por C.A. - Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 10:21

O governo provisório de Honduras - democrático e constitucional - cogita antecipar [um erro, a meu ver] a eleição presidencial do país, em todo caso prevista [e mantida, de acordo com a lei, mesmo depois da deposição do golpista Manuel Zelaya] para 29 de novembro próximo. Mas a imprensa esquizofrênica mundial, ainda assim, insiste em ver ali - nesta democracia em pleno exercício de sua Constituição, e que de resto sustenta, com equilíbrio institucional, um calendário eleitoral - um golpe de estado… (É grosseiro; e dar-me-ia pena, não tivesse desdobramentos graves, este jornalismo “tarsiano”).
Podem se candidatar à presidência [no pleito marcado para novembro] todos os cidadãos hondurenhos - menos um, em consonância com as mesmas regras que o elegeram há quase quatro anos: Manuel Zelaya.
Em Honduras, hoje uma democracia, país sofrido [e escolado] com os 27 anos de ditadura, a única coisa que não se aceita é a prostituição da Carta Magna nacional, que traz, por cláusula pétrea, a proibição [incondicional] de qualquer reeleição no Poder Executivo - e que se impõe muito dura, como a deposição [constitucional!] de Zelaya nos explica, ao homem público que tente desqualificá-la.
Simples assim.
Chamo agora a atenção do leitor para dois trechos desta entrevista do senhor Moisés Starkman [à Folha - aqui], funcionário público do Executivo hondurenho, que foi assessor do golpista Manuel Zelaya até o momento da deposição, com a qual concorda [ele defende a Constituição de Honduras], e que, no governo provisório, permanece no mesmo posto, conforme se dá nas mais sólidas democracias.
FOLHA - Qual era a intenção de Zelaya ao tentar convocar uma Assembleia Constituinte?
STARKMAN - Zelaya manifestou, em várias ocasiões, a necessidade de mudar a Constituição. Agora, em Honduras, tivemos o maior período de paz e de democracia com a Constituição atual. É uma Carta em vigência desde 1984 e, desde então, temos eleição a cada quatro anos. É uma Constituição que deu estabilidade ao nosso país. A Constituição tem artigos que não podem ser mudados. E um deles se refere à forma do governo, ao período presidencial e à não reeleição. Em Honduras, a ausência de reeleição tem sido um dos elementos que vêm dando estabilidade até o presente.FOLHA - Chávez é a grande ameaça para Honduras, como alega o presidente interino?
STARKMAN - Chávez vem dando várias declarações infelizes. Isso faz com que haja temor em Honduras de que se queira exportar uma forma de governo que pode ser boa para a Venezuela. Mas nós, em Honduras, queremos uma forma de governo própria. Pessoalmente, acho importante que em Honduras haja um sistema de pesos e contrapesos. Não gostaria que, em Honduras, houvesse um presidente que faça o que quiser e quando quiser.
Está claríssimo… Mas, bem, vamos adiante.
Mesmo frente a este jornalismo mundial esquizofrênico [o jornalismo segundo Tarso, o da novela], que lê a exemplar democracia hondurenha com as lentes do Lula, qual seja, a do personalismo presidencialista e do desprezo pelo equilíbrio institucional; mesmo frente à ignorância [não descarto a má-fé] dos organismos diplomáticos internacionais, que não compreendem a passagem histórica, de defesa incondicional da democracia [fato raro na América Latina], em curso em Honduras; mesmo frente ao desconhecimento torpe [má-fé!] da OEA, que enxerga Honduras com os olhos [chavistas…] viciados do nicaraguense [sandinista!] José Miguel Insulza, o governo provisório hondurenho, na figura serena do presidente constitucional Roberto Micheletti, aceita [quer] conversar, aceita receber emissários da ONU e do escambau [para lhes dar conta da verdade], aceita antecipar as eleições [se for melhor para o país; não é], aceita quase tudo - menos a volta ao poder do golpista Manuel Zelaya, porque este cuspiu [e cuspirá sempre] sobre a Constituição democrática da nação, felizmente concebida para se proteger de canalhas como ele.
Desde a deposição, no último domingo, essa posição - constitucional, repito - tem o respaldo do Judiciário, do Congresso, do Ministério Público e do alto comando das Forças Armadas; e devemos, os democratas do mundo, aplaudi-la.
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Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 12:37
Li agora no globo.com que o governo provisório pensa em convocar um referendo para decidir sobre a permanência do Zelaya.
Achei estranho.
Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 13:15
As pressões são terríveis, bom Pian, e isto seria terrível para Honduras - embora esteja seguro em que Manuel Zelaya seja rejeitado pela população hondurenha.