por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-Feira, 2 de Dezembro de 2009, às 14:13
O Flamengo está a uma vitória do hexacampeonato, e nada mais dá tantas alegrias a Juveninho. No horário dos jogos, ele é o único homem no Coqueirão. As morenas gritam: viva o Imperador! O Imperador apareceu! O Imperador voltou! Ô, ô! Dizem que, para cada gol de Adriano, são 40 pontos de Juveninho no beach tennis. Mentira. Juveninho - o Charles Müller do badminton - detesta beach tennis: já não bastava o vôlei de praia? Quando o beach tennis e a maratona viram moda nacional, ele diz, estamos muito próximos de ressuscitar o freesbee.
Juveninho se preocupa com a inteligência produzida no país (sobretudo a sua). Acredita que ela pode ser medida através do esporte - sobretudo do torcedor. Há anos, os amigos dizem que ele perdeu a paixão pelo Flamengo. Que abandonou o Maracanã. Que jamais superou o gol de barriga do Renato. Que, depois do Romário, nem o Pet o trouxe de volta. Juveninho ignora. Para ele, quem ama de verdade – e as verdades - busca sempre novos ângulos para contemplar o seu amor. Domingo no Coqueirão, Juveninho é mais Flamengo do que nunca.
Nada tem, Juveninho, contra quem acha que ser Flamengo é ir de arquibancada, rodar camisa e cheirar suvaco. [Juveninho adora suvacos; só prefere escolher quais.] Acha engraçado, porém, que aqueles que reduzem o significado do que amam sejam justamente os que se acham possuidores do maior amor do mundo. Não é de hoje, daí, que esvaziar palavras e idéias de sentido é a melhor forma de produzir multidões de apaixonados cheiradores de suvacos. Sentado no Coqueirão, Juveninho assiste a passeatas e campanhas por abstrações, como “paz”, “basta”, “cansei”, “contra a violência”, “gentileza gera gentileza” etc. Juveninho já propôs um novo grito de guerra: suvaqueiros/ unidos/ jamais serão fedidos!
Os bandidos nos matam, e nós nos revoltamos contra a “violência”. Os canalhas nos roubam, e nos revoltamos contra a “corrupção”. Os intelectuais nos mentem, e nos revoltamos contra a “sociedade”. Durante a última passeata, Juveninho pensou que, se todo brasileiro ama uma abstração, por que não tornar-se ele mesmo, Juveninho, uma abstração? Imaginou, então, uma multidão de suvaqueiras morenas clamando por ele. Tentou sair do corpo para virar uma idéia; leu livros espíritas em busca da alma desencarnada; sonhou com a Juveninho Party, no MAM, à qual até as loiras iriam de vestidos brancos estampados com sua silhueta. Mas logo desistiu da empreitada. Negando seu corpo, Juveninho jamais seria preso por uma peteca.
Para a final do Flamengo, as petecas do Coqueirão já estão em polvorosa. Dizem que, durante o jogo, em homenagem à paz, Juveninho vai andar até de mão dada pelo calçadão. Seu radinho de pilha nunca foi tão disputado. Há quem jogue todas as fichas na loirinha do frescobol. Há quem aposte na morena da altinha. Há quem cisme com a oxigenada do quiosque. Há quem suspeite da mulata da barraca. Há quem arrisque a negrinha do maiô. Há quem vote até na ruiva do beach tennis. Juveninho não deixa pistas. Sabe que, no Brasil, quem dá nome aos bois acaba de escanteio. Só o Flamengo importa, ele diz. Se é papo de artilheiro, ninguém sabe. Se o Imperador entra com tudo, tampouco. Mas corre, a bocas pequenas e grandes, que o hexa está garantido.
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Leia algumas crônicas de Juveninho, o personagem mais famoso da Casa:
Juveninho e as moças do seu tempo
Juveninho e as moças do Coqueirão
Juveninho e Rocky Balboa
Juveninho e o carnaval
Juveninho e a religião
Juveninho e suas órfãs
Ele e as viciadas
Onde está Juveninho?… [JUVENINHO NO PAN 2007]
Juveninho e o Réveillon
Juveninho e o ventríloquo
Juveninho e a noite de autógrafos [SOBRE O LIVRO DOS TRIBUNEIROS]
Juveninho e o pré-carnaval
Juveninho standard
Quem ama faz spinning
Entrevista com Felipe Moura Brasil [I] - sobre seu primeiro romance
Juveninho 2016
Juveninho da Paz
Juveninho e o apagão


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