por João Paulo Duarte - Terca-Feira, 21 de Julho de 2009, às 12:40
[carta]
Anote que o sucesso é melhor quando sozinho; quando se destrói a si, reergue-se sem apoio e conquista sem companheiros. O pouco que tenho ao redor, tenho sozinho. Quero-me sem clemência. Sempre que você se comparar a mim, vai se lembrar do que ainda te mantém de pé [o outro, que te prefere] e que, em verdade, você é mais fraco que eu – sempre – mesmo na minha mais veemente derrota. Então, desista agora de comparações, já é tarde.
Arme-se da sua zombaria infantil, sua covardia está estampada. Proteja-se em quem, cego, acredita em você, eu vejo que te amiúda. Você escolheu – por medo – ser menos e por algum tempo vai carregar o fardo de ser fraco. Esconda-se no teu ignóbil simulacro. Tornaram-se insuportáveis suas mentiras pra si mesmo [que nunca esconderam a tua ignorância]. Não diga que não se importa, você simplesmente não sabe como ser diferente. Sua tentativa de esconder teu coração puro é que armou tua derrota.
Aprendi com o teu exemplo que quem simula para receber apoio se enfraquece.
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Tenho amigos da estirpe que mereço, na exata quantidade que mereço.
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[Mais anotações da UTI]
Nunca vou poder me acostumar com um dreno no peito. Mesmo que agora o que me domine seja o enjôo pelas seguidas doses de morfina, não esqueço do tubo que novamente foi cravado entre minhas costelas.
Desta vez, chorei quando fiquei sozinho, logo após receber o diagnóstico que a moléstia se repetia no meu pulmão direito. E foi só. Não suporto o papel de vítima e imediatamente vislumbrei que sairei desta cama para um [o maior] salto. Antevejo que estou prestes a vencer.
[Antes da cirurgia, prescrevi meu funeral.]
[…] A primeira pessoa que vi quando acordei foi meu pai. Desde a infância, quando o olho, me conforto. Lembrei-me que quando me aplicaram a primeira dose de sedativo – antes da cirurgia – ele também estava do meu lado, com a mão direita sobre meu ombro esquerdo. Acalmou-me mais que a droga. Tive que segurar na calma dele (nasci sem defesas do pulmão e sem calma). Sou ímpeto, ele é todo o resto. […]
Esbravejei com um dos pulmões 60% colapsado, enquanto me arrastavam em uma cadeira de rodas. A desumanidade dos empresários da saúde só se altera com o medo. Apesar da fortuna que minha família gasta há 33 anos com o plano de saúde, quase que fico sem local para me internar e fazer a cirurgia. Tudo mudou quando souberam que sou jornalista. É lamentável, mas neste momento, por este motivo, meu diploma valeu bem mais do que o diploma de um médico, ou de um engenheiro, ou de um advogado.
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[Anotações Vespertinas em quatro partes (…) Anotações Vespertinas – parte III mais as (novas) Anotações da UTI. (agosto ou setembro?) Os outros trechos das anotações ficam pra quarta parte]
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[…]
“Tenho um amor tão grande que não cabe em mim. Mudei muito. Algumas destas mudanças me fizeram bem e outras nem tanto (…) e hoje gostaria de não me importar. Uma aliança não significa nada. (…) Não quero brigas. Não quero ofensas. Não quero chorar. Não quero dormir sozinha e magoada. (…) Não quero que o nosso amor acabe. (…) Estou indo para São Paulo – sozinha ou não – e se você quiser ficar não significa, de maneira alguma, que acabou. Acho que precisamos pensar no que estamos fazendo das nossas vidas e se esse amor insano não vai nos fazer sofrer.”
“Amo você,”
[…]
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Minha literatura é o público da minha vida. E, muitas vezes, as coisas são muito melhores quando públicas.
Só acredito no presente. Passado e futuro – criadores de expectativas – não me interessam de verdade. O que me aproxima de ontem e me faz pensar em amanhã é o que escrevo [isto se resolver ler depois o que escrevi]. [Depois?].


Terca-Feira, 21 de Julho de 2009, às 13:47
Pesado.
Terca-Feira, 21 de Julho de 2009, às 17:00
Magnífico!