por João Paulo Duarte - Terca-Feira, 10 de Novembro de 2009, às 16:59
“His message was brutal but the delivery was kind/ maybe if I get this down I’ll get it off my mind” [Amy Winehouse]
O que escreverei é porque mereço me lembrar que amei mais do que cabia em mim.
[Imagina se nós tivéssemos nos conhecido hoje. Talvez tivesse dado certo. Mas não seria tão bom, não estaríamos aqui agora.]
Não chorei porque não quis – pois podia. Estou bem longe do fundo, porque amei e fui feliz pelo que senti. Deixei-te livre, e me recompus pelo que conquistei e pelo que sou, e sei que, no fundo, você entende tudo que fiz.
Tenho teu o que nenhum outro homem jamais terá; vi-te se fazer mulher e construir tudo o que faz agora. Você era minha, de mais ninguém, e guardei tudo. E é o que importa agora, ninguém me tira; mesmo que você ame mais, ou que te amem o mundo, fui eu.
Hoje, vi meu prazer retumbante, na mulher que minha foi nua, ainda muito nova. Fui capaz de sempre, mas tudo acabou. [Por tantas vezes te exigi mulher, quando deveria ter sabido sorrir com a menina. Fui estúpido na minha própria pretensão de ser melhor]. Esvaiu-se pelo meu corpo, se perdeu nos meus erros e não encontrei motivos para seguir. Foi melhor assim, você é melhor sem mim, já que fraquejo no que não posso controlar. Eu me proibi de controlar, mesmo porque não tenho força sobre mim. Meu mundo é um incompleto descontrole, não sei o que fiz até agora, e não acredito no que poderei fazer. Mas me fiz em você, e deixei-te se criar no meu colo, no que pensei ser certo.
Aprende que a vida muda rápido, que o que você pedia eu tenho hoje, porém agora não sou mais quem deveria ter. Passou. E não escrevo, neste exato momento, sobre o que poderia ter sido, mas pelo que fomos [pelo que fui todo].
E foi assim: ver você mulher foi melhor. Foi motivo do meu sucesso, do meu sorriso, do meu orgulho, de eu ter perdido minhas palavras [eu!], de não saber como elogiar, de não ter idéia de por onde começar, de me sentir bem e perdido em tudo o que você é. Não podia ser melhor e fiquei repleto de não sei bem o quê. Bastei-me pelo ensejo, pelo meu olhar e por imaginar o que, por fim, você viu em mim hoje.
Quando acabou, e novamente fique sozinho na rua [hoje], pensei. Confundi meu ardil e escolhi o que fazer. Precisei escrever pra mim mesmo – o que a noite me oferecia estragaria o que sinto agora e não queria que morresse, que acabasse tão rápido. Forcei-me prolongar o que senti por você hoje, que foi bem diferente de tudo que vivemos quando estávamos juntos. Confesso que só pude me reencontrar aqui. Se não escrevesse, não me encontraria jamais. Por ti, por mim, e por tudo que errei em toda minha vida.
E por tudo o que vi quando você me olhou, nos olhos. Tentou impávida esconder o óbvio; que estou certo, que nosso amor existiu e foi mais do que temos hoje – cada um, separados. E que nada hoje teria o mesmo sentido se não fosse por nós, certo ou errado. Erramos tanto no passado que só o presente pôde nos provar que estávamos certos.
Bem, te fiz chorar de amor tantas outras vezes que escrevi, que minha intenção agora é sermos felizes no fim. Não celebro o fim de nada, porque odeio nostalgia. Mas você hoje é o que existe no meu peito. Emocionamos-nos tanto juntos que não é a carta do fim que vai nos fazer chorar. Aquela foto nossa é o destino da nossa conquista, de que hoje eu sou por ter você em mim. E que fique em ti o que pode prestar de mim. E não se impressione caso eu estiver novamente na primeira fila. Faz parte do que sou.


Terca-Feira, 10 de Novembro de 2009, às 17:12
Foi motivo do meu sucesso, do meu sorriso, do meu orgulho, de eu ter perdido minhas palavras [eu!], de não saber como elogiar, de não ter idéia de por onde começar, de me sentir bem e perdido em tudo o que você é. Não podia ser melhor e fiquei repleto de não sei bem o quê. Bastei-me pelo ensejo, pelo meu olhar e por imaginar o que, por fim, você viu em mim hoje.
Terca-Feira, 10 de Novembro de 2009, às 18:07
“você é melhor sem mim” é uma constatação cruel. Poucas coisas doem tanto. Nos sabermos prescindíveis a quem amamos e desejamos, vixe maria!
Corajosos exílios, João Paulo.
Terca-Feira, 10 de Novembro de 2009, às 12:29
Que lindo!
Terca-Feira, 10 de Novembro de 2009, às 07:11
Haja uísque!
Terca-Feira, 10 de Novembro de 2009, às 09:49
Puta que pariu!!! que lindo…