por Felipe Moura Brasil (Pim) - Quarta-Feira, 11 de Novembro de 2009, às 14:55
Onde estava Juveninho durante o apagão? Com quem? As morenas do mundo inteiro exigem uma resposta. Ou duas.
Juveninho não tem blackberry. Juveninho não tem iPhone. Juveninho tem radinho de pilha. Em quase três horas de apagão na noite chuvosa do Rio, ficou abraçado a ele como nos tempos de cadeira azul no Maracanã. No lugar de Zico, Edmundo. O original? Não: um genérico, da Paraíba. Deitado na cama, com o celular descarregado, e atrás de informação sobre o futuro da energia nacional, Juveninho foi obrigado a ouvir Vasco e Campinense, pela série B do Campeonato Brasileiro. Morrendo de medo, claro. Quando a única notícia da civilização é um jogo do Vasco na Paraíba, diz Juveninho, estamos muito próximos do juízo final.
Aos poucos, chegavam declarações de autoridades como o ministro Edison Lobão sobre o desligamento da hidrelétrica de Itaipu, possivelmente devido a “tempestades”, “vendavais” e “problemas atmosféricos” – segundo Juveninho, os maiores criminosos do Brasil depois da “sociedade”. Juveninho também jamais perdoaria a natureza por obrigá-lo a ouvir Vasco e Campinense, não tivesse sido este, felizmente, um jogo cheio de tumultos, expulsões, pênalti perdido, porrada e sangue - em sua imaginação: muito sangue. Enquanto os carros batiam nos cruzamentos sem sinais, e os pedestres eram assaltados nas ruas escuras, e os moradores ficavam presos nos elevadores, e os mosquitos devoravam Juveninho no quarto sem ar-condicionado, Edmundo dava um soco em Carlos Alberto e era expulso. Aquilo o distraiu. Quando moleque, chamaram Juveninho para jogar no Vasco. Mas ele preferiu os mosquitos.
Nunca soube, Juveninho, se primeiro se apaixonou pela bola ou pelo rádio. O futebol era divertido às vezes; o futebol no rádio, sempre. Sua maior influência literária é o garotinho José Carlos Araújo, o melhor locutor esportivo de todos os tempos. Juveninho deve toda a sua carreira (lêem-se: morenas) a ele. Muito agradecido, dizem, grita em pensamento a cada uma: “Entrou! Golão, golão, golão!”. Nos últimos meses, Andre Agassi lançou sua autobiografia, revelando casos com drogas e doping; Hulk Hogan lançou sua autobiografia, revelando ter pensado em suicídio. Fora o Zico, diz Juveninho, os ídolos de infância são sempre uma decepção. Mas vai comprar a biografia do Garotinho. Acredita que a santidade precisa voltar à moda. Por isso anda escrevendo sua história, no romance autobiográfico Enquanto a babá trepava. Se Juveninho é um “Anjo Pornográfico”? Ora, ele diz, isso é para os feios. Juveninho é o Santo Farpador.
Seu atual radinho de pilha, ele ganhou de brinde na assinatura de um jornal americano. Foi o melhor presente que o jornalismo já lhe deu. Agora, quando falta luz, ele pode saber tudo sobre a série B do Campeonato Brasileiro. Dizem que, se os jornais americanos dessem blackberries ou iPhones de brinde, Juveninho estaria dormindo até agora com uma morena da série A. Há quem pense em processar a imprensa americana por deixar Juveninho offline no apagão. Em Porto Rico, é comum as pessoas combinarem onde vão passar o “furacão da semana que vem”. Há quem pense em processar a natureza brasileira por falta de aviso prévio. Todos (mentira, todas) exigem indenizações pesadas, como andar de mãos dadas com Juveninho no Coqueirão. Entre as vítimas online mais prejudicadas, havia até sujinhas moderninhas querendo cantar em seu (dele) quarto-sauna: “Ô chu-vá, eu peço que cai-á devagar”…
Ninguém se conforma em deixar Juveninho às moscas no verão. Nem ele. Quando a luz voltou, foi até o espelho e contou nove mordidas e três arranhões. De onde mesmo tinham vindo os arranhões? Juveninho não lembrava. O jeito foi desligar o radinho de pilha, fechar as janelas, ligar o ar-condicionado e dormir. Um beijo, morenas. Dizem que Juveninho já tem dois furacões marcados pra semana que vem.
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Leia algumas crônicas de Juveninho, o personagem mais famoso da Casa:
Juveninho e as moças do seu tempo
Juveninho e as moças do Coqueirão
Juveninho e Rocky Balboa
Juveninho e o carnaval
Juveninho e a religião
Juveninho e suas órfãs
Ele e as viciadas
Onde está Juveninho?… [JUVENINHO NO PAN 2007]
Juveninho e o Réveillon
Juveninho e o ventríloquo
Juveninho e a noite de autógrafos [SOBRE O LIVRO DOS TRIBUNEIROS]
Juveninho e o pré-carnaval
Juveninho standard
Quem ama faz spinning
Entrevista com Felipe Moura Brasil [I] - sobre seu primeiro romance
Juveninho 2016
Juveninho da Paz
Juveninho e o apagão


Quarta-Feira, 11 de Novembro de 2009, às 21:48
Belo texto! Como o Juveninho, adoro o José Carlos Araújo, mas sinto uma baita saudade do Jorge Curi e do Mario Vianna, com dois enes…