por C.A. - Sexta-Feira, 10 de Julho de 2009, às 08:39
O Globo dá conta hoje [aqui] de novas medidas da PUC-RJ contra o consumo de maconha em seu campus.
A universidade, informa a vice-reitoria comunitária, irá mapear os usuários, notificá-los em caso de serem seus alunos [os alunos da PUC, mimados, podem tudo], e encaminhá-los - talvez… - à polícia, quando alienígenas ao corpo discente.
Trata-se de uma resposta, cafajeste, ao inegável de que a instituição sempre foi [é] complacente com o movimento que fez da vila dos diretórios - as míticas “casinhas” - um beco excludente, uma absurda zona de sombra restrita aos que usam drogas.
E por quê, ainda que tardia, considero a resposta, que afinal veio, cafajeste - por quê?
Porque a questão das drogas na PUC extrapola o simples consumo; vai além daqueles vagabundos que se fumam o dia inteiro; transborda o fato de que um espaço público e acadêmico se transformou num fosso privado e marginal.
É muito mais grave. (E é, sim, um problema de segurança pública; um caso de polícia).
Na PUC - e isto é até do conhecimento vegetal - vende-se drogas. Há tráfico e traficantes. É um negócio. E sei bem do que falo. Estudei lá. Participei - ativamente [entre 1999 e 2002] - do movimento estudantil, no DCE [Diretório Central dos Estudantes] e no Centro Acadêmico de Comunicação; e foi neste último, por ocasião de uma reforma que empreendemos na casinha [demolindo “puxadinhos”, derrubando as paredes que faziam de seu interior um labirindo de esconderijos, e abrindo o imenso janelão que oferecia à vila a vista do que era, até então, um gueto da maconha], que ouvi a ameaça de que jamais esqueci: “Fica ligado, cara; não te mete com isso, não, que tu vai bailar na curva”.
Não bailei, por certo; e tampouco bailou ele, o traficante, que continua lá, e que lá [esteja certo, leitor] continuará.
Não é, como se vende, que a PUC seja incapaz de resolver o problema. Ela não o quer resolver.


Sexta-Feira, 10 de Julho de 2009, às 11:03
Uma guerra contra os maconheiros que passam o dia inteiro fumando seus créditos geraria um desconforto que, confesso, não sei se valeria a pena para a PUC.
Ao contrário de você, Andreazza, não participei de nenhum tipo de movimento estudantil dentro da Pontifícia.
Fazia parte, contudo, do seleto grupo da Empresa Junior, jovens liberais e metidos a empresários que desfilavam suas camisas e calças sociais na passarela do pilotis, discutindo seus brainstorms e seus insights acerca das tendências do management.
Acompanhava, de longe, as peripécias dos meus engajados colegas no DCE.
Posso estar sendo injusto, mas acho que os engajados da minha época (2002-2007) eram um pouco diferentes da sua, imperiano.
A maior preocupação desse pessoal era protestar contra choppadas embargadas, trotes proibidos e festas limitadas pela reitoria.
Eu imagino a merda que ia dar se a PUC resolve apertar o cerco nas casinhas.
Já estou vendo os estudantes(?) de Psicologia, Comunicação, Desenho Industrial (e todos aqueles cursos que refletem o estelionato intelectual da graduação carioca), com seus livros de Foucault na mão, bradando pela liberdade e reclamando da opressão BIG BROTHER da vice-reitoria.
Eu faço uma opção pela hipocrisia católica:
Deixa como está.
Sexta-Feira, 10 de Julho de 2009, às 14:31
Outro grande filho desta Empresa Júnior é Victor Gomide, um verdadeiro rei do “brainstorm”.
Sexta-Feira, 10 de Julho de 2009, às 14:44
Enquanto isso, Jota, enquanto o bom Pian e o inacreditável Gomide faziam “brainstorms” entre as moças do Pilotis, eu lutava, nos porões da Pontifícia [e ao lado de guerrilheiras do forró], pela democracia universitária [pelo direito à chopada!] e contra o golpe estudantil que os maconheiros do PCdoB tentavam aplicar à PUC…
Devo pedir uma Bolsa-Ditadura?
Sexta-Feira, 10 de Julho de 2009, às 15:26
Andreazza, já consultei meus advogados. Seu caso se encaixa perfeitamenta na Bolsa-Reitoria. Você deve ainda processar aquele monte de bicho-grilo. [Mas já te adianto que aquele povo hoje mudou. Ninguém mais se veste como hippie nem levanta bandeira dos sem-terra. Estão empregados nas empresas, escritórios e agências dos pais.]
Sexta-Feira, 10 de Julho de 2009, às 17:46
[Mas já te adianto que aquele povo hoje mudou. Ninguém mais se veste como hippie nem levanta bandeira dos sem-terra. Estão empregados nas empresas, escritórios e agências dos pais.]
(…)
Muito bom, Reizinho!
Sexta-Feira, 10 de Julho de 2009, às 18:19
Se padre pode encher a cara de vinho antes de encontrar Jesus, porque o pobre do estudante não pode se entubar de erva antes de encontrar o mestre?