por C.A. - Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 13:19
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Neste momento, verdadeiramente, só duas coisas me interessam: o amor [da minha Carol], sobre o qual só falo a dois, e o glorioso Império Serrano, razão pela qual, faltando apenas 26 dias para o sábado em que ganharemos a Sapucaí e mostraremos quem é quem entre as escolas de samba, reproduzo, na íntegra, o post que o escriba Marcelo Moutinho vem de publicar em seu Pentimento [aqui]:
“Como felizmente o Império Serrano não é território de bicheiro, de assassino, de ex-torturador, precisa criar alternativas que rendam dinheiro para ajudar a colocar o carnaval na rua. Neste sentido, faremos a III Festa do Imperiano de Fé (dia 29 de janeiro, na quadra) e um show beneficente no Teatro Rival (dia 3 de fevereiro).
Além disso, a escola confeccionou esse adesivo aí de cima, cuja venda ajudará a pagar as despesas do barracão. Com a frase que já se tornou clássica entre os seus torcedores, o adesivo custa apenas R$ 5.”
Em tempo…
A mobilização imperiana - espontânea, orgânica, humana, possível - vem em boa hora, no momento em que circula, exaltado pelas palavras do jornalista Aydano André Motta [de O Globo, aqui], um assustador vídeo de um ensaio da Beija-Flor na quadra de Nilópolis. Nele, de repente, vê-se a figura de Laíla, o todo-poderoso [e temido] diretor de carnaval da escola, que, a valer-se do autoritarismo puro que emana de uma milionária estrutura marginal, interrompe o “treino” para exigir que a “comunidade” cante com “emoção” etc.
A resposta é imediata… E, repito, assustadora!
O povo reage, pula, grita, esperneia - e rapidamente aflora aquele tipo de emoção que, sob desgraçada exploração da paixão [e da miséria], decorre do medo, do pavor absoluto, da tirania em pleno exercício. (E me espanta que se possa enxergar “poesia” e “entrega” onde nada mais há que cabresto, censura e - se pensarmos num mapa mundi das escolas de samba - algo como uma Coréia do Norte do carnaval).
Sim, é um “rolo compressor”!; e pouco importa que esmagada seja [esteja] a liberdade. (Laíla é um líder)? (Talvez; mas apenas se concebermos uma liderança que subjugue)…
A Beija-Flor, bancada por um bandido perigoso, riquíssima portanto!, não tem alas comerciais e, afora as putas e os vagabundos famosos de sempre, nela só desfila - de graça e “de favor” - quem obedece, quem respeita a ordem calada, quem não questiona, quem entuba, na lógica deturpada que classifica por “comunidade” o que é puro gado barato.
Onde Aydano vê identidade, eu vejo opressão.
Em Nilópolis, mais que em qualquer outro ponto da Terra, carnaval tem um segundo nome: ditadura.
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Aos que me perguntarem quem é o Império Serrano neste mapa mundi das escolas de samba, respondo logo: é o Brasil, para o bem e para o mal, o Brasil!
Como diz Luiz Antonio Simas:
“IISDB - Índice Império Serrano de Desenvolvimento Brasileiro. Se o Império vai bem, o Brasil vai bem. Se o Império vai mal, o país vai mal. Não tem erro - Império e Brasil são entidades radicalmente similares em seus desastres e conquistas!”


Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 14:41
Onde vejo esse vídeo?
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 14:45
Bom Pian, estou com problemas técnicos para colocar o link, mas você pode ver o vídeo no site do Ancelmo Góis, em O Globo.
Abraço!
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 15:02
Andreazza, por acaso, ontem, assisti ao ensaio de rua do Império da Tijuca. E te digo, o presidente da escola foi infinitamente mais, digamos, rigoroso, quando solicitou aos componentes da comunidade para cantarem o samba com vontade. Um bonito samba, aliás.
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 15:06
Concordo, Andreazza. Não gostaria de ir numa quadra ver um capataz “exigindo” emoção (Aliás, isso pra mim e novidade. Achava que emoção era algo que surgia naturalmente).
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 15:08
Meu texto não é sobre rigor, Olga; é sobre submissão.
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 15:10
A emoção pelo medo, Marcelo: sem dúvida que uma fórmula de sucesso para a Beija-Flor…
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 15:12
Isso é o que mais fazem a maioria dos diretores de “harmonia” de hoje em dia. Não passam de trunculentos cidadãos ordenando o canto e o pulo (já que não dá pra dançar no ritmo de hoje em dia). Aqueles grandes Diretores que passavam o tom e o ritmo do samba (Xangô e Fuleiro, p.ex.), esses são raros, pra não falar extintos. E Laíla era um deles em seus tempos de Salgueiro.
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 15:18
Todas as escolas têm diretores de harmonia estúpidos etc. O ponto aqui é outro, Gustavo: você pode questionar o [péssimo] trabalho de um diretor de harmonia do Império Serrano sem ser retaliado; mas tente fazer isso com o Laíla na Beija-Flor: não desfila - nunca mais.
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 15:31
O troço é assim tão sério? Então, pelo que entendi, é que o Laíla acabou se tornando maior que a própria escola.
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 15:39
Olga, a referida escola É seu dono.
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 15:41
Olga, Marcelo definiu a parada com o brilho costumeiro.
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 15:52
É, Marcelo. E isto tudo é uma tristeza pra todos que gostam de verdade de escola de samba. Porque é tão bonito quando você assiste, como assisti ontem, pessoas tão simples, lindas, alegres desfilando com tanta emoção e entusiasmo. Não dá nem pra explicar o monte de sentimento bom com que a gente vai pra casa, depois de um troço dessa natureza.
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 16:38
Perfeito. Laíla troca diretor de bateria, escolhe samba, corta ala, faz o diabo. E grita. É o resultado acabado de uma ordem maluca que despreza o componente e obriga o sujeito a desfilar carregando verdadeiros edifícios na cabeça e 150 kg de fantasia. Ouso dizer, parecendo herético, que a experiência de cruzar a avenida desfilando na Beija Flor se assemelha ao caminho do calvário. É penitência maior que subir a Penha de joelhos com um pedregulho nas ideias.É bom para quem tem que purgar pecados.
Saudações imperianas.
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 07:38
C.A, eu não quis defender o Laíla não, quis ampliar a crítica para os tais “harmonias” das Escolas. São vários exemplos desse espécie de ditadura que têm o Laíla como protagonista (caso dos ritimistas expulsos), o verdadeiro primeiro-ministro da BF. Não conheço de perto como acontece por lá, mas fico com a sensação de que rola mais ou menos como você descreveu em seu texto e como o Simas sintetizou. Não tenho nenhuma simpatia pela Beija-Flor. Acho que ela pode ganhar 800 carnavais que nunca se igualará ao seu Império, à minha Mangueira, à Portela, ao Salgueiro, como Escola de Samba, no sua correta definição.
Segunda-Feira, 18 de Janeiro de 2010, às 18:08
Espetacular abordagem, Andreazza! Descobri seu blog há alguns minutos e, te garanto, serei leitor fiel. Muito bom tudo isso aqui… Parabéns.