por C.A. - Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 15:15
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Estive contra o Pan de 2007 e lhe fui um crítico feroz. Considerava-o [com razão] evento menor, que não justificava o monumental investimento público - e por um motivo superior e incontornável: o legado para o Rio de Janeiro, do ponto de vista estrutural, seria nulo. (Absolutamente nulo, porque os jogos pan-americanos - eis a verdade - simplesmente não têm este poder revolucionário, apesar da propaganda pública enganosa que nos vendeu a cousa como marco para a transformação da cidade numa metrópole do futuro). Passados mais de dois anos, a não ser pela espetacular arena multiuso à Barra, minha projeção infelizmente se confirmou - e ao Rio, como conquista urbana, nada restou.
Feito o preâmbulo, chego ao que ora interessa…
Torço - ao contrário do que se supõe - para que o Rio seja escolhido a receber os jogos olímpicos de 2016. Torço e muito - porque, vencendo os limites meramente esportivos do evento [que pouco me importam, já que não joga o Flamengo], imagino-me diante da escolha que a cidade [que o cidadão carioca] terá a rara chance de fazer…
Se todo o favoritismo carioca de fato se comprovar amanhã [sexta-feira, 2 de outubro], os eleitores do Comitê Olímpico Internacional terão feito uma aposta inédita, tão extraordinária quanto generosa - que, agora sim, oferecerá ao Rio de Janeiro o divisor de águas que o Pan jamais poderia ser: a cidade terá uma oportunidade única, nos moldes do que se deu em Barcelona, para se reinventar, para se reestruturar em setores urbanos que vão de todo sucateados, como o transporte público; e este é trem [metrô?] que só passa uma vez, e que não se pode deixar passar.
É tempo de responsabilidade; de assumir responsabilidades.
A se confirmarem as Olimpíadas no Rio, e com tudo que o evento agrega [e sempre pode agregar mais], ou a cidade vai - ou racha. E é mister que se tenha compreensão absoluta disto.
A hora é esta.
É tempo de responsabilidade; de assumir responsabilidades.
Chicago, Madri e Tóquio estão, hoje, aptas a receber uma Olimpíada. Hoje. Escolhê-las - fato é - seria a decisão mais fácil; mais evidente - burocrática. Racional. Estruturalmente, são cidades que funcionam, hoje - e que precisarão de transformações urbanas mínimas, para além da construção das instalações olímpicas. (Algumas, nem isso).
O Rio, não. O Rio nada tem, ou, otimista: o Rio tem tudo - quase tudo - a erguer. (É o porvir - o futuro: uma questão de futuro)! O Rio precisará de intervenções estruturais vultosas, que lhe mudarão a face urbana - decisivamente. E é nisto que reside, numa escolha afetiva [emocional], que poderá desaguar numa cidade revigorada [na glória de uma cidade que renasce], a aposta generosa do COI - uma aposta no Rio de Janeiro, no melhor do Rio, no Rio melhor, no que o Rio pode ser.
Se o COI afinal apostar no Rio, apostará sobretudo nos cariocas - e eis que teremos de escolher a cidade que queremos.
Os políticos nossos são corruptos e incompetentes? Sim. Mas que se danem! Não se pode abrir mão de uma oportunidade dessas porque temos péssimos administradores públicos. (E eles é que se reinventem também, ora)! Não se pode - nesta altura - ter medo de ser feliz; e cabe à população carioca, diante desta bênção possível, fiscalizar e exigir que os fabulosos investimentos resultem num Rio de Janeiro viável, planejado, pronto para o futuro.
Sim - repito: é uma questão de futuro. Mas também de coragem.
Não será difícil - e então teremos triunfado também como cidadania.
Eu acredito.
E você, leitor tribuneiro?


Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 15:38
O Rio vai ganhar, e a informação já vazou, como a prova do ENEM (a propósito, a FOLHA DE SÃO PAULO pagou os 500 mil pelo “resgate” da prova fraudada?).
Ou o alcaide e o governador não teriam decretado - verdadeiro absurdo! - ponto facultativo amanhã.
É no que aposto.
Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 16:10
Que absurdo, Edu!
Já começou mal…
Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 18:01
Acho que o Rio é favorito exatamente por ser o único que tem tudo a fazer.
E quando a América do Sul terá [teria] outra oportunidade melhor que esta para sediar os Jogos? Este é o momento, assim como foi a Copa do Mundo para a África.
Apoio Rio 2006 exatamente pelo mesmo motivo que você, Andreazza: é uma oportunidade única para tranformamos a cidade - para todos juntos melhorarmos o Rio nos próximos sete anos.
Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 18:17
É isso, Jota. E devemos ser implacáveis na cobrança de que os jogos de fato beneficiem - decisivamente - o Rio de Janeiro e a vida do carioca.
Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 21:31
Gostei muito do texto.
E também faço coro ao Goldenberg: tenho certeza de que a informação vazou antes do tempo.
A Olimpíada é carioca.
Comemoremos, ao som de Lulu, nossa vitória!
Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 23:37
Eu, CA, sou como toda mulher apaixonada: tenho vez ou outra uma raiva da cidade, juro que vou deixá-la, que já chega, que isso aqui não presta, até que faz sol no domingo, emendo uma praia numa picanha, termino um dia terrível de trabalho olhando para a lagoa e volto a dizer que não troco por nada. Então vou fazer a minha parte. Mas eu vou cobrar!
Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 00:43
Andreazza,tem mais um motivo,serão criados dezenas de milhares de postos de trabalho.
Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 09:15
B.D., nós, que vivemos esta cidade, temos de defendê-la sempre - e os Tribuneiros, você sabe, são particularmente bons nisso…
Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 09:16
Imperiano Hoffmann, tens toda a razão: a geração de empregos é ponto decisivo a favor do Rio.
Abraço!
Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 09:48
A USP calcula a criação de dois milhões de empregos no total.
Também sou a favor. Andreazza, como você entende a ida “de surpresa” e urgente do Obama? O que você acha que significa?
Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 11:15
C.A., meu caro,
é isso aí. Fui um insuportável, um chato de galochas (alguém ainda diz isso?!?!) em relação a toda aquela histeria (da mídia, da mídia babaca) quando do Pan, uma palhaçada e tal. Mas agora, é isso: trata-se do futuro e é preciso (sem deslumbramentos e sabendo que haverá roubalheiras e que tais), é preciso tomar uma posição. E a meu ver essa posição precisa ser pró-Rio 2016 - com os olhos bem abertos, é claro.
Por isso sou a favor. Pela possibilidade de o Rio ser reinventado, pelos empregos, por um sistema de transportes que funcione, pela despoluição, pelas crianças e por todos nós. Por esses desdobramentos é que, assim acredito, quem ama o Rio tem que apoiar.
Um abraço.
Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 11:27
Alice, acho a ida do Obama - que considero um farsante - um peso grande a favor de Chicago.
Quinta-Feira, 1 de Outubro de 2009, às 12:41
Grande Eduardo, meu apoio - como o teu - é um voto de confiança e compromisso de fiscalização incondicional.
Abraço!