por C.A. - Quarta-Feira, 7 de Outubro de 2009, às 14:56
Nem precisei da bola-de-cristal.
O alcaide Eduardo Paes é previsível; é leitura fácil…
E então somos obrigados a engolir - tamanha farsa! - que a prefeitura do Rio “não conseguiu cumprir as exigências do Tribunal de Contas do Município e cancelou a licitação do carnaval de 2010.”
Ah, o TCM…
A combinação entre a habitual incompetência da municipalidade e a raríssima [surpreendente] presteza do Tribunal de Contas do Município [como foi célere e eficiente!] resultou em que, ora-ora, a Liga Independente das Escolas de Samba reassumisse a organização dos desfiles das escolas de samba.
Quanto oportunismo!
Eu sabia. Eu avisei. (Aqui, aqui, aqui e aqui)
E veja o que diz este inacreditável Eduardo Paes - pois que é melhor reconhecer a própria incompetência do que rever [mexer com] a privatização bandida do carnaval: “O Tribunal de Contas do Município fez uma série de exigências, que nós não esperávamos, de ajustes no edital. O que não permitiria, por exemplo, abertura de propostas agora, no dia 9, que era para quando estava marcada a licitação. Então, se começa a entrar em uma faixa de risco da realização e da organização do Carnaval do ano que vem”.
Faixa de risco? (Escola de samba - escola de samba de verdade! - desfila em qualquer lugar, com qualquer dinheiro).
Faixa de risco - explico - é [insistir em] não ouvir as recomendações dos bicheiros… E tanto melhor será publicar um edital - eu o esmiucei, mostrei-lhe as falhas! - pateticamente mal-acabado.
Para completar…
Claro, o inacreditável Eduardo Paes admite que a prefeitura demorou a lançá-lo. Pronto!
E eu, que já escrevera, escrevo de novo: a prefeitura assim procedeu de propósito, com a firme intenção de que acontecesse o que aconteceu; qual seja, nada.
O prefeito mesmo reconhece, aliviado - “O próximo Carnaval será com a Liesa, será mantido o padrão que vinha se mantendo” -, mas mente: “A gente vai buscar fazer esse processo também nesse ano já com a maior transparência possível”.
Não vai, não. É mentira. Nas mãos da Liga, que se saiba, o carnaval é - será sempre - impenetrável.
Com esta monumental farsa, a atual gestão municipal vem de renovar a legitimidade - dada, de início, por Czar Maia, quando entregou, sem licitação, a Cidade do Samba à Liesa - da contravenção [da obscuridade] na organização do carnaval das escolas de samba.
Um golpe na cidade.
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Há por aí quem festeje este triunfo da Liesa… O argumento - pífio e limitado - é sempre o mesmo: aquele segundo o qual a Liga tem [vômito prévio] know-how e organiza o carnaval da maneira como as escolas de samba [e o público] gostam. (O que é mentira; e para desmontar tal falácia bastaria citar o péssimo sistema de som do Sambódromo, que, ouso dizer, piora ano após ano - mas isso não interessa agora).
Variante do argumento - também pífio e limitado - consiste em lembrar da [de fato] sofrível organização da prefeitura para o carnaval, de volta aos anos 80. E daí? Era ruim, terrível; mas, fingindo que o trabalho da Liesa seja muito superior, por que não acreditar na capacidade de evolução da municipalidade? É questão conceitual: o que a contravenção organiza de maneira razoável sempre poderá ser ao menos igualado pelo poder público; e a lei [olha ela aí…] fará a diferença.
Mas isso tampouco interessa agora. (E sequer mencionarei o evidente de que a prefeitura não pretende organizar o carnaval; mas licitá-lo e fiscalizá-lo de forma apropriada - o que hoje é impossível).
Falamos, sim, do carnaval, da festa, do “lado artístico” da cousa, como se diz - mas parece que nos esquecemos de que se trata fundamentalmente de um evento quase todo feito com dinheiro público.
Não se pode comemorar a organização da Liesa sem considerar - ignorando - que o maior espetáculo da terra decorre do investimento de poderosos recursos públicos. E que isso exige responsabilidade. Não um nível qualquer de transparência - mas a transparência absoluta. Algo de todo impossível à Liga Independente das Escolas de Samba - uma entidade marginal, fora-da-lei.
Não é uma questão do que se pode ou não esperar do vencedor de uma licitação pública, empresa mais ou menos competente que a Liga; mas, sim, sob que patamar de transparência será aplicado o dinheiro público municipal.
No caso da Liesa, eis o que se pode esperar: transparência zero [0] - e com isto não pode haver conversa.


Quarta-Feira, 7 de Outubro de 2009, às 15:35
Uma vergonha!
Quarta-Feira, 7 de Outubro de 2009, às 15:50
Um nojo!
Quarta-Feira, 7 de Outubro de 2009, às 16:40
A cidade que vai organizar uma Olimpíada permitir que um grupo de contraventores continue administrando a festa mais importante do país é quase surreal, não fosse uma vergonha e um nojo. Revoltante.
Quarta-Feira, 7 de Outubro de 2009, às 16:49
Olga, resumiste a parada. É isso.
Quarta-Feira, 7 de Outubro de 2009, às 17:03
Perfeito, Olga. Nós somos os otários nessa história toda.
Quarta-Feira, 7 de Outubro de 2009, às 20:58
Amigos, resta-nos fazer outro desfile histórico no sábado de Carnaval.
Quarta-Feira, 7 de Outubro de 2009, às 10:19
Faremos, Jota!