por C.A. - Quarta-Feira, 8 de Julho de 2009, às 13:00

O golpe hondurenho inventado por Hugo Chàvez e divulgado pela CNN [o golpe que teria, do nada!, derrubado um presidente…] vai aos poucos desmascarado pelos fatos, e o verdadeiro golpista, Manuel Zelaya, aquele que se pretendia presidente eterno, depois de [felizmente] fracassar duas vezes - no assalto que implantaria um regime chavista no país e, mais recentemente, no intento de provocar, com aquele sobrevôo patético e irresponsável, uma resposta violenta dos militares, que desaguasse num banho de sangue - agora parece não ter alternativa senão resignar-se à democracia e ao diálogo, isto que, como bom autoritário, despreza.
Mas: não tem jeito.
As máscaras, cedo ou tarde, caem… Acusado pela canalha mundial de golpista, o governo provisório, democrático e constitucional de Honduras, o mesmo que reagiu em defesa do Estado de Direito e da democracia representativa, deseja o diálogo - quer ser, afinal, ouvido - e aceita que Óscar Arias, presidente da Costa Rica [uma sólida democracia] medeie um encontro entre Roberto Micheletti, presidente interino, e o golpista bolivariano Manuel Zelaya, presidente deposto por ignorar a Constituição sob a qual fora eleito.
E eu pergunto: que golpe é este? Que golpe é este em que não só se defende e preserva a ordem constitucional como se mantêm abertos e fluentes os canais institucionais de diálogo diplomático com o mundo? (Que golpe militar é este que não tem militares no comando)? (Que golpe é este que se dá sob o equilíbrio dos três Poderes da República, que obedece a palavra do Judiciário, que não fecha o Congresso, que não esmaga os partidos da oposição - e que, pasmem!, é por eles apoiado)? Que golpe é este que sustenta o calendário eleitoral previamente estabelecido - e que ainda o aceita antecipar, se melhor para o país?
Nem a criatividade da CNN é capaz de segurar-derrubar-mascarar essas evidências… Da democracia plena!
Honduras, em consonância com sua Carta Magna e no âmbito da democracia representativa, aceita tudo quanto lhe permita assegurar - sem as absurdas sanções internacionais - a estabilidade de sua ordem constitucional, conquistada, a duras penas, depois de quase três décadas de ditadura; e, pelos mesmos motivos, só não admite uma coisa: a volta do golpista Manuel Zelaya, com suas ganas de monarca, ao poder.
Pós-escrito [14h53] - mais uma vez recorro ao texto lúcido e valente da professora hondurenha Margarita Montes [doutora em Relações Internacionais] e publico [em tradução livre minha] um longo trecho do artigo Errores de calculo, extraído de seu blogue La Honduras posible:
“[…] A conclusão de que Honduras seria a primeira pedra em que tropeçaria o “Socialismo do século XXI” de Hugo Chàvez pude tirar durante a marcha pela paz e pela democracia realizada em San Pedro de Sula em 23 de junho, cinco dias antes da deposição de José Manuel Zelaya Rosales.
Nesta ocasião, marchamos contra os planos do então presidente Zelaya Rosales de convocar uma Assembléia Nacional Constituinte, e éramos aproximadamente 80 mil pessoas, de todos os setores da sociedade, qual seja, de diversas classes sociais, religiões e idades. O outro elemento que me convenceu da força do movimento foi sua convicção de estar atuando em defesa dos princípios democráticos, em contraposição à tese de Zelaya Rosales de que todos os seus detratores eram ligados à oligarquia e aos poderes burgueses e elitistas, de acordo com sua própria terminologia.
Esses dois fatores, o volume e a diversidade do movimento contra Zelaya Rosales, e sua fundamentação em princípios e valores democráticos, seguem vigentes e inalterados até agora.
Porém, ambos os fenômenos continuam sendo subestimados e até negados fora e mesmo dentro de Honduras. É verdade que ambos os fatores não puderam ser observados, em toda a sua dimensão, no plano internacional, dado que a opinião pública é informada principalmente através da CNN e da Telesur, as quais têm dedicado mais tempo a apresentar as manifestações a favor do retorno de José Manuel Zelaya Rosales. Estas indubitavelmente existem também, sendo a mais numerosa até o momento a que se deu no aeroporto de Tegucigalpa no domingo passado, mas não alcançam a magnitude das manifestações, monumentais e diárias, contra Zelaya Rosales, que são organizadas nas maiores cidades do país, tanto antes quanto depois de sua saída de Honduras.
A questão é que, nesta era midiática, chegamos ao ponto de crer que, se algo não se vê ou não se publica na CNN, basicamente não existe. Por isso, todos aqueles que estão fora de Honduras estão assumindo que a maioria do povo apoia Zelaya Rosales. Os que estamos em Honduras, tanto a favor como contra ele, sabemos, com base na simples observação, que isso é absolutamente falso. Paradoxalmente, a enganosa premissa de que a maioria está a favor de Zelaya Rosales é uma arma importante nas mãos daqueles que lhe estão contrários. E é a falsa impressão baseada nas imagens transmitidas por CNN e Telesur que conduz Zelaya, Chávez e seus aliados a cometer erros de cálculo em suas pretensões de restituir o primeiro à presidência de Honduras. Estrategicamente, subestimar o adversário, seja nos esportes, nos negócios ou na política, é um dos maiores equívocos em que se pode incorrer.
Outro ponto muito importante de estar a maioria contra o presidente deposto é que esta força popular limita enormemente o espaço de manobra para qualquer negociação que possibilite o regresso de Zelaya Rosales ao poder. A comunidade internacional, que unanimemente reclama sua restituição à Presidência, assume erroneamente que em Honduras seja possível retomar o status quo ante, a dizer, que se possa retornar ao estado das coisas como estavam antes da saída de Zelaya Rosales. Seria uma torpeza da comunidade internacional considerar que a calma e anormalidade regressarão com Zelaya Rosales de volta à Presidência.
A iniciativa, anunciada por Hillary Clinton, de promover um diálogo sob a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias Sánchez, reconhece precisamente esta realidade, e busca algum tipo de solução que permita este fim. De resto, a pouco conhecida, mas enorme oposição do povo hondurenho ao regresso Zelaya Rosales, ata as mãos do atual governo para negociar algum tipo de condição que eventualmente permita a restituição dele.“
Siga os Tribuneiros também no twitter - aqui.


deixe seu recado