culpas.
O esquerdista-padrão, mesmo depois de velho, ciente das barbaridades de Marx, Fidel, Stálin, Lenin, Mao, PT e companhia, é como a esposa que descobre 200 milhões de canalhices do ex-marido, mas não quer confessar a si mesma ou aos amigos que ele não presta, porque assim admitiria seu tempo perdido, sua ingenuidade, sua conivência, seu suporte - o que lhe soa por demais humilhante. Isto requereria um investimento emocional muito grande, um esforço psicológico de que o esquerdista não é capaz, como não se cansam de demonstrar Zuenir Fofura, Luis Fernando Felicíssimo, Arnaldo Rancor, Luiz Garcia, Ricardo Noblat, Fernando Gabeira e outros, incapazes - mesmo quando críticos - de assumir o completo equívoco passado e buscar alguma redenção moral na denúncia e na luta contra as causas e os efeitos do comunismo, pelo menos. Sem, é claro, glorificar o idealismo da juventude - tal qual Jabor -, como se uma suposta motivação romântica os pudesse absolver das escolhas erradas. Não pode. Redenção se busca, quando possível, no combate diário ao mal que se causou. O resto é vitimismo, carência, fingimento, falso arrependimento, cabeça-dura ou canalhice.
Tanto na vida íntima quanto na pública, não importa tanto definir. A diferença que separa o canalha do cabeça-dura é irrelevante quando suas idéias e ações têm efeitos igualmente terríveis. Se você não é canalha, leitor, melhor começar a analisar o quão cabeça-dura você é. Os canalhas nada seriam sem os cabeças-duras. E, se os primeiros infectam a linguagem, moldando a capacidade geral de expressão, é tão somente para fabricar aos montes os segundos.
******
Leia também:
[C.A.] Eleições em Cuba: a lorota democrática e o minimalismo moral
[Pim] Dilma - a Forrest Gump brasileira
Nova enquete no ar! Vote ali, à sua esquerda.


Segunda-Feira, 26 de Abril de 2010, às 16:13
Texto perfeito como sempre, Pim. Só acrescentaria uma coisinha a sua bela frase sobre redenção. Antes de conseguir “combater o mal que causou”, o que é raro, redenção se busca no combate diário à tendência a causar o mal novamente, para evitar a eterna repetição do passado.