por Pim - Sexta-Feira, 10 de Julho de 2009, às 15:39

Traduzo abaixo um artigo de Karl Rove, do Wall Street Journal, sobre - como direi? - a destruição da economia americana pelo Governo Obama. Eu ia dizer que nós Tribuneiros, insones em busca da verdade, já fizemos e faremos sempre que possível traduções [mesmo que apressadas, sonâmbulas e imprecisas] capazes de trazer à Casa o que de fato se passa no mundo, por trás da massa de desinformação da nossa imprensa - e das outras também -, mui ocupada(s) com os vestidos e tênis da Sra. Obama, o cocô do cachorrinho da família, a unha do pé esquerdo do presidente e se ele é para casar ou não.
Eu ia dizer isso, como se assim – unicamente movido pelo nobre ideal de disseminar verdades – eu tivesse me predisposto a tamanho trabalho [não remunerado] madrugada adentro. Mas, como o C.A. falou que dor de amor dá ibope, é quase mais honesto colocar esta tradução na conta de uma árdua e interminável insônia. Como disse o radialista Rush Limbaugh - que sozinho tem mais ouvintes do que o New York Times inteiro (a teta esquerda da imprensa mundial) tem de leitor: “As duas palavras mais insignificantes do século 21 são ‘Obama disse’. Elas não significam nada. Tudo que seguir a ‘Obama disse’ é irrelevante”. Admito, pois: Obama disse que eu só traduzi este texto econômico para fugir da saudade.
Não se pode confiar em Obama com números
Então por que devemos confiar nele com assistência médica?
Por Karl Rove - 9 de julho de 2009
[Tradução livre: Felipe Moura Brasil (Pim), http://www.tribuneiros.com]Em fevereiro, o presidente Barack Obama assinou um pacote de estímulo de US$ 787 bilhões, fazendo promessas generosas sobre os resultados. Ele prometeu que “uma nova onda de inovação, atividade e construção será desencadeada em toda a América”. Ele também disse que o estímulo iria “salvar ou criar até quatro milhões de empregos”. O vice-presidente Joe Biden disse que o plano de enormes gastos federais iria “drop-kick” [no futebol, chutar de bate-pronto] a economia para fora [longe] da recessão.
Mas a taxa de desemprego hoje é de 9,5% - quase 20% superior ao que o Governo Obama disse que ela seria com o estímulo em vigor. Keith Hennessey, que trabalhou na política econômica do Governo Bush, constatou que o desemprego está maior agora do que a administração disse que estaria se nada fosse feito para reanimar a economia. Há 2,6 milhões menos americanos empregados do que o Sr. Obama prometeu.
A economia dá voltas inesperadas em todo presidente. Mas o que é notável sobre este presidente é o quão rápido ele se afasta de suas promessas. Ele apressou a aprovação do estímulo pelo Congresso dizendo que não podíamos nos dar ao luxo de esperar. Agora sua administração está esperando para gastar o dinheiro. Dos US$ 279 bilhões alocados para agências federais, apenas US$ 56 bilhões foram pagos.
O Sr. Biden admitiu que a administração “interpretou mal” a economia. Mas ele explicou isso no programa “This Week with George Stephanopoulos” da [TV] ABC, no domingo, dizendo que a administração tinha utilizado “os dados consensuais e a maioria dos indicadores blue chip” para elaborar o seu plano de estímulo. Isso não é verdade.
O consenso Blue Chip é uma média de cerca de quatro dúzias de previsões econômicas. Em janeiro, o consenso estimou que o PIB para 2009 encolheria 1,6% e que o desemprego subiria até 8,3%. A equipe de Obama assumiu tanto um maior crescimento do PIB (ela contava com uma contração de 1,2%) quanto um menor pico de desemprego (8,1%) do que o consenso.
Em vez de confiar no consenso Blue Chip, o Sr. Obama terceirizou [a tarefa] escrevendo o estímulo aos apropriadores da Câmara, que o rechearam com todas as idéias ruins de gastos que, antes, eles não podiam passar pelo Congresso. Poucas delas pretenderam reanimar rapidamente a economia. Será gasto mais dinheiro do estímulo nos anos fiscais de 2011 até 2019 do que será gasto neste ano fiscal, que termina em setembro.
No domingo, o Sr. Biden, recuando do seu comentário sobre o “drop-kick” [da economia], disse que “ninguém antecipou, ninguém esperava que o pacote de recuperação estaria de fato numa posição de ter de distribuir a maior parte do dinheiro”.
Isto se enquadra num padrão. A administração promete consistentemente resultados irrealistas dos quais mais tarde se distancia. Ela [só] escapou com essa porque a mídia não fez as devidas perguntas. Isso não pode perdurar à medida que o debate muda para assistência médica.
A administração Obama quer que a assistência médica seja apropriada pelo governo. Para obtê-la, está prometendo arrancar enormes contenções de despesas da indústria de saúde. E esta já começou a fazer suas promessas de contenções.
Por exemplo, a administração armou fortemente os provedores de assistência médica para prometer US$ 2 trilhões em contenções de despesas. Fez empresas farmacêuticas prometerem baixar os preços dos medicamentos para idosos em US$ 80 bilhões em 10 anos. A administração também fez os executivos de hospital repetirem [a velha conversa de] que eles iriam voluntariamente poupar ao governo US$ 150 bilhões em 10 anos.
Nada disto chega perto de ser verdade. Sobre os US$ 2 trilhões prometidos, todos admitem que o número não é construído em cima de coisa alguma específica – é apenas um objetivo almejado. Sobre o preço dos medicamentos, um porta-voz da Casa Branca admitiu que “Essas contenções não foram identificadas até o presente momento”. É especulativo se esses cortes serão realmente feitos, quando eles começariam, ou se eles reduziriam as despesas de saúde do governo.
Nada disso vai impedir a administração de continuar alegando que essas “contenções” vão pagar pelos planos de US$ 1,5 trilhão de Obama para a assistência médica. No momento em que o preço real emergir, será demasiado tarde para fazer muito mais do que aumentar os impostos e restringir as despesas em prioridades urgentes, como por exemplo os militares.
O pacote de estímulo é um exemplo claro de como o Sr. Obama opera. Ele está tentando empregar as mesmas táticas de bait-and-switch [“iscar e trocar”, método de instigar os peixes para depois fisgá-los com outra isca] quando se trata de assistência médica, só que [neste caso] em uma escala muito maior.
O Sr. Obama já criou um rio de tinta vermelha. Seus planos de assistência médica só vão forçar este rio para cima das barrancas. Nós estamos na cúspide de um debate político crucial, e as palavras do Sr. Obama em questões fiscais não são confiáveis. Suas prometidas contenções de despesa são uma miragem. Suas propostas para reformular a economia são alarmantes. E sua relutância em ser franco com os números revela que ele sabe que seus planos aterrorizariam muitos americanos.
Pós-escrito [16h21] - C.A. pede licença para uma rápida avaliação da virada de quinta para sexta-feira em Honduras:
Veja como reage [segundo informa a rádio oficial venezuelana Unión; sim, nós ouvimos até o diabo…] um canalha – Hugo Chàvez – ao diálogo que o governo constitucional e democrático de Honduras, por meio do presidente provisório Roberto Micheletti, abriu, bem mais do que com o golpista Manuel Zelaya, com o mundo:
“Considero que foi um erro crasso levar-se a cabo esta proposta de diálogo na Costa Rica”.
Claro: Hugo Chàvez, tirano demolidor de instituições democráticas, tem – com razão – pavor absoluto da verdade; e sabe que o fracasso de seu assalto bolivariano em Honduras, já inevitável, tanto mais rápido se consolidará quanto antes o mundo se der conta dos fatos. (A Chàvez, que coordena a patética marionete que é Zelaya, somente a volta deste à Presidência e o conseqüente achaque à Constituição hondurenha, que lhe permita reeleger-se, significariam sucesso - e como, de qualquer outra forma, sairá derrotado, não me surpreenderei, nos próximos dias, com uma ação militar venezuelana em Honduras).
Até as topeiras de Obama – a senhora Clinton em destaque – parecem ter caído na real; e o apoio, tímido ainda, que os EUA deram às tratativas na Costa Rica indica afinal que Washington começa a reconhecer a legalidade do governo constitucional de Honduras.
Roberto Micheletti foi direto – e a verdade, a democracia representativa plena, fica evidente aos que o escutam por cinco minutos: o Estado de Direito está mantido, os Três Poderes funcionam com independência e equilíbrio, os militares estão nos quartéis e seguem mantidas as eleições presidenciais e parlamentares de 29 de novembro. Se o ex-presidente, o golpista Manuel Zelaya, deposto automaticamente pela Constituição que vilipendiou, pisar em Honduras, será imediatamente submetido – de acordo com a Carta Magna do país e, portanto, com todas as prerrogativas de defesa – ao processo jurídico destinado aos traidores da pátria.
(Não tive nem terei tempo de o traduzir agora, mas sugiro a leitura, em inglês, deste esplêndido artigo de Miguel A. Estrada - O não-golpe de Honduras - publicado pelo Los Angeles Times: aqui).


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