por C.A. - Segunda-Feira, 29 de Junho de 2009, às 11:28

Basquete é esporte aborrecido, chato mesmo, e assim teria continuado, para sempre!, não fosse o instante - o glorioso hiato de ontem [domingo] de manhã - em que os jogadores de Flamengo e Brasília, aos dois minutos de peleja, degladiaram-se em quadra, com honras de batalha nacional, a partir de uma mísera bola presa, por cuja disputa, tão cedo ainda, ofereciam o senso da vida e da morte, da urgência; e então, eu estava lá, pensei, pensávamos todos [estou certo disso], no lendário Togo Renan Soares, o imortal Kanela, e ferveu aqui, fervemos todos, o velho sangue rubro-negro, o sangue de um clube olímpico, e me ocorreu, ocorreu-nos a todos, éramos 15 mil, a passagem [há uma crônica de Nelson Rodrigues a respeito, “O tapa cívico”] em que Kanela, desrespeitado-roubado por um árbitro canalha no mundial de 1967 [no Uruguai], desferiu-lhe a mais bela bofetada da história da humanidade, e quero lhes dizer que assim, sob as mesmas lembranças, memórias afetivas que pairavam sobre a arena!, reagiu, imediatamente, o grito Flamengo inteiro que lotava o ginásio, e eis que o basquete, esporte chatíssimo, de que poucos ali conheciam as regras, fez todo o sentido do mundo, e eis que a vitória, alcançada afinal, nunca foi tão importante.
À noite, desta vez no Maracanã, diante do espetáculo medíocre [preguiçoso] que foi o Fla X Flu futebolístico, ainda que exausto, eu pensava em como não hesitaria caso me dissessem que, tendo sido cancelada-anulada a finalíssima de basquete havida de manhã, uma nova decisão seria disputada, no mesmo domingo, dali a algumas horas [à meia-noite!], na mesma arena tão incrivelmente distante, nos confins da Barra da Tijuca - e eu lá estaria, leitor tribuneiro, sem titubear e sem a dúvida de que veria, mais do que o bicampeonato brasileiro, a consciência da incansável honra que é defender, na bocha, no basquete ou no futebol, as cores de um grande clube e, no caso maior, as cores do Clube de Regatas do Flamengo; e o esporte só terá importância nesta hora.
A extraordinária vitória matinal rubro-negra - num jogo de basquete! - refundou-me a força para continuar apostando no espírito do esporte e, caprichosamente [porque a vida é mesmo assim], para seguir acreditando na paixão do [pelo] futebol.
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Acima, e sem que eu assim desejasse, vão expostos os motivos pelos quais, ainda que vencendo, já não me comove o futebol da outrora seleção brasileira de futebol - hoje um mero time a serviço da CBF, vitrine vergonhosa para negócios os mais infames e os menos esportivos.
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Ainda a respeito da decisão do baquete: profundo desrespeito cívico foi Sandra de Sá a cantar - acompanhada pelo Grupo Molejo - o hino nacional brasileiro.
Desafinando já às primeiras notas - mas tendo as duas partes do hino, de resto enorme, para se acertar -, aguardei por que Sandra afinal se encontrasse, o que não ocorreria, logo percebi, ainda que persistisse, ainda que seguisse cantando até essas 11h28 de segunda-feira [29 de junho], hora em que escrevo.
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Eu ia lhes contar da tarde que passei - sim, ontem; domingo que teve 70 horas! - no sagrado bairro da Tijuca, no poderoso Bar do Chico, ao lado de queridos amigos, enquanto, vindo do basquete, esperava pelo Fla X Flu do Maracanã, mas vou sugerir, a propósito, a leitura do relato [Cenas tijucanas], preciso do início ao fim, que Eduardo Goldenberg oferece no seu Buteco - aqui.
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E não é que, profundamente magoado com o Flamengo [o que fez ouvir em seu apito], era Obina - uma temeridade! - o árbitro da final do brasileiro de basquete.


Segunda-Feira, 29 de Junho de 2009, às 12:20
Basquete, imperiano, é esporte dos mais emocionantes de se assistir e jogar.
Parabéns ao Flamengo pela conquista.
O rubro-negro é, sem dúvidas, o melhor time de basquete do Brasil.
Porém, um pouco de história não faz mal a ninguém:
Lembro aqui que o primeiro clube carioca a vencer o nacional de basquete foi, obviamente, o Glorioso de General Severiano, quando em 1967 venceu o então bicampeão Corinthians.
Neste mesmo ano, o Botafogo também sagrou-se campeão sulamericano do esporte.
Ainda em 1967, o Glorioso disputou o Mundial de Basquete (já que era o vencedor do nosso continente), não sendo capaz de evitar as derrotas para o Akron Goodyear Tires, time americano que se sagrou melhor do mundo na ocasião, e para o milanês Simmenthal Olimpia, na disputa pelo 3 lugar.
Em 2001, com um time que dava gosto de ver jogar (com o hoje flamenguista Marcelinho como astro principal), vimos o título estadual escapar da nossa sala de troféus graças ao HORROROSO ala-pivô estadunidense Keith Nelson, que perdeu 956 lances livres contra o Vasco da Gama, que na ocasião também era um timaço.
(Vale recordar que na semifinal o Glorioso passou o carro no Flamengo do chorão Oscar Schmidt, que ficou aos prantos após a cesta decisiva do alvinegro Mãozão na prorrogação).
No brasileiro deste mesmo ano, fomos eliminados nas semi pelo mercenário time(?) COC/Ribeirão Preto, que ficou com o vice após perder a final para o bacalhau do sensacional Hélio Rubens.
Enfim, basquete também merece nosso apreço. E a comemoração do bi rubro-negro é mais do que válida.
(…)
Com relação ao título do Comandante Dunga, prefiro não comentar nada.
Era o que podíamos esperar desse time que é melhor do que o Brasil de 70.
Segunda-Feira, 29 de Junho de 2009, às 12:42
Bom Pian, lamento que o grande Botafogo não dê perenidade às suas tradições olímpicas.
Segunda-Feira, 29 de Junho de 2009, às 12:50
C.A.,
Vai ver a condição de vice tenha sido transferida pelo Vasco, ao Botafogo, em quadra, e tal herança se propagado ao relvado.
Saravá!
Segunda-Feira, 29 de Junho de 2009, às 12:54
Eu também lamento.
Mas continuo acreditando.
Sou brasileiro, alvinegro…e não desisto nunca.
Segunda-Feira, 29 de Junho de 2009, às 13:20
Fraga,
A verdade é que eu teria que ser muito mesquinho e de uma pequenez de alma absurda para me chatear com teu chiste.
Nossas vidas passarão e muito provavelmente nossos clubes continuarão a envergar suas existências nos relvados e quadras.
O tri vice do meu alvinegro para o seu Flamengo, foi, logicamente, uma tristeza para mim.
Mas o esporte é pródigo em nos dar exemplos de que esse tipo de coisa é mais do que normal.
Sei que o brasileiro não é muito fã de história, mas sempre gosto de refrescar a memória dos meus compatriotas:
O Mengão, nos estaduais de 82, 83 e 84 (justo na época do timaço rubro-negro) foi tri vice, perdendo para Vasco (82) e Fluminense (83 e 84).
Não satisfeito,o urubu conseguiu conquistar mais um tri vice do estadual nos anos de 87, 88 e 89, perdendo para o Machão da Gama nos dois primeiros e para o meu Glorioso em 89.
O futebol é assim. O esporte é assim. A vida é assim.
Mesmo achando muito difícil, torço para que nos encontremos na final do carioca de 2010.
Vou, com certeza, morrer de medo de um tetra vice. Mas estarei onde nunca vou deixar de estar: do lado do meu time.
Como eu disse, eu sou igual ao Comandante Dunga.
Não desisto nunca.
Segunda-Feira, 29 de Junho de 2009, às 15:22
Pian, os botafoguenses, os verdadeiros, os que importam, os que valem são que nem os imperianos, não desistem e não cansam nunca. Estaremos com o Glorioso, como diz o meu mais querido botafoguense, “na saúde e na doença, tal e qual no enlace matrimonial”.
Andreazza, onde posso ler a crônica do Nélson Rodrigues citada por você? Adoro a crônica “Conveniência de ser covarde”, que fala, também, de um tapa que gera um ato covarde e movimenta um joguinho sem graça.