por João Paulo Duarte - Quarta-Feira, 26 de Augosto de 2009, às 18:11
Eu amanheço aqui pra acordar com você. Não preguei meus olhos, nem por um momento, nestas horas todas. Rascunhei, perambulei, dispersei. Na música [carioca] que não sai da minha cabeça. Quando sorrio, encaixo a música, agora [debocho, lembro dos meus dez, onze anos atrás], só no meu entendimento, sem você saber, nessa nossa manhã paulistana. “Linda, divina, achei que iria ficar, mas, junto de você, vou a qualquer lugar. Menina me domina como na primeira vez. E na memória uma confusão, tudo é motivo pra lembrar você. Se pra te amar, não estou legal, eu te amo natural. Vem, diz o que fazer pra te suster, que eu me entrego total.”* Nesta inexplicável madrugada que me atordoou. No teu corpo meu por inteiro na sacada desta casa linda – sem vista –, enorme, você [exausta] dorme nos meus braços acabrunhados. [Cobertor]. Estou há tantos dias aqui, cansado, vivendo como vampiro e desapegado de qualquer origem ou passado. Você também. O uísque me trouxe e vai comigo até o fim, enquanto a cidade for fria. Enquanto continuar frio, seguirei bebendo, agüentarei mais. Vou desequilibrado até onde quiser, porque você, minha conquista, me revelou que eu sou a cidade. Vim para o triunfo, por completo. E você é prelúdio disto tudo. Nosso crepúsculo vai ficar pra amanhã porque não vou voltar. Fico aqui enquanto você estiver. Os maços de cigarro que você fumou nestes dias. A confusão que ficou no chão. Minha completa incapacidade de descrever, de escrever. A total carência minha de querer outra vida. Estou novamente jovem em mim, voltei tantos anos para recomeçar aqui. O teu nome não importa se, pra mim, o que faço agora é viver o início [não tenho idéia de pra onde vou].
* Trecho retirado da música “Pra lembrar de você”, de Claudinho e Buchecha, reescrito de livremente pelo autor.


Quarta-Feira, 26 de Augosto de 2009, às 19:27
É gratificante ver a volta de sua prosa, MC Reizinho!
Quarta-Feira, 26 de Augosto de 2009, às 19:29
Era já tempo mesmo. O cara se mudou à província e se tornou preguiçoso… (E olha que é muito bem pago para escrever aqui).
Quarta-Feira, 26 de Augosto de 2009, às 11:00
E devo confessar que o dinheiro que recebo desta casa não pode me faltar.
Mas é que ando meio sem tempo mesmo.
Quarta-Feira, 26 de Augosto de 2009, às 16:12
Lindo.