por C.A. - Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 11:33

Os patriotas hondurenhos que apoiam o golpista Manuel Zelaya são daquele tipo que tampa a cara.
Não é pouco irresponsável - e não há meios diplomáticos que expliquem - a interferência do governo brasileiro, policialesca, numa questão interna de Honduras. Abrigar o golpista Manuel Zelaya na embaixada do Brasil em Tegucigalpa é decisão grave - gravíssima, que transforma [deturpa] um conflito diplomático importante em perigosa contenda ideológica. (Esta sim, sem precedentes). Celso Amorim não me surpreende… Mas é inaceitável, profundamente absurdo [grosseiro], que o Itamaraty, a instituição, para além de receber o golpista [não como asilado que é, condição em que deveria calar-se, mas como hóspede de um hotel de luxo, de onde faz discursos de “vida ou morte”], componha o grupelho ilegal [comandado por Hugo Chávez] que cuspiu Zelaya, clandestinamente, no território hondurenho. Trata-se de afronta absoluta; e não há ângulo de leitura que abrande a transgressão do governo brasileiro, que viola, ao mesmo tempo, a Constituição do Brasil e a Constituição de Honduras, e isso sem falar na carta de princípios da OEA. (Só isso)…
Zelaya é um fora-da-lei - não nos esqueçamos. Tentou, na condição de presidente da República, dar um golpe civil e se perpetuar no poder; tentou assaltar as regras pelas quais fora eleito e derrubar a ordem constitucional de Honduras. Caiu por isso, rechaçado pela Justiça, pelo Congresso, pelas Forças Armadas e pela população, em consonância com o que versa a Carta-Magna do país - que foi sempre defendida, e defendida está hoje, pelo governo constitucional que, de acordo com a lei, substituiu-o, sustentando a normalidade democrática, com todas as instituições em pleno funcionamento [todos os partidos políticos ativos, os de oposição inclusive], com liberdade de imprensa e com os direitos fundamentais do cidadão preservados; e com um sinal decisivo para a ordem constitucional e para a democracia representativa: eleições presidenciais marcadas e mantidas para novembro. (As gentes não raro pensam que o fato de um presidente ser eleito, pelo povo!, torna-o espécie de imperador, um populista absolutista, acima das leis e dos demais poderes da República - ao que Honduras, democracia representativa que se defende, reagiu de maneira firme e referencial).
Há, não nos custa lembrar, um mandato de prisão contra Manuel Zelaya - traidor da pátria - em Honduras, e é neste cenário violentamente ilegal, uma nova tentativa [a terceira!] de golpe civil de inspiração bolivariana no país, que o governo brasileiro, encorpado de paladares ideológicos descabidos, coloca-se, como líder, em destaque… E do lado errado! O governo brasileiro, estupidamente, insufla a guerra civil num país que, apesar do trauma de depor um presidente, segue em paz e respeita exemplarmente as regras do Estado de Direito; e ignora, sob todos os riscos da diplomacia enterrada, que não há a menor possibilidade deste golpista Zelaya administrar o país senão por meios autoritários - leis de exceção, bem-entendido. Seus únicos apoios, como de resto se vê em todas as fotos [carregadas de vermelho, onde não se vê nada das cores nacionais], são sindicatos dominados por agitadores de esquerda.
Roberto Micheletti, presidente de Honduras, pede, com equilíbrio notável, que o governo do Brasil respeite os códigos mais elementares das relações diplomáticas internacionais e declare a condição de asilado de Zelaya [ora, como “abrigado”, como hóspede da embaixada, ele está num limbo inaceitável para o país], ou que o entregue à Justiça hondurenha - que lhe garantirá a segurança e o amplo direito à defesa. Seria, depois desta grave ingerência e dos poderosos equívocos do governo brasileiro a respeito, o certo a fazer. (Mas que não se crie ilusões: o Brasil, que defende a ditadura cubana na ONU!, tende só a piorar suas posições, e é acintoso que a diplomacia brasileira, outrora tão escorreita, tenha se tornado, à imagem de Celso Amorim, instrumento para a política ideológica, seja ela qual for). (E lamento, sem ver alternativa, que o Brasil, país que se pleiteia sério e que vai a construir uma sólida democracia representativa para si, enrede-se de cabeça - e crina… - numa trama golpista tão baixa, tão patética, tão perigosa, tão chavista, e que resulta, de forma bizarra, em que a luz, o gás e o telefone da embaixada brasileira em Honduras, de resto isolada fisicamente, já estejam vergonhosamente cortados, como sói a uma representação diplomática que se permita transformar em laje para comícios irresponsável de um vagabundo)…
Se não houver uma desgraça, se não houver um banho de sangue, será graças e exclusivamente graças ao governo constitucional de Honduras.
Se acontecer uma tragédia, bem, o Brasil deverá ser infelizmente responsabilizado - e mais: culpado. CULPADO. E é assim que o país de Lula assume o protagonismo na América Latina, afinal superando Hugo Chávez: pela irresponsabilidade que estimula, de forma inconsequente, uma guerra civil em Honduras.


Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 12:07
Até agora, 11:00, já morreram 2.
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 12:08
Que coisa mais perigosa essa atitude da diplomacia brasileira. Pra quê? Por quê? O Celso Amorim, ontem, em entrevista parecia um tresloucado. Mas não assumiu a participação na entrada do Zelaya em Honduras.
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 13:08
Olga, conforme bem registro o Alberto, já houve duas vítimas - e isto por um motivo grave, que compromete o governo brasileiro: em vez de diplomacia, política ideológica.
Celso Amorim e Lula, ao lado de gente como Hugo Chávez, devem ser responsabilizados - decisivamente - por essas e quaisquer novas mortes que decorrerem desta absurda volta do golpista Zelaya a Honduras.
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 14:20
E eu gostava do Amorim…mas o negócio tá brabo…
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 14:46
É um irresponsável, bom Pian! Um moleque!
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 16:03
CA,
quando você desapareceu do Jobi eu devia ter desconfiado que estava em Honduras…
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 17:44
Honduras mandou me chamar, B.D., e eu vim…
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 19:21
Só Honduras pra tirar o Andreazza do Jobi.
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 00:07
Amigos, sinceramente, não entendi.
O Zelaya é o golpista? A prisão dele, no final de junho, foi considera pela comunidade internacional como uma manobra do golpe de estado perpetrado por Roberto Micheletti. Ou será que mudou? Os jornais do mundo todo estamparam a declaração do secretário-geral da OEA, Jose Miguel Insulza, dizendo que se tratava de um “golpe de estado clássico.” O Zelaya foi eleito! Se por um partido de direita, isso é outra história!
Concordo com o seguinte: ele não pode fazer da embaixada do Brasil em Honduras um palanque e ficar, microfone em punho, incitando as pessoas…
Mas o golpista, até onde sei, é o outro…
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 09:39
Caro Claudio, não sei se você acompanha os Tribuneiros há muito tempo - mas sempre tivemos a mesma posição, que não é política e ideológica, mas constitucional e democrática: Manuel Zelaya é o golpista.
Sim, ele foi eleito. E daí? Uma eleição democrática não dá ao presidente o direito de fazer o que quiser. Não. Ao contrário: mais do que todos, como exemplo, em vez de tentar mudar as regras no meio do jogo, ele deve estar subordinado às leis que o elegeram; e compreender, de acordo com a democracia representativa, que personifica um Poder da República, que não está acima dos demais, mas em equilíbrio.
Zelaya foi automaticamente deposto porque desafiou uma cláusula pétrea da Constituição Hondurenha, aquela que impede qualquer reeleição - e o fez mesmo advertido por todas as instituições democráticas do país, pela ordem, Ministério Público, Congresso e Suprema Corte, que, diante do claro golpe civil e amparada na lei, solicitou às Forças Armadas, no cumprimento de suas funções constitucionais, que retirasse o presidente já deposto [caíra automaticamente, insisto] do país. (E este foi um erro, um drible, o único, na lei: Zelaya, traidor da pátria, deveria ter sido preso).
Seja como for, o governo de fato de Honduras, comandado por Roberto Micheletti - presidente do Congresso, que assumiu o executivo sempre em consonância com a Carta-Magna - é democrático e manteve a ordem constitucional e o Estado de Direito, sustentando a liberdade das instituições [dos partidos políticos, os de oposição inclusive] e o equilíbrio entre os Poderes; e sobretudo o seguinte: manteve, marcada e sob as mesmas regras, a eleição presidencial de novembro, a mesma que Zelaya queria corromper. (E de resto, as Forças Armadas estão nos quartéis, trabalhando normalmente, e não há generais no comando da República).
Nós aqui estudamos e vamos às fontes. Não nos baseamos em notícia pronta. “Golpe de Estado”, de caráter civil, tentou aplicar Zelaya, insuflado por Hugo Chávez. Nós aqui não acreditamos nesta “comunidade internacional”, que está mais ou menos comprometida - o secretário-geral da OEA, Jose Miguel Insulza, sobretudo - com a mesma ideologia que transformou o presidente da Venezuela num imperador, esmagando a democracia representativa, a liberdade de imprensa e os direitos fundamentais do cidadão; e a isto Honduras disse NÃO.
Nós aqui acreditamos na democracia representativa e no Estado de Direito, sempre, e nada nos interesse se para um político de esquerda ou de direita. Não escrevemos sob ideologias e oportunismos. E te sugiro a respeito, caro Claudio, a leitura do artigo “Terceiro mandato” - aqui: http://www.tribuneiros.com/2009/09/10/terceiro-mandato/
Forte abraço!
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 12:06
O Collor também foi eleito pelo povo, não?
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 14:09
O velho Barão do Rio Branco não merecia isso…É um dos piores momentos da diplomacia canarinho em todos os tempos e sob qualquer ponto de vista.
Abraço
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 18:13
Concordo com Andreazza e, de quebra, com o Simas. O momento é de vergonha absoluta para a nossa diplomacia. A declaração de hoje (23/09) do Lula é um absurdo. O Brasil não pode se posicionar contra a Constituição hondurenha.
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 18:16
Mas, afinal, Cláudio Renato, qual a importância da OEA? Que interesses Insulza representa?
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 11:14
Caro CA,
Entendi perfeitamente o seu ponto de vista e agradeço pelos esclarecimentos. Mas ainda discordo de se tachar o Zelaya de golpista. O Collor foi eleito, sim, Olga. Ele pode ter sido tudo, tudo, tudo de ruim…fez tantos descalabros que foi impedido pelo Congresso…Mas golpista ele não foi…Já o presidente Getúlio Vargas, tão importante para a consolidação institucional do país, ironicamente foi, sim, um golpista, em determinado momento. A chamada Revolução de 30 foi fundamental para o desenvolvimento do país, mas foi um golpe. O Estado Novo nem se fala…Portanto, isso é muito relativo.
Obrigado mais uma vez e parabéns pelo trabalho
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 14:27
Claudio Renato, a questão é justamente esta. Os mesmos que apoiaram o impedimento do Collor, eleito pelo povo, são os que são contra o impedimento do Zelaya que, pelo que tenho acompanhado, lido e refletido, errou feio ao querer passar por cima da Constituição do país. Em que pese a brutalidade da deposição, o presidente deposto não me parece preocupado com o povo hondurenho.
Insisto que não tenho um entendimento muito fundamentado sobre o assunto, mas, pelo que tenho lido, o tal “golpe” em Honduras difere de outros abomináveis golpes tão covardes e outrora comuns na América Latina.
E, Claudio, seu blogue é bem bacana.
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 19:01
Olga, fico muito feliz que você tenha gostado do Passavante.
E também, com relação à questão que vem sendo levantada, falou-se em liberdade de imprensa. Acho que o crescimento da produção de conteúdo em blogs e microblogs põe em xeque a tão sagrada liberdade da (pelo menos grande) imprensa. As pessoas não estão tão satisfeitas. Espaços como esses aqui, de nível, permitem que a gente troque idéias e informações. Agora, repito o que disse na primeira intervenção, absurdo o presidente deposto (golpista ou não) usar a embaixada brasileira como palanque literal. Abração!
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 14:38
Também ouso discordar da opinião exposta no texto. Vejo, sim, o governo Micheletti como golpista. Subtraíram de seu cargo um governante democraticamente eleito, ao pretexto de que ele pugnava por um terceiro mandato. Se Zelaya tentou alterar as regras no meio do jogo, não o faria sem o uso de um instrumento democrático (o plebiscito, que ele já preparava. Se estamos defendendo a democracia, não podemos esquecer que ela é se materializa num governo gestado, conduzido e decidido pelo povo, não por uma minoria que sempre se sub-rogou na condição de “representante” da voz popular para perpetrar golpes de Estado, como sempre ocorreu na América Latina.
Pelo que sei, não houve nenhum levante popular em Honduras clamando pela saída de Zelaya antes que os golpistas atuais tivessem agido. Se repararmos bem, a justificativa alegada para essa quartelada não difere em nada da usada para o golpe de 64, quando o “povo”, representado por meia dúzia de generais e civis interessados,agiram para defender a nação das terríveis forças comunistas, que também não passavam de meia dúzia de lunáticos sem poder algum de influência.
Se Micheletti se pauta por algum princípio democrático, o que dizer agora do covarde amordaçamento da imprensa por ele promovido? Calar a boca da imprensa quase sempre revela a fragilidade da democracia e os consequentes pendores liberticidas de um governo.
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 15:25
Caro Paulo, o caráter livre desta Casa jamais fará de teu comentário uma ousadia. Considero-o, isto sim, um grande equívoco. E não só do ponto de vista conceitual; mas também no que se refere à informação.
Você está desinformado. Ou, pior, mal informado.
Zelaya não “pugnava” um terceiro mandato. Não. Ele pleiteava - contra uma cláusula pétrea da Constituição - um segundo mandato, qual seja, o direito a reeleger-se, o que a Carta Magna daquele país não admite. NÃO ADMITE. Não se trata de pretexto - mas fato. Zelaya, contra todos os pareceres de todos as instituições da República, levaria a cabo um plebiscito inconstitucional, e caiu, automaticamente, por isso - sempre conforme versa a Constituição.
Manuel Zelaya foi deposto em perfeita consonância com as leis de Honduras.
Nem todos os instrumentos democráticos estão sempre a favor da democracia. Um presidente eleito não tem direitos acima da República - e se projeta-se contra a ordem constitucional, contra o equilíbrio entre Poderes, ainda que valendo-se de ferramentas democráticas como o plebiscito, tão mais perigoso será.
Acredito na democracia representativa; e não me apoio em manifestações populares - em levantes etc. - para definir minha posição. O povo - este refúgio sem-face dos canalhas - não raro está errado.
Não compare o que ora se passa em Honduras com o que houve em 1964 no Brasil. A não ser que se queira passar por rasteiro. João Goulart tombou por motivos políticos, num golpe militar, sem que houvesse um processo constitucional que justificasse a deposição. Zelaya foi deposto pela Constituição de Honduras, absolutamente conforme vai escrito.
Micheletti não se pauta em um ou dois princípios democráticos. Ele se pauta em todos, defendendo a Constituição Nacional de Honduras - e de maneira impecável. Inclusive agora, quando exigiu uma posição diplomática do Brasil sobre a condição de Zelaya na Embaixada, decretou o toque de recolher e limitou a livre difusão de informações. Está certo - e baseado nas leis. É um momento infeliz, concordo, grave, concordo - mas necessário, em defesa de um país absurdamente atacado pelo mundo todo. (Lamento, porém, que a decisão dê margem para que ditadores como Hugo Chávez, ou amorais como Celso Amorim, chamem o governo de Honduras da ditadura que definitivamente não é).
Honduras é uma nação ameaçada, em grande parte pelo Brasil, e a Carta Magna daquele país, como a brasileira [leia-a], assegura ao Estado o direito de restringir [de maneira provisória] meios de comunicação que incitem a desobediência civil - o que aliás está em curso, e a partir da embaixada do Brasil, de onde Zelaya, ferindo qualquer limite do Direito Internacional, promove comícios de “vida ou morte” e insufla a guerra civil. (Que só não aconteceu porque 80% da população o rejeita).
Atá agora, se resumo, o governo constitucional de Honduras só cometeu um desvio na Lei, que reputo grave: quando, deposto Zelaya, permitiu que fosse levado para fora do país - pois o certo seria tê-lo prendido como o traidor da pátria que é.
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 16:47
Prezado CA,
Não atribua uma voz divergente da sua a uma desinformação do seu interlocutor, sob pena de se enquadrar como antidemocrático também e ficar desqualificado para falar sobre esse assunto. Considero-me informado, sim. Apesar do uso do numeral errado (”terceiro”, por “segundo”). E se você está informado, sabe que esse golpe não foi urdido (somente) da forma mais romanticamente constitucional, mediante ação movida no Poder Judiciário e com a sã movimentação dos lídimos poderes do Estado hondurenho. Sabe que ele vinha sendo arquitetado secretamente há vários meses por diversos setores da elite daquele país – embora ele seja egresso dela.
Pode acreditar: também considero Zelaya um facínora. E, para chegar a essa conclusão, bastou-me saber da aliança dele com Chávez. Este, sim, lançou mão de um plebiscito para conseguir a reeleição indefinida e o repetiu até obter um resultado satisfatório.
Já li, e muito, nossa Constituição, até por militar nos meios jurídicos há muito tempo. Por causa dessas leituras é que sei que, em estados de exceção – como o estado de sítio, por exemplo – é permitido restringir a liberdade de imprensa (sem que esteja explícito no texto constitucional que isso se dá em casos de desobediência civil. Só que aí caímos num problema insulúvel: quem é partidário do governo Micheletti vai achar que ele agiu corretamente ao fechar meios de comunicação, dada ao “grave atentado à segurança nacinal” que os jornais possam estar promovendo. Mas os outros 95% do globoconsideram isso um pretexto usado por todas as ditaduras. Todas elas primam por usar termos vagos ( seus grandes salvadores), como “segurança nacional”, “desobediência civil”, para fundamentar suas ações nefastas.A partir daí tudo será permitido. Por isso não me vejo tão pedestre só por comparar golpinhos desse tipo com o de 64.Embora haja grandes diferenças, não podemos dizer que não há muitos pontos comuns a todos os regimes ditatoriais.
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 17:27
Paulo,
O espaço que cá construímos - essencialmente democrático - e o nosso compromisso com a liberdade de expressão garantem-nos a credibilidade para defender posições não raro polêmicas, que fogem aos clichês, mas que, baseadas no estudo, resultam-nos seguras.
Sei do que falo. Sei que estou do lado certo, que não é o do senhor A, B ou C, mas da lei - e fico muito à vontade, uma vez que se trata de postura intelectual; e não política ou ideológica.
Em termos constitucionais, não existe romantismo. Em termos constitucionais, porém, não raro há textos truncados, que suscitam interpretações várias. Não é o caso da Constituição de Honduras, que é tão clara, direta, quanto curta. Nesta Carta Magna, a reeleição - qualquer uma - é inadmissível. Há uma cláusula pétrea que a veta. O presidente que tente assaltá-la - depois de formalmente desencorajado por todas as instituições da República - será automaticamente deposto. E assim foi. Ponto final.
Desconheço esta forma golpista e clandestina - “urdida”… - que você tenta dar ao que foi, sem dúvida, aplicação transparente da lei. E não me venha com isto de que “eu sei disso”, ” eu sei daquilo” etc. Não sei, não. Se soubesse de algo comprometedor à maneira como Zelaya foi deposto, denunciaria aqui. Na hora. Se soubesse de algo comprometedor para o governo de Micheletti, esteja certo, escreveria aqui. Repito: minha posição não é política ou ideológica. É intelectual.
Este espaço não é o fórum melhor para este teu discurso populista - e não queira usar esta Casa para sugerir esta mentira que trata por “golpe da elite” o que na verdade é defesa da ordem constitucional e do Estado de Direito. Esta questão é séria. Não serve para pirotecnia ideológica chavista.
Até agora - e estou certo disso - Roberto Micheletti agiu em consonância com as leis e em respeito à Constituição; e esteja certo: serei o primeiro a condená-lo se trair a linha que até agora tem seguido.
O que ocorre em Honduras - um Estado que defende a Constituição contra um presidente eleito -, por seu caráter inédito, é sem dúvida complexo; mas deixa bem claro que o golpista é Zelaya, além de expor o nível de irresponsabilidade a que pode chegar Lula e Celso Amorim.
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 19:51
A agressividade com que você responde ao que é discordante de sua opinião não parece confirmar sua alegação de ter um posicionamento meramente intelectual. Pelo que tenho visto aqui, você sempre retruca colericamente e com ofensas pessoais a quem quer apenas debater o tema de forma civilizada. Será que você abriu esse espaço somente para comentários favoráveis a seu viés “intelectual”?
Ainda que eu fosse um chavista, seria coerente com a concepção de um espaço que se pretende “livre” ficar aberto à manifestação de minha opinião sem nenhum tipo de ressentimento de quem quer que seja, uma vez que não tenho qualquer intenção de ferir suscetibilidades, mas de debater de forma objetiva e desapaixonada.
No instante mesmo em que você admite que houve um erro por parte de Micheletti em não prender Zelaya, expôs o que pode ser a ponta do iceberg. Se a intenção do governo golpista era cumprir zelosamente a Constituição, como você defende com ardor, por que não encaminharam Zelaya à prisão e ao julgamento, destino legal de qualquer transgressor da lei num Estado Democrático de Direito? Talvez porque fosse melhor mantê-lo longe do país. Ah, convenhamos, isso passa ao largo da legalidade, da justiça e de qualquer constitucionalidade…
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 21:42
Paulo,
Aponte uma ofensa minha. Não há. Agressividade, talvez. Colericamente, sim, apresento os meus argumentos - intelectuais. Colericamente, sim, reajo à comentários de caráter dissimulado como o teu, que sugerem, que ficam à margem, que se fingem de equilibrados, de “civilizados”, mas que não têm a coragem de dizer com clareza o que são: puramente oportunistas e ideológicos, como se vai mostrando aos poucos.
Ainda assim - e ao contrário de quase todos os sites de opinião - seus comentários são livremente publicados aqui, porque é assim que funcionamos: escreva o que quiser, mas banque o escrito.
Não me atenho a especulações. Discuto fatos. Não vejo “pontas de icebergs” para me servirem de muleta intelectual. O governo de Honduras errou ao não prender Zelaya - mas isso não diminui em nada à perfeita ação constitucional que foi a deposição do golpista e todos os procedimentos democráticos que se seguiram no país, com o Estado de Direito preservado.
Lamento que Zelaya não esteja preso; mas prefiro-o solto na Venezuela, ou mesmo no Brasil, do que aplicando golpes em Honduras.
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 20:42
Não aponto só um. Aponto vários. Quando me recomendou a leitura da nossa Constituição e me chamou de desinformado logo de cara. Chamando-me de oportunista (não sei por qual explicação), dizendo que meus comentários são “ideológicos”. Agora diga-me o que é não ser ideológico aqui. Abaixar a cabecinha diante de seus pedantes argumentos, bastante floreados, mas inconsistentes. Perdoe, mas chamo a isso de narcisismo, não de intelectualidade. Agora é minha vez: aponte-me ao menos uma ofensa direta a você, além de ter cometido a heresia de ir de encontro a sua verborragia extremamente ideológica (essa sim)disfarçada de intelectualidade de botequim. Aponte também o que há de ideologia pura em minhas afirmações e o que não há nas suas.
A verdade é só uma: quem quer que tenha, como já pude constar com outros leitores, neste site a coragem de contrariar este grande “defensor da democracia da Constituição e do Estado de Direito” terá de ser atacado como um “democrático” Collor interpelando Simon (até pude ouvir sua respiração ofegantemente raivosa). Francamente, sua (pseudo)intelectualidade e é de fazer corar um Voltaire no túmulo!
Um abraço de tamanduá e faça a farra, doravante sozinho. Prefiro.
Terca-Feira, 22 de Setembro de 2009, às 21:55
Paulo, ficaste rondando, fingindo ponderação; mas afinal - com coragem [inegável] - mostraste o que és… Melhor assim.
E te digo: és do tipo [comum] que diz que vai, que não volta - mas não passarás um dia sem vir aqui me ler, o que, eu sim, dispenso.
Nunca estou sozinho. Prefiro.