por C.A. - Quinta-Feira, 20 de Augosto de 2009, às 12:50
Tenho muita dificuldade em compreender a tal arte contemporânea, que leio quase sempre como engodo. Mais difícil, porém, é-me entender o papel [papelão] da imprensa ante as [ditas] “intervenções urbanas” desses farsantes. Vagabundo empilha cocô na rua, de maneira a que a merda fique ainda pior [é espantoso], outra coisa não quer que chamar a atenção - e sempre aparece um jornalista deslumbrado para, gigolô da vez, identificar a originalidade subjetiva transgressora da bosta e encontrar no mau cheiro o substrato orgânico da vida e da esperança.
Agora, por exemplo, um mané enfaixou - com aquela fita usada para interditar locais públicos - a cabeça do busto horroroso de Getúlio Vargas [à Praça Luís de Camões, na Glória], o que resultou em feiúra ainda maior que a original, tudo com a autorização da prefeitura [alô, Rodrigo Pian!], e a imprensa [fiz ampla pesquisa no noticiário] tratou a coisa, com destaque excessivo, entre o exotismo e a genialidade, passando, claro, por aquela noção anárquica segundo a qual, de tão feia, a escultura bem merecia a sacanagem.
Em matéria de patrimônio público ultrajado, não vejo diferença alguma entre o busto enfaixado e o busto pichado; e, desde já, situando tudo por depredação, não reconheço autoridade nesses jornalistas para doravante criticar sequer um rodapé público “grafitado”, ou para condenar mais um [o próximo] furto aos óculos da estátua do Drummond. (E se, por exemplo, um vândalo disser que aleijou-cegou o autor do Poema de sete faces para fazer uma “instalação”?; quem o poderá repreender)?
Jornalismo exige responsabilidade, coerência e alguma projeção; e ainda a propósito, pergunto: e se em vez da cabeça de Getúlio, um político! [cousa fora de moda], fosse a de Drummond, o poeta queridinho [o favorito] dos preguiçosos?
(O bom da arte contemporânea encampada-compreendida por jornalistas é que logo descartamos a arte - e deixamos o contemporâneo para eles)…


Quinta-Feira, 20 de Augosto de 2009, às 13:16
Contemporâneo é o eufemismo para o provincianismo temporal e a inépcia dos bocós.
Quinta-Feira, 20 de Augosto de 2009, às 13:22
Bravo, Andreazza!
Quinta-Feira, 20 de Augosto de 2009, às 14:10
Um nojo essa bosta que fizeram no busto do Getúlio. Um nojo a autorização dada pela Secretaria Municipal de Cultura da dona Jandira. Um nojo o elogio feito pelo jornalista minúsculo. Por que todos (o artista, a secretária, o prefeito e o jornalista) não se enrolam num lixo desses e somem do mapa?! Grande texto, grande crítica. Instalação é o nome que um bundão dá à merda que faz para regozijo dos puxa-sacos.
Quinta-Feira, 20 de Augosto de 2009, às 14:39
Perfeito! Algumas “instalações”, então, são de rolar de rir.
Não sabia que o Drummond era o queridinho-favorito dos preguiçosos. Sempre achei que gostava do Drummond por considerá-lo um grande poeta. Mas, pensando melhor, como sou preguiçosa a vera, vai ver que você tem razão.
Quinta-Feira, 20 de Augosto de 2009, às 15:30
Duchamp não poderia imaginar o mal que causou. Boa parte da arte contemporânea é composta por imitadores sem noção, que se querem Adão, de manhã cedo, no paraíso (apud Harold Bloom). Acham que suas obras mais do mesmo são inovadoras, ou “vanguarda”, para usar uma palavar que lhes é cara, quando o que fazem é mera repetição do que, em algum momento, foi, de fato, singular. E tem gente que se engana aida com essas coisas…
Quinta-Feira, 20 de Augosto de 2009, às 01:59
Concordo em gênero, número e grau.
Coisa horrorosa!
Sou a favor de intervenções urbanas, mas sei que isso dá margem a esse tipo de troço que fizeram com o Getúlio.
E o Goldenberg matou a parada. Isso veio direto do gabinete da Secretaria de Cultura. Nem passou pela minha mão.
Assim como o PIM, não costumo chamar de arte “qualquer berimbau que se manifesta”.
Mas o exercício da tolerância e da composição política tem dessas coisas…
Quinta-Feira, 20 de Augosto de 2009, às 20:27
E o pior: deve ter dinheiro público envolvido. Que nojo!
Quinta-Feira, 20 de Augosto de 2009, às 09:33
Nem que seja só na fita de isolamento, Bruno, já será inaceitável.
Quinta-Feira, 20 de Augosto de 2009, às 20:28
Contemporâneo de U é Ô!!!!
Saudações!