por Bruna Demaison - Sexta-Feira, 9 de Outubro de 2009, às 16:36
Deixei você dormindo em casa. Não sei se volto, mas quero tê-lo ali.
Vim disposta a embarcar para o primeiro lugar vago, mas fiquei. Perdi a noção de tempo com o tanto que estou olhando para as plaquinhas girando com destinos e horários, parece hipnose. Ter muitas opções me levou a parar para contemplá-las: será mais fácil para quem tem só um caminho? Não sei se existe essa condição ou é distorção da miopia. Sempre penso sobre o momento em que descobrimos que temos um problema de visão: então de repente o mundo não é como o percebíamos! Uso esses óculos para que meu olhar fique mais parecido com o de quem criou a lente, mas não estou muito segura sobre o real.
Todas essas pessoas partindo e chegando me fazem querer vir mais aqui só para ganhar abraços, a presença da ausência na relação deixa os freqüentadores do saguão tão amorosos. Vou entender pra te convencer que o que falta é menos que o que temos, eu me alimento do seu desejo e rastreio seus passos. Me deixa ir para voltar, se sou mesmo daqui é indo embora que vou achar meu lugar. Você é tudo o que eu preciso para me livrar dos males que me causa.
As cartas de amor que escrevemos perturbam mais a mão que as envia do que o cérebro de quem as faz, dementes descuidados com raiva por quererem mais. Só o que te imploro é que não exija de mim qualquer coerência, me aceite do jeito que eu quero ser e tentando chegar lá descobriremos o tanto que já somos. Somos sós.
Vemos mais sentido em quem fotografa coisas banais e escreve as mais belas legendas do que nos sãos que correspondem às necessidades. Queremos quem sacie a sede que ainda nem sentimos, convívio com os que dão sorrindo o que nem pedimos, tranqüilidade é descobrir que é para responder às perguntas ainda não feitas que colecionamos inutilidades vida afora. São as visitas à meia-noite que devolvem o fôlego, bússola para a tormenta sem a qual não seguimos – uma e outra. Somos caos.
Não corremos atrás de felicidade, esperamos que ela consequentemente aconteça. Escolhemos coragem a cabeças brilhantes cheias de idéias desperdiçadas pelo medo, berramos no silêncio, pisamos a grama porque não é isso que vai matá-la e é o que vai nos fazer viver, jogamos baldes de tinta na parede enquanto sonhamos com o branco. Desistimos de planos para celebrar o acaso, somos imperfeitos para seguir em movimento, não descemos a onda para chegar à areia. A beleza de envelhecer é poder se dar conta da confiança que adquirimos nas idéias que sempre tivemos. Somos nós.
Vem me buscar.


Sexta-Feira, 9 de Outubro de 2009, às 23:05
Nossa. Fiquei sem saber.
Sexta-Feira, 9 de Outubro de 2009, às 06:40
E nessa insegurança toda, só de manhã, ao ler o matutino enquanto sorvia sorumbático meu café, pude perceber o quanto te amo…
Sexta-Feira, 9 de Outubro de 2009, às 00:13
sempre leio os textos da casa, mas nunca comentei nada, mas esse foi impossivel ficar quieta!
q texto lindo, singelo, com passagens belissimas q eu voltava para ler de novo as sacadas geniais.
Parabéns, adoro as suas crônicas, leio sempre!