por C.A. - Sexta-Feira, 24 de Julho de 2009, às 12:31
De Lula - para quem o presidente [ele, a figura dele] é mais importante que a Presidência [a instituição], e muito mais importante [de longe!] que os demais Poderes da República - nada mais se pode esperar senão a defesa cafajeste de Manuel Zelaya, o golpista de Honduras. (São sócios).
Absolutamente integrado ao modelo bolivariano de desmonte [de pilhagem] da democracia representativa, Lula enxerga a deposição de Zelaya - ação legal, de pleno acordo com a Constituição de Honduras - sob a ótica grosseira [e perigosa, pois que calculada por Hugo Chávez, o tirano líder] dos que compreendem que, uma vez eleito democraticamente [pelas urnas!], um presidente pode fazer o que lhe der na telha, aviltando as instituições da República, o equilíbrio entre Poderes, o Estado de Direito e a ordem constitucional.
Não pode, não. A população hondurenha - valente - deixou [deixa] bem claro: aqui, canalhas, não.
Mas, voltemos a Lula, este que em breve receberá [e nunca na história desta país!], com honras de chefe de Estado, o ditador iraniano Mahmoud Ahmadinejad…
Solapando a Constituição Federal de Honduras sob a qual se elegera, negando a ordem judicial da Suprema Corte, rejeitando a palavra do Ministério Público e do Legislativo, insuflando [sem sucesso] as Forças Armadas contra o Estado de Direito e levando a Venezuela e a Nicarágua para dentro de seu país [urinando assim sobre a soberania nacional], o canalha Manuel Zelaya pretendia, a qualquer custo [está prestes a patrocinar um banho de sangue para tanto], eternizar-se no poder; mas eis que, segundo Lula [este que discute democracia, de igual para igual…, com Omar al-Bashir, ditador do Sudão], Zelaya é vítima “de um retrocesso democrático que não se pode tolerar e com o qual não se pode transigir”.
Como!? (E com o que se pode transigir?; com Sarney?; com Renan?; com Jucá?; com Fernando Collor?, aquele bandido que, em 1989, feriu-te a honra, presidente Lula, expondo-explorando em rede nacional, grosseiramente, a tua filha Luryan, fruto de um pulo fora do casamento; é com essa escumalha que se pode transigir, Lula)?
É uma mente hedionda - esta que nos governa. E eu tenho vergonha, leitor tribuneiro.
Agora, bem, agora vamos à tolerância…
Pois que, enquanto isso, na Bahia, o governador petista Jacques Wagner [um tolerante!] recebia o criminoso Raul Castro, presidente de Cuba e cúmplice de mais de 100 mil assassinatos [disparou ele mesmo o gatilho de vários desses], e de tantas e tantas mais prisões ideológicas, para um singelo acarajé - rapidamente devorado como se devorados fossem os valores da democracia.
A mordida desta gente, leitor tribuneiro, não tem precedentes.
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E aí vem Frei Betto, este Sergio Malandro do pensamento esquerdista, escrever - com razão e com surpresa - que o presidente ianque Barack Obama reagiu, como legítimo mandatário estadunidense, em defesa de Manuel Zelaya; e então venho eu, sem surpresa e com razão, escrever que, diante do alinhamento de Frei Betto e Barack Obama, finalmente unidos na profunda sacanagem dos que amam aquela democracia com as possibilidades elásticas duma geleca [lembram?], mais do que nunca me vou seguro: estou [estamos aqui] do lado certo.
(Agradeço a leitora Gigliola Cordova pela recomendação do artigo de Frei Betto; e agradeço também ao destino por ter me encaminhado à leitura da cousa antes de almoço, ainda com a barriga vazia)…
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Comunico aos leitores que estarei de plantão, ao longo do final de semana, acompanhando o desenrolar da situação em Honduras.
Parece - embora seja dado a bravatas - que o golpista Manuel Zelaya, emulado pelos exércitos de Venezuela e Nicarágua [mais uma vez cuspindo sobre a soberania de seu país], tentará invadir o território hondurenho para, obedecendo a estratégia terrorista concebida por Hugo Chávez, insuflar um confronto que resulte [se com sucesso] num banho de sangue. (Tudo o que deseja a canalha bolivariana, para enfraquecer o Estado de Direito e a ordem constitucional; tudo sob a convivência dos EUA e do Brasil, para a minha mais lastimável vergonha).
O povo de Honduras, em consonância com a Constituição nacional, não quer Manuel Zelaya, contra quem [e contra o tirano Cháves] marcha aos milhares, todos os dias, em paz. E que assim seja, que assim resista, que assim triunfe: em paz.
Da natureza dos grandes, contudo, também é a luta.
(Ao longo desta sexta, caso algo de novo se dê a propósito, voltarei a escrever aqui).
Pós-escrito [13h41] - Honduras quer Zelaya vivo; mas, o que quer Chávez?
O ministro da Defesa de Honduras, Adolfo Sevilla, vem de declarar que, caso entre no país [e ainda que por um acesso legal, por um posto aduaneiro, como, registre-se, não se deve esperar de um vagabundo], Zelaya será imediatamente preso - para responder, em respeito à Constituição, ao processo [traidor da pátria] que lhe move a Justiça, “recebendo o tratamento digno dispensado a todo o cidadão hondurenho”.
Atenção: Sevilla disse que Honduras quer Manuel Zelaya vivo, e que o Estado de Direito lhe possibilitará todos os meios de defesa.
Em seguida, ainda a propósito, o ministro fez uma declaração que me parece decisiva, que torço por errada - mas que merece ser refletida:
“Para Hugo Chávez, Zelaya vale mais morto que vivo.”
Tribuneiros no Twitter [24 horas] - aqui.


Sexta-Feira, 24 de Julho de 2009, às 13:54
Andreazza,
Você pode dar o link desse artigo do Frei Betto?
Sexta-Feira, 24 de Julho de 2009, às 14:03
Mandei-te por e-mail, bom Pian; mas cuidado para não vomitar.
Sexta-Feira, 24 de Julho de 2009, às 14:35
Mas ele, ao meu ver, nem consegue (ou nem quis) botar a tônica do texto na questão da relação dos EUA com Honduras.
Está mais é justificando a elasticidade do Lula nessa composição com aqueles que o Frei chama de “velhos caciques políticos notoriamente corruptos, representantes de feudos eleitorais marcados pela mais extrema pobreza”.
Mas se bem que esses caciques existem. Ou não?
Mas o que eu achei bonito foi ele imaginando todos os cupinchas mamateiros do PT - esses sim, sindicalistas rampeiros, parasitas que cada vez mais ocupam cargos e enfraquecem instituições como BB, CEF, Petrobras, entre outras - desempregados com uma eventual derrota de Lula (Dilma ou seja lá quem for) em 2010. Saca só:
“Perder eleição significa o desemprego de milhares de correligionários que ocupam a máquina do Estado. Nesses
tempos de crise financeira não é fácil inserir órfãos do Estado na iniciativa privada.”
Coitadinhos dos mamateiros!
Sexta-Feira, 24 de Julho de 2009, às 14:37
Bom Pian, não discutirei este texto aqui. Acho medíocre, e dele pesquei apenas o que me interessou. Frei Betto, embora de uma ordem diversa, é mamateiro também.
Sexta-Feira, 24 de Julho de 2009, às 14:41
A teta estatal acaba sendo, muitas vezes, o destino de muitos cupinchas.
Sexta-Feira, 24 de Julho de 2009, às 15:20
“Comunico aos leitores que estarei de plantão, ao longo do final de semana, acompanhando o desenrolar da situação em Honduras.”
E eis que nesta “sexta-feira sem caráter” o jornalista Andreazza mais uma vez arrasa na cobertura sobre o “golpe” em Honduras.
Sexta-Feira, 24 de Julho de 2009, às 15:31
Obrigado, Olga. Acho mesmo que estamos fazendo um bom trabalho. Honduras terá [creio] um final de semana decisivo para a democracia - para a democracia da América Latina. Esperemos.