por Felipe Moura Brasil (Pim) - Sexta-Feira, 9 de Outubro de 2009, às 17:52
Adeus, mega-sena. (Mentira. Adeus nada.) Mas Juveninho quer ganhar o Prêmio Nobel. Não decidiu qual. As morenas do mundo inteiro gritam: o de química! As loiras: o de física! As ruivas: o de medicina! Dizem que ninguém brinca de médico melhor do que Juveninho. O curioso é que jamais um médico foi tão querido pelas crianças. Quando ele chega à pracinha, é uma festa. Só Juveninho leva as babás ao trepa-trepa.
Acordado com a notícia de que Obama ganhou o Nobel da Paz, Juveninho perguntou: não é hoje que estréia o filme do Tarantino? Juveninho está louco para ver Bastardos Inglórios, definido pelo ator austríaco Christoph Waltz – Palma de Ouro pelo papel do carrasco nazista Hans Landa - como “uma narrativa alternativa, tão real quanto o que sabemos de uma guerra que nenhum de nós viveu. Afinal, o que sabemos dessa guerra são as narrativas que ouvimos de alguém”. Acha interessante, Juveninho, tal conceito de realidade, em que o passado alternativo é tão real quanto o passado real. Anda dizendo por aí que as babás nunca saíram do banquinho; e que as mamães nunca chegaram ao balanço.
Para Juveninho, Obama é o Tarantino da política [e que Deus o perdoe a comparação]. Tarantino deu um novo fim à Segunda Guerra Mundial. Obama deu uma nova esperança à “comunidade internacional”. Construiu um futuro alternativo tão real que já foi até premiado por isso. Está quase contente, Juveninho, com este mundo onde a realidade não serve para mais nada, senão de base à ficção que, em seguida, a substitui – e assim sucessivamente, numa neurose coletiva de enlouquecer as morenas de todas as pracinhas. Não teme, porém, pela carreira diplomática. Dizem que, perto de Juveninho, Vinícius de Moraes é um amador.
Segundo o comitê do Nobel, a diplomacia de Obama tem “base nos valores e atitudes compartilhados pela maioria da população mundial”. Sempre se comove, Juveninho, com o apelo à autoridade da maioria. Quase chora quando o ombudsman(!) da Folha [e toda imprensa global] diz que houve golpe em Honduras porque a “comunidade internacional” falou, ou quando Verissimo defende a reforma de saúde obâmica [só] porque todos os países industrializados têm um sistema universal de assistência médica. Um ignora o artigo 239 hondurenho. Outro ignora… bem, uns 239 itens do debate público americano. Não sabe, Juveninho, por que eles não ganham a Palma de Ouro.
A fim de justificar a vitória de Obama - há apenas 37 semanas no governo dos EUA -, o presidente do comitê alegou: “Se você olhar para a história do Prêmio Nobel da Paz, nós temos tentado, em várias ocasiões, realçar o que várias personalidades estão tentando fazer”. Ok. Juveninho já entendeu. De boas intenções o Prêmio Nobel está cheio. Agora, então, dizem que o maior objetivo de Juveninho é salvar os namoros e casamentos de todas as babás e mamães do mundo. A notícia correu o bairro com sucesso, inclusive entre os homens. Poucos se interessaram em como ele pretende fazê-lo. Alguém avisou que, se depender de Juveninho, vêm muitos Bastardos Inglórios por aí. Não se sabe quem ouviu. Mas a comunidade da Praça Nossa Senhora da Paz já encomendou à Prefeitura até uma piscina de bola.
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Leia também: De Fidel a nossos pés - editorial tribuneiro, de Felipe Moura Brasil (Pim) - [aqui].


Sexta-Feira, 9 de Outubro de 2009, às 11:23
Fidel defende candidatura de Evo Morales ao Nobel da Paz
16 de outubro de 2009 • 10h10 Comentários
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O líder cubano Fidel Castro defendeu em um novo artigo a candidatura do presidente boliviano, Evo Morales, ao Prêmio Nobel da Paz, recentemente concedido ao governante americano, Barack Obama.
“Se o Prêmio foi concedido a Obama por ele ter vencido eleições em uma sociedade racista, apesar de ser afro-americano, Evo o merece por ganhá-las em seu país, apesar de ser indígena, e além disso por cumprir suas promessas”, escreveu Fidel, segundo a agência Ansa.
Ao longo do texto, o líder cubano narra a trajetória de Morales até chegar ao poder, em 2006, e destaca realizações da gestão do boliviano. “Em menos de três anos, erradicou o analfabetismo: 824.101 bolivianos aprenderam a ler e a escrever; (a Bolívia) é o terceiro país livre do analfabetismo, depois de Cuba e Venezuela”, diz o texto.
“Presta atendimento médico gratuito a milhões de pessoas que nunca o haviam recebido; é um dos sete países do mundo que nos últimos cinco anos mais reduziram a mortalidade infantil”, continua o líder cubano em seu artigo.
“Por que não se dá a ele o Prêmio Nobel da Paz?”, questiona, para logo depois considerar: “compreendo sua grande desvantagem: não se trata de um presidente dos Estados Unidos”.