por C.A. - Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009, às 10:05
No dia em que o Brasil recebe, com honras de chefe de estado, o assassino ditador calhorda iraniano Mahmoud Ahmadinejad, nesse dia de profunda vergonha para a democracia brasileira, quero escrever sobre… cigarro, cerveja e maconha.
Este final de semana carioca - e solar, por óbvio - foi pródigo em mostrar a que caminhos nos leva o discurso politicamente correto nesta cidade. Há - claro - uma canalhice no ar… Na praia ou no Maracanã, lugares públicos em que estive, é hoje mais fácil - e escrevo sem medo de errar - fumar maconha que acender um cigarro ou dar um gole de cerveja.
Prestei bem atenção na vigarice… É fabulosa! O fumante é, hoje, um criminoso, e lhe basta que acenda um cigarro - na praia, por exemplo - para que os olhares dos outrora fumantes passivos, hoje vítimas!, despejem ódios por recriminação. (Vivemos numa sociedade em que proliferam as vítimas, e já existe mesmo uma indústria - judicial - da vitimização, que movimenta milhões; mas esse é papo para outra hora).
A criminalização do fumante é escrota e, sobretudo, hipócrita, porque ao lado, ali ao lado, um desses vagabundos mimados do Leblon se babava todo num baseado que terá decerto contaminado toda a extensão de nossas areias, do Leme ao Pontal - e sem que vivalma o tivesse coibido. O fumante “comum”, como talvez dissesse o presidente Lula, é hoje um assassino, mas serei - eu! - radical se afirmar, convicto [estou convicto], que o playboy que compra a erva financia diretamente o crime contra o qual mamãe e papai gritarão “basta!”. (Talvez eu seja - esteja - deslocado, o mundo muda mui rapidamente…, mas o que me incomoda, mil vezes antes da fumaça do cigarro, é a ilegalidade, o que está fora-da-lei; e hoje ilegal é a maconha).
Não havia choque-de-ordem para o maconheiro, que pode tudo, que é cool, mas ai de quem tentasse beber uma água de coco. Não havia polícia militar ou guarda municipal para o maconheiro, leitor, mas ai de quem tentasse comer um queijo-coalho.
Não é formidável? Vivemos um tempo de inversões poderosas…
Chego, então, ao Maracanã, lá onde não se pode beber cerveja - mas onde o consumo da maconha é mais difundido que em Woodstock ou, pasmem!, na PUC… (E o tal mosaico então serviu de esconderijo e estufa). Estou absolutamente seguro a respeito do que escreverei: a tolerância ao uso da maconha, o que verdadeiramente me espanta, aumenta na exata medida em que se reprime, a cada dia mais, o consumo de cigarros e bebidas alcoólicas.
É o que dá misturar a hipocrisia [do tipo “Alerjica”, o leitor entende] de Sergio Cabral, o bom-mocismo de Eduardo Paes e a cafajestagem de Carlos Minc…
O Rio de Janeiro, que combate os prazeres mais tradicionais [e legais] de sua população, é hoje tolerante a toda sorte de ilegalidades.
O Rio de Janeiro, de Sergio Cabral e Eduardo Paes, é, à vera, ainda pior. O Rio de Janeiro é de Carlos Minc.
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Pós-escrito: Leia também Ainda a maconha - AQUI.


Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009, às 10:26
Assino!
Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009, às 12:37
Sensacional artigo, Andreazza! Apoiado! É uma cretinice, uma hipocrisia o que se faz contra os fumantes no Rio, no Brasil, no mundo. E agora os botequins de subúrbio começam um movimento silencioso de não mais vender cigarro, nem varejo. Por trás dessa perseguição contra o fumante, está um mecanismo fascista, extremamente perigoso! Fascismo de uma esquerda enojada e de uma direita de tanga, bronzeada!
Abraço!
Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009, às 15:18
bravissimo !
e aguardem em breve o Estado distribuindo as drogas , bandeira do nosso FHCult (!!)
Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009, às 15:29
Tá difícil, né escritor, tá difícil.
E ainda tem os ex-fumantes-ativos-arrependidos a encherem o saco.
Mas, ao menos, o coco tá salvo. Parece que prefeito vetou a palhaçada.
Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009, às 17:51
Assino!
Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009, às 17:53
Bravo ! Estive ontem no Maraca e te digo que com certeza não estarei na última rodada, porque é sacrifício demais para conforto e prazer de menos. Chegamos lá nas imediações do Estádio às 17:00 hs. e não conseguimos beber uma cerveja. Quais serão os próximos passos dessa administração? Proibir a venda de cerveja nas ruas durante o carnaval? Ou obrigar as mulheres a andarem de “burka” pela cidade (até porque eles não parecem muito chegados a um corpo feminino desnudo)? Um abraço.
Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009, às 18:15
Eu tenho uma pá de amigos apreciadores do cigarro proibido… Seria um babaca dizer que nunca provei. Mas só de pensar que eu tinha que ralar desde cedo pra sustentar familia, fico pensando, qual é o barato de ficar empazinado e com os olhos trancadinhos? Putzgrila! Pra quem foi revolucionario e Fidelista, como eu, percebo que o mundo vem mudando pra pior! E eu sou um dos culpados por isso, pois, na tolice da vanguardice idiota, nem prestava atenção que a galera se auto ludibriava com ideias libertárias que estão enchendo o bolso dos stalinistas de plantão. O povo, ó! Só maconha mesmopra livrar a mente de pensar em algo sério e que dê jeito nessa josta!
Eu sou a favor de criminalizar o uso dessa demência o quanto antes. Mas sei que no país da bandalha, sou voto vencido.
E me irrita, cada dia mais, ver essa juventude ensandecida e superburralda defendendo cada vez mais a cultura da demência, enquanto vivem de dar tres pulinhos poara se desviar das balas perdidas de seus fornecedores… pena, né?
Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2009, às 10:00
Andreazza, há quanto tempo falamos sobre isso in loco?
Também assino.