por C.A. - Sexta-Feira, 28 de Augosto de 2009, às 12:23
Publicado hoje em O Globo [comento a seguir]:
O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, disse na noite de quinta-feira que está disposto a renunciar e permitir que o líder deposto, José Manuel Zelaya, retorne ao país, mas sem assumir o governo, de acordo com informações da rede CNN. Esta semana a representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) deixaram o país após fracassada tentativa de restituir Zelaya ao poder .
De acordo com a proposta de Micheletti, Zelaya voltaria como um cidadão comum e o governo seria entregue a uma terceira pessoa, a fim de que possa conduzir o país até a realização de uma nova eleição. […]
Zelaya ainda não respondeu à proposta. Por enquanto, as forças hondurenhas têm ordem de prender o presidente deposto caso ele retorne ao país sem chegar a um acordo com o governo provisório. Na segunda-feira, a esposa de Zelaya afirmou que o marido está disposto a voltar “de mãos e pés amarrados” .
O respeito à ordem constitucional prevalecerá em Honduras e o golpista Manuel Zelaya - que não é líder de coisa alguma, mas liderado por Hugo Chávez - não voltará à presidência. Isto é fato.
Mais uma vez, porém, mostrando desapego e importante consciência democrática, o presidente Roberto Micheletti propõe renunciar em favor de uma solução - um terceiro nome, de consenso, à frente do Executivo - que resguarde o processo eleitoral marcado para novembro, do qual emergirá um novo mandatário hondurenho, que poderá ser qualquer cidadão menos Micheletti e Zelaya. (A reeleição, como se sabe, é expressamente proibida em Honduras; e foi por atentar contra esta cláusula pétrea da Constituição Nacional que o golpista Manuel Zelaya caiu).
Sob a mesma lógica, Micheletti oferece garantias para que o golpista Zelaya volte ao país, anistiado dos vários crimes contra a pátria que cometeu, mas sem reassumir o governo - como, aliás, impede-o a Constituição. (O que lhe resultará em lucro tremendo, uma vez que devesse estar preso).
É nessas horas que lemos as diferenças entre os homens…
O golpista Zelaya, que segue bravateando por aí [sua esposa parece igualmente irresponsável], não aceitará, claro, a proposta - como não aceitará qualquer alternativa que, na mesma linha, ponha Honduras na frente de seus interesses pessoais, que são os de Hugo Chávez.
Para o projeto bolivariano deles, o de pilhagem da democracia representativa, que de resto não conta com o apoio popular hondurenho, ou reassumem o poder [para seguir assaltando as instituições democráticas] - ou terão sido francamente derrotados.


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