por João Paulo Duarte - Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2009, às 18:28
Escrevi você tantas vezes que esqueci que não te quero; que esqueci que quero ir em frente. Não sou mais quem escreve, sou quem brigou, quem dispersou e não enxerga – nem acredita – o futuro daquele amor.
Mas faço-me em palavras e, já, suplico que a eternidade do que escrevi não me afete [destrua]. Tudo que escrevi nunca quis que fosse a verdade. Eu não acredito na verdade, por isso escrevo.
Preciso das minhas palavras quentes; de desconectar minha semântica e o que sinto não me estimula mais ao texto. São meus próprios impulsos que ainda me trazem ao caderno, à tinta. Tudo que preciso, agora, está em mim.
Escrevi o meu amor.
Não acredito no que escrevo. Apagarei jamais o que escrevi, que me mantém acordado.
Desafio-me a escrever nesta cidade. Sozinho e desconhecido. E abasteço minha confiança frente ao papel em branco – do que pode surgir após horas de luta. Até onde posso alcançar, se não tenho mais ninguém do lado? É o que consigo enxergar aqui.
Minha retórica me derruba, meus argumentos são fracos e sufoco. Meu pensamento me equivoca, em silêncio. Então escrevo. Não consigo mais ler o livro da minha cabeceira, que apenas pesa na mesa.
Quando dislexo, me encontro. E volto a mim pro que escrevo. Hoje, aqui, é o que ouço e o que bebo que me encerram. Eu mesmo me acabei com a garrafa e recomecei na outra, com o gelo novo; no tamanho infinito da cidade, dentro do apartamento.
Queria o otimismo, mas o meu amor ficou pra trás. Ainda não sei o que eu trouxe do Rio e o que nunca vou conseguir resgatar do Leblon. Recupero-me todo o dia das minhas escolhas pessoais.


Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2009, às 16:54
Doído e bonito este exílio, João Paulo.
Segunda-Feira, 28 de Setembro de 2009, às 00:08
Que sejas, pelo menos, bem remunerado.