por Pim - Quinta-Feira, 23 de Julho de 2009, às 17:38
Ainda falarei mais a respeito [sim, meu modesto objetivo é - cá do Brasil, sem sair do meu sofá - levar Obama ao impeachment], mas, por ora, deixo aqui minha tradução apressada do conciso e brilhante artigo de Rich Hrebic, do American Thinker, sobre a reforma do sistema de saúde americano: em uma página, uma aula de Direito, Política, Economia e, sobretudo, liberdades individuais - estas que a ditadura obâmica, com todas as forças, tenta extinguir diariamente.
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Pós-escrito de 24 de julho: Como prometido, falei mais a respeito. Está no ar, na Coluna da Direita, a crônica Traduzindo Obama [ou: Usem filtro solar…]. Leia - aqui.
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A um passo de perder seu direito a assistência médica
Por Rich Hrebic
American Thinker - 22 de julho de 2009
[Tradução livre: Felipe Moura Brasil (Pim), http://www.tribuneiros.com]A pressão dos democratas [partidários de Obama] para reformar o sistema de saúde não está baseada na premissa de que a assistência médica é um direito? Isso [que a reforma vai assegurar o direito] é o que dizem os políticos, claro. Mas, na realidade, o resultado será exatamente o oposto.
Parte do problema é que a maioria dos americanos não entende o que é um direito. Um direito não é uma garantia de que o governo (ou seja, outras pessoas) vai lhe proporcionar algo de graça. Temos o direito de exercer a expressão religiosa, mas isso não significa que o governo paga a construção da igreja. Temos o direito de nos reunir pacificamente, mas o governo não promete fornecer seu meio de transporte. Você tem o direito de ter e portar armas, mas não espere que o governo lhe forneça uma arma de fogo e balas de graça. Você tem o direito à liberdade de expressão, mas o governo não vai lhe conceder horário gratuito de rádio ou TV.
O que torna algo um direito não é se o governo pode obrigar outra pessoa a pagar por isso. O que define algo como um direito é se o governo pode ou não pode proibir você de fazê-lo. (O presidente Obama notoriamente chamou isso de “liberdades negativas“.) Se o governo não pode impedir você de fazê-lo, então é um direito.
Temos um direito à expressão religiosa, porque o governo está proibido de suprimir essa expressão. Temos o direito à reunião, porque o governo tem que nos deixar fazer isso. Podemos falar livremente, porque o governo não pode nos censurar. O governo tampouco pode tomar as armas de fogo dos cidadãos que cumprem a lei.
O pacote de assistência médica da Câmara dos Deputados daria ao governo federal controle sobre a que tipo de cuidados de saúde você terá acesso. Alternativas privadas vão se tornar economicamente inviável, deixando o plano do governo como um verdadeiro monopólio.
Uma vez que os democratas estão prometendo assistência médica universal, a procura por assistência médica vai subir alucinadamente. Uma vez que eles também prometem controlar os custos, os médicos vão deixar o sistema e buscar linhas de trabalho mais rentáveis em algum outro meio. O resultado do aumento da procura e da diminuição da oferta significa uma coisa: racionamento.
A fim de distribuir recursos de saúde mais e mais escassos para um maior número de pacientes, o governo terá que determinar quem ele mesmo vai tratar e quem ele vai abandonar. Adotando qualquer regime de racionamento como este, o governo está assumindo implicitamente o poder de proibir as pessoas de receber assistência médica. Algumas terão de esperar e sofrer meses para serem tratadas. A outras, com base naquilo que o governo determina de acordo com custos e outros fatores, tais como quantos anos você tem, será negado o direito a certos procedimentos médicos. Esta proibição - temporária ou definitiva - é uma inquestionável infração sobre o direito individual aos cuidados de saúde.
Alguns poderão argumentar que os atuais planos de seguros privados também racionam o acesso aos cuidados de saúde. Mas isso nada mais é do que justificar um mau comportamento apontando outro mau comportamento. O sistema de saúde americano certamente precisa ser reformado. Esta não é a maneira de fazer isso.


Quinta-Feira, 23 de Julho de 2009, às 13:32
Pim,
Vou te responder por aqui, já que acredito que quem tenha real interesse na nossa discussão sobre reforma da saúde americana, venha a ler o texto da American Thinker, bem como os demais comentários subsequentes.
Antes de tudo, é válido relembrar que não foi em cima de um texto traduzido que eu comentei que não conseguia te ler até o fim.
E quanto a essa crítica ter sido “espontaneamente publicada cá no nosso site”, te parabenizo pelo jogo de palavras. Deste a entender aos demais que meu comentário fora devidamente publicado quando, na verdade, fora só trazido à tona - de maneira espontânea, óbvio - por ti em teu P.S..De verdade, meus parábens.
Mas vamos ao que (me) interessa.
Vou lhe dizer porque eu acredito que tu escorregas na tua crítica ao processo de reforma do sistema de saúde dos EUA.
Você afirma de maneira categórica que a reforma na saúde dará ao governo Obama o “controle total da vida de cada cidadão”.
Achei exagerado.
Me lembou muito aqueles conservadores dos anos 60 e 70, muitos de boa formação, esclarecidos e horrorizados com o (ainda desconhecido) comunismo, apregoando aos 4 ventos que “os comunistas vão tirar as pessoas de suas casas e/ou obrigá-los a dividir os cômodos com pessoas estranhas”.
Enfim, achei reducionista e precipitado da tua parte.
Reducionista porque diminui a (necessária) iniciativa de reforma do sistema de saúde estadunidense a uma tentativa de controle da população. E precipitado porque você e Rich Hrebic se adiantam aos fatos e já condenam todas as consequências da reforma.
Não estou subestimando a capacidade de projeção de cenários de pessoas inteligentes como você e ele (até porque esse aumento na procura por serviços de saúde é inevitável e preocupante), mas a universalização do sistema de saúde pode, sim, ser exitosa nos EUA.
Acontece que a minha linha de raciocínio para justificar minha crença na reforma americana realmente passa por uma maior participação do Estado, coisa que causa arrepios em pessoas como você. (E provavelmente no Rich também).
Não sou contra o mercado. Mas acredito que a “mão invisível” não foi capaz de conter certas distorções como essa da saúde ou mesmo com relação ao mercado imobiliário. Por isso julgo importante, nesse momento, um maior peso na intervenção do Governo.
E é lógico que esse meu raciocício se estende a outros pontos polêmicos como, por exemplo, reforma agrária.
Não vou me alongar mais. Se for do seu interesse (e é lógico que não será), podemos continuar a debater por aqui. Tenho certeza que serás capaz de demonstrar inconsistências na minha agumentação e, certamente, me brindará com boas referências para sustentar a tua.
E nem precisa fazer nominalmente. Já desencanei com a deselegância de ser chamado de “um leitor”.
Abraços.
R.Pian