por C.A. - Quinta-Feira, 2 de Julho de 2009, às 10:02

Manuel Zelaya, Hugo Chávez e os golpistas bolivarianos foram derrotados em Honduras - e os democratas do mundo, aqueles que reconhecem o valor de uma Constituição democrática, devem comemorar.
Trata-se, leitor tribuneiro, de um grande momento político para a América Latina - uma rara demonstração de maturidade institucional a ser compreendida, sem mistificações [sem mentiras!], pelo que é: um país traumatizado por quase três décadas de ditaduras fez valer as suas leis para afastar um presidente da República que, a cuspir sobre as regras pelas quais fora eleito, pretendia, à margem das instituições democráticas e contra os poderes Judiciário e Legislativo, ignorar [faltando quatro meses para a eleição] uma cláusula pétrea [a que proíbe qualquer reeleição no Executivo] da Carta Magna hondurenha.
Agora, ainda que Zelaya volte a Honduras, e mesmo que retome o cargo [o que me parece provável], terá de se comportar, terá de fazer o terrível esforço por respeitar a democracia e a ordem constitucional [caso contrário, é cana]; terá, afinal, de negociar com o governo provisório [governo provisório, de transição, e democrático!, pois que as eleições de novembro estão mantidas, em consonância com o que versa a Constituição] - e ele mesmo, Zelaya, já admite, para glória de seu país, que desistiu de pleitear a reeleição, qual seja, de urinar em suas leis.
É mentiroso - absurdamente falso - o jornalismo que vende a idéia de que a população hondurenha apoia Manuel Zelaya e a sua reeleição. Aos que, fugindo à pauta farsante proposta pela CNN [que chegou ao absurdo de mostrar manifestações contrárias a Zelaya como sendo a favor…], procuram - na revolucionária rede internética - pela verdadeira voz do povo de Honduras, é fácil constatar: a maior parte da população hondurenha rejeita o presidente golpista, sujeito sumamente impopular, e defende a Constituição do país, a qual, repito, vem sendo respeitada e exemplarmente seguida pelo governo provisório, ele também previsto, exatamente assim como se organiza, na Carta Magna de Honduras.
É a democracia representativa em grande demonstração de vitalidade!
A ignorância política - a má-fé ideológica - sempre procura desqualificar a ação pública, por importante e necessária que seja, que se dê sob o uso da força, ainda que esta força seja aplicada dentro dos limites legais. É velha safadeza… O que quero dizer é o seguinte, pisando bem no chão deste mundo real: as lideranças políticas e os militares hondurenhas impediram o golpe de estado de Zelaya e asseguraram - também por meio do uso LEGÍTIMO da força - a ordem constitucional. (E que seja sempre assim, em qualquer lugar do planeta).
A mentira de que o “pobre” Manuel Zelaya - vendido como vítima, meu deus! - foi deposto por militares inebriados pelo poder não resiste aos fatos [não há militares no comando da República de Honduras], e eu fico horrorizado com a maneira disfarçada como o golpismo civil é defendido em tevê aberta: “o coitadinho caiu - que truculência - apenas porque desejava um referendo popular”.
Ah, canalhas!, francamente: Zelaya queria um referendo [declarado ilegal pela Justiça e pelo Congresso] que afrontava a Constituição democrática de seu país, sob a qual fora eleito [sob a qual jurou!], e pleiteava - quatro meses antes da eleição - o direito a reeleger-se, outra afronta a uma Constituição que é muito clara a respeito [é contrária à reeleição!] e que, ouso dizer, tem como um de seus pilares a rejeição à idéia de permanência no poder. (Sim, eu li, umas três vezes, a Constituição de Honduras).
Ainda assim, chutando à vala a ordem institucional e o equilíbrio entre os poderes - e não fosse pela resistência constitucional das Forças Armadas -, Zelaya teria levado a consulta popular adiante; e, a despeito de isolado das leis e da população de seu país, valer-se-ia, em busca de seu tento ditatorial, do suporte estrutural de… (Quem, quem, quem)? Hugo Chávez e a pirotecnia bolivariana, esses escroques manipuladores que pintam o diabo na terra alheia sem que alguém, sequer de maneira elegante, acuse-os de ferir a soberania nacional, no caso, de Honduras.
Por fim, pensando em que o leitor talvez não compreenda por que esta Casa insiste em debater tanto e tanto a crise hondurenha, escrevo aqui o que publiquei ontem na seção de comentários; que, do ponto de vista convencional, a considerar um país vizinho como a Argentina ou uma potência mundial como os EUA, Honduras não tem mesmo muita importância política para o Brasil.
Parece-me porém - e este é o ponto, dramático, ao qual quero chamar a atenção - que a democracia na América Latina, e logo o futuro saudável desta, está em jogo em Honduras; e esta é questão grandíssima.
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Sei - eu sei - que escrevi contra [ignorância minha, própria ao apressado], mas quero comunicar ao leitor tribuneiro que, afinal convencido [foram meses de resistência!] de sua capacidade de divulgação, criei um twitter Tribuneiro [aqui], por meio do qual [não sei ainda bem como], pensando naqueles que se informam sobretudo pelo celular, pretendo dar conta de cada nova publicação desta Casa [que anda mais movimentada que nunca].
Quero também informar que, sem termos compromisso algum com a ferramenta, ao bastar de não servir mais aos supremos interesses desde site, podemos abandoná-la a qualquer momento.
O twitter Tribuneiro - de novo: aqui.


Quinta-Feira, 2 de Julho de 2009, às 14:27
Andreazza, querido, às vezes, não oferecer resistência é inevitável. De uma semana pra cá, não se fala em outra coisa, outra ferramenta que não Twitter. Um cousa!
Acho que me cadastrei como “seguidora”. Acho, apenas, porque sou uma anta com novidades. Me enrolei toda, a máquina não aceitava os nomes sugeridos por mim. Só porque o amor ao site é grande mesmo…
Quinta-Feira, 2 de Julho de 2009, às 14:29
Olga, querida!, obrigado pelo carinho, mas, a considerar a tua feliz presença aqui, o twitter será ferramenta menor para ti.
Um beijo!
Quinta-Feira, 2 de Julho de 2009, às 16:53
Twittar é preciso! Mas , sinceramente deve ser coisa para iniciados! Ainda não entendi bem esse negócio! Ossos do ofício de divulgar usando novas mídias!
Bem vindos tribuneiros!
Quinta-Feira, 2 de Julho de 2009, às 16:53
Ô, mamãe, és muito mais moderna do que eu!