por C.A. - Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 12:58

A verdade sobre Honduras vai aos poucos [felizmente] aparecendo…
Quero recomendar a leitura completa deste excepcional artigo - de Vitor Gomes Pinto [publicado, hoje, no Globo Online; a íntegra está aqui] -, do qual cá destaco alguns extratos:
“A crise de poder em Honduras volta a colocar na berlinda os conceitos democráticos de separação e de interdependência que devem caracterizar os Três Poderes em cada país. Se ao Executivo cabe governar, ao Legislativo compete elaborar as leis a ao Judiciário controlar sua constitucionalidade. Tudo dá errado quando um dos Poderes resolve anular os demais para impor suas regras e vontades. (…)
(…) Manuel (Mel) Zelaya, um fazendeiro e aristocrata eleito em 2005 pelo Partido Liberal com 49,9% de apoio num pleito com abstenção recorde de 45%, prometia a um povo quase sem esperanças “transparência e participação popular”, e perdeu sustentação ao fazer uma administração desastrosa na qual se mostrou incapaz de lidar com a crise econômica, a insegurança e as gangues juvenis que se multiplicaram.Resolveu dar uma guinada ideológica juntando-se ao bolivarianismo de Hugo Chávez. (…) O único com dinheiro vivo e ávido por ajudá-lo apenas em troca de apoio político era Chávez, que de quebra lhe oferecia uma fórmula mágica para não mais sair do governo.
Nem tudo está perdido: dois duros golpes acabam de ser assestados na epidemia do continuísmo que grassa na América Latina. Na Argentina, o casal Kirchner viu seu projeto de permanecer pelo menos 20 anos na Casa Rosada ruir nas eleições legislativas de domingo ao ser derrotado até mesmo na Região Metropolitana de Buenos Aires.
E, em Honduras, a tentativa de Zelaya de fazer uma consulta popular que lhe permitiria concorrer à reeleição em novembro, expressamente declarada ilegal pela Suprema Corte de Justiça, pelo Congresso e pelo Procurador Geral, terminou com sua destituição e substituição legal pelo presidente do Parlamento, Roberto Micheletti Baín, que, em sua primeira fala à nação, assegurou a realização das eleições em 27 de novembro próximo, não esquecendo de dizer que “Honduras estava se livrando da ameaça do chavismo”. A Constituição do país reza que o mandato presidencial é de quatro anos, proíbe a reeleição e estipula que “quem quebrar esta disposição terminará de imediato o desempenho no cargo, ficando inabilitado por 10 anos para exercer qualquer função pública”.
Zelaya imaginou que os 27 anos de tradição democrática de Honduras seriam logo esquecidos, como o foram nos países bolivarianos, e quando a consulta popular que propôs foi julgada ilegal, ignorou o veredicto judicial, demitiu o comandante em chefe das Forças Armadas (a quem cabia viabilizar a votação) e ordenou a invasão do quartel onde estavam guardadas as cédulas eleitorais enviadas por avião desde Caracas, passando a distribuí-las entre seus partidários.
Com isso, desafiou abertamente os dois outros Poderes, solapando inclusive suas bases de sustentação entre os hondurenhos que aceitam tudo, menos a volta aos negros tempos de exceção das primeiras sete décadas do século XX e a revogação da Carta Magna de 1981. (…)
(…) Em Tegucigalpa e em San Pedro Sula, as duas maiores cidades, milhares de pessoas saíram às ruas vestidas de branco para defender a democracia hondurenha e o Comissionado Nacional de Direitos Humanos, Ramon Custodio López, declarou que “a comunidade internacional não viu a intransigência com que Mel Zelaya pretendia seguir governando Honduras”. Os Três Poderes funcionam, o país parece tranquilo e, se tiver calma, Micheletti poderá conduzi-lo até a eleição do novo presidente em novembro.


Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 13:53
Escritor, por conta dessa cobertura, sensacional!, já estou quase apaixonada por Honduras.
Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 13:57
Devemos todos, querida Olga, amar Honduras e marchar, pela democracia, com o valente povo hondurenho!
Avante!
Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 14:11
Eu continuo mais preocupado com os camelôs da Artur Bernardes e com os menores de rua do Largo do Machado.
Mas não dá para negar que nunca tive tanto interesse pela América Central desde o especial exibido na Discovery sobre a Mara Salvatrucha.
A cobertura tribuneira está sendo de tirar o chapéu.
Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 14:23
Bom Pian, teus comentários trazem alento - e graça - a esta sexta de caráter duvidoso…
Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 15:01
Andreazza, aqui no Centro, ao contrário do bairro meio zona rural que é a Gávea, a sexta não tá tão sem caráter assim, não. À hora do almoço tinha até um tocador de banjo animando. E no Largo da Carioca, assim, ó, de dançarinos Michael Jackson, divertindo a galera. Tudo grátis…
Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 15:06
Olga, lembrei agora dum samba antigo, do Zeca, que diz assim: “Quem passa pela Carioca/E não conhece aquele alvoroço/Parece um angu de caroço”…
Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 15:12
O Zeca tem toda a razão. Aquilo ali é um angu de caroço, sensacional! Eu me diverto horrores por ali, Andreazza. Uma vez um “sombra” me seguiu e eu, distraída que só, fiz a alegria da galera. Eu, uma tímida, extrovertida, mas tímida, quase morri de vergonha.
Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 15:13
Andreazza, de quem é a belezura de poema lá no twitter?
Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 15:20
Meu, Olga. (Farei - vez ou outra - uns gracejos como esse por lá)… Gostaste?
Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às 15:27
Se eu gostei? Já copiei e colei no meu arquivo de citações. Estás ficando insuportável, escritor-agora-poeta.