por C.A. - Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 17:37
Tão-logo encerrado o carnaval [de 2009], roubado descaradamente o Império Serrano [pelos bandidos-bicheiros da Liesa], recebemos o prefeito Eduardo Paes na quadra da escola, em Madureira [foto ao lado], e lhe fizemos uma longa - e séria - exposição sobre a situação das escolas de samba que não integram o star system da contravenção. (A situação - em uma linha: o limbo e, quando na dúvida o bandido, sem dúvida: bode-expiatório).
Na ocasião, informamos ao prefeito Paes [aliás, muito à vontade ao lado de um tipo como Chiquinho da Mangueira, seu secretário] que, rebaixado ao grupo de acesso - resultado que não nos conformava, e contra o qual botávamos já a boca no mundo -, o Império Serrano seria alvo de poderosa retaliação [ora já em violento curso] dos bicheiros vingativos [os canalhas!], e que assim, não fosse protegido [de forma transparente, nada além] pelo poder público, amargaria, apresentasse o melhor desfile de sua rica história, dez anos de segunda divisão. (No barato)…
Em nome das escolas de samba que não são conduzidas pelo poder absoluto dos banqueiros do bicho, em nome sobretudo da lisura do processo, em nome da clareza que deve sempre importar aos homens públicos de verdade, fizemos uma solicitação simples e honesta - em respeito à transparência de uma festa popular de resto organizada com dinheiro do município [quase R$ 40 milhões]: que a prefeitura assumisse o controle do julgamento, apenas isso, tirando da Liesa a escolha dos julgadores e o “treinamento” deles, com o quê, eu me lembro, nos seguintes termos concordou [imediata e energicamente] o prefeito: “Estou seguro de que o grande problema está mesmo no julgamento, no que vamos atuar”, e assim falou, olhando com firmeza para a secretária de Cultura Jandira Feghali.
E para quê? - eu me pergunto. Tudo falso… Tudo mentira.
O prefeito, como declarou hoje, considera as escolas de samba, patrimônio cultural do Rio de Janeiro, algo irrelevante, eis a verdade, algo menor; e se saiu, a propósito, com a seguinte grosseria cínica, típica do mestre Lula em dia de deboche à inteligência alheia: se a prefeitura se envolve agora com a escolha de jurado de carnaval [como se a municipalidade não investisse um real na coisa], daqui a pouco estará decidindo a escalação de árbitro de futebol nos jogos da cidade… Isto, que ele concebeu como piada [hahahahahaha!], é uma vergonha. (Omissão torpe; desprezo profundo à incontornável matriz cultural desta cidade - que é o carnaval das escolas de samba, que é, particular e destacadamente, o Império Serrano).
Eduardo Paes, anunciando hoje que vai licitar o vendedor de cachorro-quente no Sambódromo […], não só manterá sob o obscuro da Liesa toda a organização [artística…] do carnaval, como, negando a palavra que nos deu, deixará com ela - com esta liga da marginalidade - a seleção escusa, o preparo “doutrinário” e toda a coordenação [de sombras] do julgamento, isto que, lhes garanto, aos poucos matará as escolas de samba.
E teremos então dois responsáveis, dois notáveis gestores do caminho mais fácil - ambos no mesmo patamar [baixo…]: Czar Maia e Eduardo Paes, este a quem, até o carnaval, não nos cansaremos de lembrar a barbárie anti-carioca que [claro está] vai chancelar.
A Liesa é inimiga das mais bonitas tradições cariocas, que quer destruir; e quem fecha com ela cospe no Rio de Janeiro.
Não passarão!
Pós-escrito [21h41] - ainda a respeito, um adendo, porque é preciso separar bem as coisas:
Não quero que a prefeitura se meta com a Beija-Flor e com o bandido que lhe dá dinheiro. Isto, bem entendido, é problema da polícia - questão de segurança pública. (O mesmo serve para qualquer escola, querida ou não, que seja controlada por um grupo contraventor; pontualmente, não me interessa, em que pese o meu desprezo pela ilegalidade).
O meu ponto-desejo é simples - e creio que a ampla transparência do processo, no que concerne à autoridade pública, começaria a existir aí, impondo-se, sem acomodação, como responsável que é: que o julgamento das escolas, de todas as escolas, não seja controlado por um colegiado de bandidos de resto ligados a algumas agremiações [em detrimento de outras]; porque desse jeito, já de partida, o resultado é duvidoso e permite que um louco como eu grite, ainda que errado [acredite, não é o caso], que o obscuro concurso organizado pela Liesa é uma farsa em que já se conhece a ordem de classificação, estabelecida por motivos políticos e [digamos] financeiros, um ano antes dos desfiles; e que a colocação das escolas no carnaval, umas melhores que as outras, nada tem a ver com samba e com aquela penca de quesitos, e que também faz parte da distribuição de bônus [de lucros, como numa empresa] aos bicheiros pelos excelentes, bons, razoáveis ou ruins resultados aferidos, nas bancas do estado, ao longo do ano anterior, cabendo àquelas agremiações que não formam fileiras ao crime, que não jogam no time, sempre os últimos lugares.
E é então que pergunto…
Diante da maneira subterrânea como se organiza o carnaval hoje, diante do que indicam os resultados [os campeões recorrentes, os rebaixados compulsórios], alguém pode dizer - com segurança - que o que venho de escrever, esta trama da teoria da conspiração, é um absurdo?
Não pode.
Não pode, senhor prefeito.
E é a isto, à transparência de uma festa popular patrocinada pelo município [que por ela é o responsável e dela, o fiscal primeiro], que um grande homem público [será peso demais para o senhor?] deveria atentar.
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Ao leitor que me pergunta - não sei se satisfeito… - pelo incansável de meu trabalho tribuneiro hoje [são 300 posts, segundo o sujeito], respondo honestamente: meu caro, preciso me ocupar, ler todos os jornais [inclusive os da Venezuela], lançar mil notas no twitter [aqui] e escrever dois mil textos [inclusive os impublicáveis]; e só Honduras [a minha pátria querida!] já não dá mais conta. (Eu faço assim: penso - para não pensar). (Entendeu)? (Ou quer que eu desenhe)?
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Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 17:51
Não é que seja uma defesa leviana ao meu chefe, mas a sua fina escrita faz parecer tarefa fácil tirar a Liesa da jogada.
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 18:35
Não me parece que o prefeito tenha sido eleito para gerir facilidades. Como diz o ditado, chulo e preciso, quem não tem c* não faz contrato com p@$*!
E quem dera não passassem, mas, infelizmente, passam…
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 18:47
Falta é coragem, Andreazza. Coragem.
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 18:49
ANdreazza, acho que podíamos publicar um artigo em O Globo. Usar como gancho a promessa não cumprida.
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 18:52
Podíamos sim, Marcelo. Como procedemos?
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 18:54
Deixa comigo que vou acionar o responsável pela página.
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 18:55
Ok. Me diz, que fazemos o texto final juntos.
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 18:56
É isso aí, Olga: foste precisa. (Como sempre).
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 18:57
Bom Pian, a prefeitura do Rio não é para acomodados. Você sabe disso.
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 19:14
Olga,
Com certeza o Paes não foi eleito para gerir facilidades. Muito pelo contrário até.
E não estou aqui, neste momento, para defendê-lo da reclamação do Andreazza.
Também acho que o julgamento poderia estar longe da Liesa, ainda mais, como bem disse o imperiano de fé, é uma festa feita com dinheiro municipal.
Mas não sei se o que vou falar agora é besteira. Peço até que os leitores deste blogue (Professor Simas, Moutinho e tantos outros), muito mais conhecedores de carnaval do que esta pobre alma que só hoje veio a conhecer Roberto Ribeiro, comentem e me corrijam, caso esteja eu falando bobagens.
Quando digo ser tarefa difícil afastar a Liesa e seus players da jogada, penso nos recursos que as comunidades (na minha rasteiríssima opinião, as estrelas principais desta grande festa) deixariam de receber para realizarem seus carnavais.
Dinheiro sujo? Lavagem? Creio, logicamente, que sim.
Mas fico me perguntando se a comunidade de Nilópolis, por exemplo, não seria (a grande) prejudicada caso seu padrinho perdesse o interesse em “investir” no carnaval.
E isso vale para a todas as outras escolas bem apadrinhadas.
Quem supriria essa falta? O poder público? Não sei, juro que não sei. De coração, não sei mesmo.
Reduziríamos o esplendor do atual carnaval carioca e faríamos uma festa, digamos, mais humilde, a combinar com um orçamento mais enxuto?
Mais uma vez, não sei.
Terreno caudaloso este do carnaval do Rio.
Temos 4 anos de governo pela frente na Prefeitura. Não sei se mudanças chegam em 2010. Mas pode ser que discussões como esta aqui nos ajudem - seja pressionando, seja criticando - a chegarmos a uma solução mais adequada para esta que é a maior festa do Brasil.
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 19:20
Sou totalmente a favor da idéia do artigo.
Todos sabem que sou cupincha confesso do prefeito, mas nem por isso devo ser contra quem quer (pode, deve e tem como) melhorar o que é nosso.
Tenho certeza que o talento de vocês resultará numa boa crítica.
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 20:35
Pian, lembre-se dos ultimos desfiles que realmente empolgaram. Mencionaremos o “Aquarela Brasileira” de 2004 (feito, alias, com uma pobreza franciscana), lembraremos de outros dois ou tres, nenhum deles, decerto, por conta do dinheiro sujo de ‘”"”"patronos”"”" (muitas aspas mesmo). A questão é exatamente esta: ha uma falácia, um sofisma bem ‘patrocinado’, que quer convencer de que esses rios de dinheiro (sujo, reitero) são o elemento fundamental, e que sem ele não há carnaval. Houve antes. E poderá continuar havendo, inclusive com a renda que o próprio desfile arregimenta (e cuja administração, vale reiterar tbm é escusa).
Ainda que se justificasse esse argumento, caro Pian, não poderíamos (ou, ao menos, nao deveríamos) justificar ilegalidades, bandidagem, usando como base a relação comunidade/patrono. O Estado é quem deve assistir à comunidade, e a imperdoável omissão só repete uma velha música, que em algum momento achei que fosse cessar no atual governo.
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 21:19
Não quero, bom Pian, meter-me com a Beija-Flor e com o bandido que lhe dá dinheiro. Isto, bem entendido, é problema da polícia - questão de segurança pública. (O mesmo serve para qualquer escola, querida ou não, que seja controlada por um grupo contraventor).
O meu ponto-desejo é simples - e acho a transparência do processo começa a existir aí: que o julgamento das escolas, de todas as escolas, não seja controlado por um colegiado de bandidos de resto ligados a algumas agremiações; porque desse jeito, já de partida, o resultado é duvidoso e permite que um louco como eu grite, ainda que errado [acredite, não é o caso], que o obscuro concurso organizado pela Liesa é uma farsa em que já se conhece a ordem de classificação, estabelecida por motivos políticos e [digamos] financeiros, um ano antes dos desfiles; e que a colocação das escolas no carnaval, umas melhores que as outras, também faz parte da distribuição de bonus [de lucros, como numa empresa] aos bicheiros pelos excelentes, bons, razoáveis ou ruins resultados aferidos ao longo do ano anterior.
É isso. É a isso que a prefeitura, vergonhosamente, fecha os olhos.
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 23:36
Imperianos e amantes do carnaval.
A mesma sujeira e as moscas também.E as promessas??Só promessas.
Lembrando que ele também prometeu reformas na Corte Imperial.
Viva o Império Serrano!!!
Um grande abraço
Chicão
Grupo Imperion@utas
NADA O IMPÉRIO, TUDO PELO IMPÉRIO!!!!
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 08:52
Carlos
Nesta semana trabalhosa , indo ,praticamente todo dia ao Império ,suas palavras me confortam e estimulam
Ainda sábado ouvi da minha mulher que não adiantava brigar com esta turma,pois ainda seríamos retaliados.Quase parei o carro ,pois nada me indigna mais do que ,ainda ter que bajular quem nos sacaneia.Farsantes,promíscuos pedintes de gorgetas,embutidas em doações, em troca de mutretas pré estabelecidas.
Desconhecem o que seja empenhar palavra,desprezam o conceito de honra.
Não podemos nos calar.Osorteio vergonhoso ,com globo vazado e ordem do Império ,já deu uma mostra do que vem por aí.
Fudamental é demonstrar a leviandade de promessas públicas ,rápidamente esquecidas…
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 12:11
Grande Chicão, imperiano de fé, em breve escreverei sobre as promessas do prefeito em ajudar o Império na reforma da quadra.
Forte abraço!
Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009, às 12:13
Carlos Alberto, na condição de grandíssimo imperiano, você sabe muito bem que vamos pra cima deles, vamos pra cima da canalha, e lhes vamos dar trabalho demais.
Na avenida, meu caro, será ruim de nos derrubar.
Forte abraço imperiano!