por C.A. - Quarta-Feira, 9 de Dezembro de 2009, às 09:28
O jornal Extra me inspirou a também formar o meu Flamengo hexacampeão brasileiro, qual seja, um time rubro-negro escalado apenas com jogadores das seis conquistas, 1980, 82, 83, 87, 92 e 2009 - brincadeira deliciosa, à qual convido todos os torcedores, de todos os clubes do mundo [embora alguns, paciência, não tenham mais de um troféu nacional para compor].Goleiro: Gilmar [1992]
Um excelente arqueiro, que considero negligenciado na história do Flamengo. Discreto mas eficiente, sobretudo experiente, operou alguns milagres ao longo daquela conquista, comandando - era líder nato - uma defensa formada pelos arrepiantes Junior Baiano e Wilson Gottardo. Não foi pouco.
(No banco: Raul - 1980, 82, 83).
Lateral-direito: Leandro [1982-83-87]
Um craque, o maior lateral que vi jogar - seguramente o maior do Brasil em todos os tempos -, Leandro me impressionava pelo modo como dominava a bola, a qualque parte do corpo: a pelota batia e grudava, parava, mansa e domada, segura do melhor destino.
(No banco: Jorginho - 1987).
Zagueiro central: Aldair [1987]
Ainda despontando em 1987, mostrou a segurança - sobretudo técnica - que o faria entrar para a história do futebol brasileiro. Nunca vi um zagueiro desarmar um atacante com a habilidade de Aldair, um defensor que não se projetava ao chão e que saía jogando com fabulosa velocidade e sem errar passes, não raro em lançamentos de cinqüenta metros. Um extra-classe.
(No banco: Rondinelli - 1980).
Quarto-zagueiro: Ronaldo Angelim [2009]
Não é um craque; mas é - já era antes do gol decisivo - um ídolo. Eficiente, discreto, veloz, baixo mas com soberba impulsão, Ronaldo Angelim, o zagueiro que não faz faltas, está para sempre inscrito na história do Clube de Regatas do Flamengo. Autor de um tento imortal, que o imortaliza.
(No banco: Mozer - 1982, 83).
Lateral-esquerdo: Junior [1980-82-83-92]
Um craque, que poderia formar no meio-campo deste time - mas que joga na lateral porque jamais escalaria Leonardo [1987], a quem considero um jogador comum [mais superestimado que o samba do Marinho para Vila-2010!] e mais uma farsa do politicamente correto; e porque preciso resistir ao ímpeto de escalar Piá [1992], o melhor cruzamento da história do futebol brasileiro.
(No banco: Piá - 1992).
Volante: Carpegiani [1980]
Meu saudoso avô, desembargador Renato Lomba, rubro-negro máximo, morreu dizendo que Carpegiani jamais errara um passe. Dizia, também, que ele era muito melhor que Falcão, a quem, nos tempos de Inter, levava nas costas. (Carpegiani teria - vejam só - inventado Falcão). O velho se emocioanava ao afirmar que nunca vira um meio-campo como o daquele Flamengo de 1980 - e que a maior estupidez da história do futebol consistiu na aposentadoria prematura de Carpegiani, que “poderia estar jogando ainda hoje”.
[No banco: Maldonado - 2009]
Volante: Andrade [1980-82-83-87]
Essa sou eu quem digo: Andrade jogava muito mais que Cerezo e jamais cruzaria uma bola defronte à área como fez o desengonçado atleticano [freguês nosso, aliás] na Copa de 1982. Dos volantes que vi ao vivo, foi o maior: elegante, desarmava com facilidade, de pé, sem carrinhos etc., e era capaz de, no toque seguinte, deixar um atacante na cara do gol - como fez com Bebeto na final do brasileiro de 1987.
[No banco: Uidemar - 1992]
Meia: Adílio [1982-83]
A bola grudava aos pés de Adílio e nunca terá havido tamanha capacidade para controlar uma pelota. Veloz mais que vento, corria com a redonda como se não a detivesse, escondida em algum centímetro de grama que só o craque cultiva. Mesmo com Zico e outros monstros sagrados, Adílio foi o dono absoluto do Brasileiro de 1983 e suas raras convocações à seleção brasileira apenas sublinham a grande besta [também superestimada] que foi Telê Santana.
(No banco: Zinho - 1987, 1992)
Meia: Petkovic [2009]
Autor de minha maior alegria num estádio, o gol do tri carioca de 2001, Petkovic voltou ao Flamengo - com a chancela tribuneira, registre-se - para que o sexto campeonato brasileiro do clube tivesse a incontornável marca do improvável. Aos 37 anos, ridicularizado e dado com morto para o futebol, Pet marcou dois gols olímpicos, pulverizou defesas em dribles curtos e incisivos, fez lançamentos de lembrar Zico, e ainda foi pivô do afastamento - definitivo, espero e torço - da canalhada de Kleber Leite. Gênio imortal.
(No banco: Tita - 1980, 82, 83).
Ponta-de-lança: ZICO [1980-82-83-87]
O maior jogador de futebol do mundo em todos os tempos.
(No banco: Bebeto - 1987).
Centroavante: Adriano [2009]
Com todas as homenagens ao goleador das decisões Nunes [e ao furacão que foi Renato Gaúcho em 1987], considero Adriano melhor e, de resto, cria da casa. Neste título de 2009, foi decisivo e venceu - escrevo convicto - alguns jogos sozinho. (Venceu o Botafogo sozinho, por exemplo). Compreendeu como poucos a chance de ser ídolo de uma torcida monumental, protagonizou o mais emocionante regresso de um jogador ao clube formador, e veio preencher o espaço que, a bem da verdade, jamais poderia ser de Ronaldo e sua pequenez. Adriano é craque e merece todas as regalias; e que se dane se falta aos treinos. (Quem tem de treinar todos os dias é o Denis Marques).
(No banco: Nunes - 1980, 82).
Técnico: Carlinhos [1987-92]
Carlinhos, outrora um craque rubro-negro, foi maior treinador da história do Clube de Regatas do Flamengo.


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