por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quinta-Feira, 7 de Janeiro de 2010, às 14:59
Sim, Juveninho sumiu. Sim, não deu notícias. Não, não tem um livro para justificar sua ausência. Tem uns atestados médicos. Mas está ótimo, “obrigado”. Escrever para ocupar a cabeça – é o que Juveninho precisa [dizem]. Escrever para não enlouquecer. A escrita como medida profilática é terrível, ele diz, porque você acaba revelando por escrito qual é o seu problema. Juveninho não vai fazer isso. De vingança, contaminará o leitor com a doença. Por uma frase, ao menos. Ou duas. Está bem: três. Juveninho tem horror ao inacessível - eis a verdade. Principalmente, se o inacessível tem a pele morena, queimada de sol.
“Ai!”, diria o Werther, de Goethe, “a distância assemelha-se ao futuro! Uma massa enorme de trevas existe constantemente diante da nossa alma”. Os adolescentes dizem isso hoje: trevas. É sinistro, é “trevas”. Normalmente, sobre aquilo que não entendem. Juveninho entende os adolescentes. Juveninho entende as trevas. O problema de Juveninho é o intervalo entre uma treva e outra. Sentir, ele diz, a ausência de quem você contemplou ou abordou rapidamente, mas ainda não conheceu, não pôde conversar sem a preocupação da hora, da intromissão, da piada atonal e mal compreendida. Não é a distância. Não é o futuro. É o inacessível. A “entretreva”. Em outras palavras: o offline.
Juveninho detesta o offline. Os amigos logo o mandam trabalhar, distrair-se, escrever – como quem presta serviços -, ocupando-se de sua inserção social. Werther reclamava quando lhe sugeriam “amar com moderação” e regular seu tempo, empregando uma parte no trabalho e as horas de recreio – imagine! - “no cortejo de vossa amada”. Para salvar seu amor e seu talento artístico da aniquilação maquinal, Juveninho igualmente ignora essa gente, mas também não vai se matar por amor impossível algum. A menos que morra de saudade, com a cabeça no teclado, a mão no mouse, o cursor no refresh do orkut, e o barulho do messenger acordando os pais: “turururu”, “turururu”…
Para Juveninho, a pior coisa da morte é a certeza de que virá um médico enumerar as causas, como se a ciência soubesse a causa de alguma coisa e Newton tivesse explicado por que os corpos caem, e não apenas descrito seu movimento. Juveninho preferiria que uma adolescente vislumbrasse seu belíssimo cadáver, esculpido a muita malhação e futevôlei, e dissesse assustada: que trevas! Seria mais honesto, ele diz. E depois, sim, que um (seu) biógrafo, como Paul Auster, revelasse então que Juveninho morreu porque estava “com o coração partido. Algumas pessoas riem quando escutam essa frase, mas isso é porque elas não conhecem nada do mundo. Pessoas morrem porque estão com o coração partido. Acontece todo dia e vai continuar a acontecer, até o fim dos tempos”.
Juveninho conhece alguma coisa do mundo, e não pretende morrer tão cedo. Por isso agüenta as entretrevas, evitando alimentá-las. Como? É simples, ele ensina. Evitando as teens. Há duas maneiras básicas de distinguir entre menininhas e mulheres. A primeira é simples. Menininhas não podem largar as “miguxas”. Já as mulheres dizem às amiguinhas que vão ali com você, e pronto. A segunda é quase tão simples. Menininhas não sabem que podem dizer não quando bem entenderem, então acham que qualquer atenção é um supersim. Mulheres são senhoras de si, e sabem [como ele] que podem ser educadas, simpáticas, conhecer, conversar, interagir, sair, jantar, ir ao motel e, se decidirem que não querem nada, basta negar o beijo ou inventar uma desculpa, porque os desencontros fazem parte da vida. (Ok, consente Juveninho: ir ao motel, não).
O problema é que não basta evitar as teens para evitar o offline - a maior agonia contemporânea -, a dor que Juveninho passa enquanto escreve sobre a dor que não passa. Bem-feito, dizem os amigos: quem mandou escolher a melhor? Juveninho ignora. Só a melhor lhe interessa. Na praia, ao avistar a morena queimada de sol, houve quem dissesse: você não viu Uma mente brilhante? Não se lembra do Equilíbrio de Nash? Da teoria de que não se deve ir logo na mais bonita que você não vai se dar bem? Está ouvindo? Estou, respondeu: “John Nash é o caralho. Meu nome é Juveninho, porra”. Os amigos se calaram. Sabem que Juveninho não é de aspas nem de palavrão, muito menos de citar o cinema nacional. Temeram o que Juveninho-Zé-Pequeno faria com quem obstruísse o caminho à sua musa. E ninguém se dispôs a morrer pela matemática.
A eternidade, dizem os cafajestes, é o tempo entre o orgasmo e deixar a mulher em casa. Juveninho despreza os cafajestes. A eternidade, para ele, é o offline da musa, enquanto não tem o telefone dela. Há quem pense que o offline tem o poder de aumentar ou diminuir uma paixão, o que é mais uma bobagem teen. Juveninho já está bem grandinho para saber que o sucesso de uma relação não depende do tempo em que as coisas acontecem (inclusive – mas não só - aquelas…), mas da qualidade. Fugir das provas práticas e (ou para) querer o maior amor do mundo é coisa de miguxa. Só duas coisas, segundo Juveninho, merecem todo o amor do mundo mesmo quando não demonstram a menor qualidade: os filhos e o Flamengo. Para ter os primeiros, primeiro é preciso assistir junto a muitos jogos do segundo. Sua musa já demonstrou várias qualidades. Juveninho só torce para não cair de cabeça no teclado antes do seu “turururu”.
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Juveninho no Twitter
Máximas de um Personal Lover: http://twitter.com/Juveninho
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Leia algumas crônicas de Juveninho, o personagem mais famoso da Casa:
Juveninho e as moças do seu tempo
Juveninho e as moças do Coqueirão
Juveninho e Rocky Balboa
Juveninho e o carnaval
Juveninho e a religião
Juveninho e suas órfãs
Ele e as viciadas
Onde está Juveninho?… [JUVENINHO NO PAN 2007]
Juveninho e o Réveillon
Juveninho e o ventríloquo
Juveninho e a noite de autógrafos [SOBRE O LIVRO DOS TRIBUNEIROS]
Juveninho e o pré-carnaval
Juveninho standard
Quem ama faz spinning
Entrevista com Felipe Moura Brasil [I] - sobre seu primeiro romance
Juveninho 2016
Juveninho da Paz
Juveninho e o apagão


Quinta-Feira, 7 de Janeiro de 2010, às 15:12
Brilhante! (Talvez, o melhor Juveninho).
Quinta-Feira, 7 de Janeiro de 2010, às 21:02
Eu to sempre online, relaxa..
Quinta-Feira, 7 de Janeiro de 2010, às 13:48
Bom ter o Juveninho de volta! Espero que ele esteja mais frequente em 2010.
Ri muito com o tururu. Por que o barulhinho precisa ser tão chatinho e insistente?
Quinta-Feira, 7 de Janeiro de 2010, às 20:16
Textaaaaço!
Quinta-Feira, 7 de Janeiro de 2010, às 22:23
o Juveninho sabe das coisas. Adorei! :)
Quinta-Feira, 7 de Janeiro de 2010, às 22:29
sem querer ferir o juveninho, mas as mulheres dividem os homens dos meninos: os que ligam e os que ficam esperando entrar no msn…
Quinta-Feira, 7 de Janeiro de 2010, às 11:08
Juveninho não se sente ferido. Acha apenas graça de meninas que, de tão ansiosas por se vingar e competir com os homens - como se estes fossem inimigos -, não conseguem sequer apreender o que lêem. “A eternidade, para ele, é o offline da musa, enquanto não tem o telefone dela”. Não aprendeu, Juveninho, a mágica de ligar sem ter o telefone. Se soubesse, seria decerto o primeiro a usar.