por Pim - Quinta-Feira, 2 de Julho de 2009, às 14:19

“Manhêêêê! Ele me empurrou, só porque eu bati nele!” (Manuelzinho Zelaya)
O pátio internacional está em polvorosa. É sempre bonito ver as mamães sujinhas invadindo o recreio da escola: “Quem ousou revidar aos golpes do meu filho? Ora, ora! Onde já se viu? Só porque Manuelzinho Zelaya jogou no lixo a Cartinha Magna, vocês se acham no direito de expulsá-lo? Só porque, contra a ordem da diretoria de Justiça, ele mandou os inspetores militares organizarem a reeleição para representante de turma, os inspetores podem se rebelar? Quem lhes permitiu tirar a Cartinha do lixo? Eles não conhecem Manuelzinho? Não sabem de quem ele é filho?”.
Pois, se não sabem, está mais do que na hora de saber. É preciso reconhecer o esforço materno. Em solidariedade à família de Manuelzinho – e somente enquanto ele não consegue emplacar a reeleição -, o pátio se abre para um novo referendo: quem será a Mamãe do Ano?
Com a palavra, as candidatas:
Lula: “Não podemos aceitar mais, na América Latina, que alguém queira resolver seu problema de poder pela via do golpe”.
Hugo Chávez: “Eu tenho certeza de que, aos golpistas de Honduras e a esse presidente espúrio e usurpador e os que o apóiam, lhes esperam a mesma sorte que a oligarquia venezuelana”.
Rafael Correa: “Os soldados jovens e os oficiais não comprometidos com a oligarquia não têm por que obedecer ordens ilegais, e por isso devem se rebelar contra essa cúpula corrupta”.
Hillary Clinton: “Isto [o ‘golpe’] deve ser condenado por todos. Chamamos todas as partes em Honduras a respeitar a ordem constitucional e o império da lei”.
Barack Hussein Obama: [declarou que o ocorrido no domingo é] “um golpe de Estado ilegal e que Manuel Zelaya continua sendo o presidente legítimo do país centro-americano”.
José Miguel Insulz (chileno, secretário-geral da OEA): [disse que] “esse organismo [a OEA] está disposto a um diálogo com Honduras unicamente se Zelaya for restituído como presidente”. “Precisamos mostrar claramente que golpes militares não serão aceitos. Pensávamos que vivíamos uma era em que golpes militares não eram mais possíveis no continente”.
Miguel D’Escoto (nicaragüense, presidente da Assembléia Geral da ONU): “A única solução é que o presidente constitucional e democraticamente eleito volte a seu cargo para exercer as funções atribuídas pela soberania popular”.
Cartinha Magna, encontrada no lixo do pátio:
Artigo 4 - “[…] A infração desta norma [de alternância da presidência] constitui delito de traição à Pátria”.
Artigo 42, inciso 5 – “A qualidade de cidadão se perde […] por incitar, promover ou apoiar o continuísmo ou a reeleição do Presidente da República”.
Artigo 239 – “O cidadão que tenha desempenhado a titularidade do Poder Executivo não poderá ser presidente ou indicado. Quem transgredir essa disposição ou propuser a sua reforma, assim como aqueles que o apoiarem direta ou indiretamente, perderão imediatamente seus respectivos cargos e ficarão inabilitados por dez anos para o exercício de qualquer função pública”.
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Referendo “Mamãe do Ano” - Porque mãe é uma só…
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Quinta-Feira, 2 de Julho de 2009, às 14:25
Bem: diante deste post - espetacular - eu não precisaria ter escrito as 100 mil palavras que vão abaixo. Perfeito, Pim.
E mais: que foto, que foto!
Quinta-Feira, 2 de Julho de 2009, às 18:19
Parabéns ao Tribuneiros pela - implacável e correta - abordagem do episódio hondurenho. Digna dos maiores elogios.
Abraços,
Quinta-Feira, 2 de Julho de 2009, às 19:00
Andreazza,
Achei interessante, ainda que muito breve, o posicionamento do Sr. Walter Fanganiello Maierovitch (www.ibgf.org.br) acerca dos acontecimentos hondurenhos.
Ele usa o mesmo princípio de separação de poderes - citado em sua tradução do texto da Sra. Margarida Montes - para condenar os episódios lá ocorridos.
Segundo o jurista, a Suprema Corte não se fez valer do sistema de freios e contrapesos (checks and balance) e, desprovida do devido processo legal, retirou Zelaya do poder através de golpe mesmo.
Julguei interessante justamente pela utilização de uma base argumentativa bem parecida, embora defendendo idéias bem diferentes das aqui apresentadas.
Por tudo que tenho lido, ainda acredito que a visão tribuneira tenha me trazido o mais perto possível do real cenário atual de Honduras.
Mesmo assim, achei legal trazer essa interpretação pra dar uma pimentinha na cousa.