por C.A. - Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 12:54
Hoje eu quero denunciar - desmascarar - um traidor espantoso. Sim, João Paulo Duarte, o impulável Jota-Pê Tribuneiro, o gigante do Leblon - isto mesmo: um traidor!
O leitor avalie…
João Paulo, lendário arqueiro que imprimia suas travas 49 no peito dos atacantes mais ousados, outrora totem incontornável do mais infame dos butecos do Leblon - o resistente Embalo Bar [que não enverga, gloriosamente teimoso, à especulação gastronômica da rua Dias Ferreira] -, hoje bebe apenas vinhos chilenos [com toque de caramelo ao último paladar, ele diz sem afetação], em taças moderadas, e, pasmem!, faz, já com a plácida respiração de bailarino, ioga e meditação [tem orgulho!], e de fato, emagrecendo dois quilos por dia [come tão-só filé de peixe com espinafre, e sem molho algum], parece calmíssimo, ponderado, aquele gênio infernal e boêmio afinal controlado por um escroque tântrico como De Rose, e agora pede, por saideira, água mineral no Jobi… (Uma desgraça)!
O mais grave, porém, está por vir, pois que João Paulo Duarte, cultor do mais impressionante passo sambístico do miudinho [passista afamado no Império Serrano, onde dizem que poderia, sem favor, ter integrado, ladeando Jorginho, Jamelão e Careca, os “Pelés do Samba” imperiano], veio ontem ao meu encontro - no nosso sagrado Esch Café - com os olhos inchados, ainda marejados, e chorava, leitor tribuneiro, chorava [chorara a tarde inteira] a morte de Michael Jackson, o popstar que, para meu estupor, revelou ser seu ídolo supremo, sua referência na matéria humana, e então, para incredulidade de todos os presentes à casa, pôs-se de pé e cantou, mão ao peito, todos os versos de “Billie Jean”, sendo em seguida aplaudido, espetacularmente ovacionado, pela platéia, e ouso dizer que estava, àquele momento, não mais que dois minutos, em transe profundo, ao final do quê, convulsionando-se ainda, soluçou os derradeiros goles do tinto [ressaltou de novo as notas finais de seu caramelo], levantou-se e foi embora, escandalizando a audiência fashionista dos dois mil restaurantes japoneses daquela rua… Só então reparei na homenagem maior - a mais tocante - ao ídolo finado: João Paulo Duarte vestia, atochada em seus dois metros de perna, uma calça de couro preto.
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E por falar em teatro [em atores, sobretudo], por favor leiam, da lavra de Luiz Antonio Simas, o ensaio Bodas de prata, peça que o mestre vem de publicar no melhor blogue do Brasil - aqui.
Não só porque lhe concorde absolutamente, eis um texto que gostaria de ter escrito.
Pós-escrito [15h26]:
Lamento ter de aborrecer o leitor nesta sexta de resto já cinza, mas leio que o DEM [sim, o partido] estuda retirar o apoio a José Sarney, o que pode valer [valerá] a cabeça do senador.
Ah, como dá voltas este mundo…
Houve um tempo em que o atual DEM se chamava PDS, antes de PFL e depois de ser Arena, sempre a serviço dos generais. Era 1984, último ano do regime militar, e o PDS - partido do governo, partido do presidente João Figueiredo, partido que detinha a maioria do Congresso - preparava-se para a convenção que, derrubada a emenda Dante de Oliveira [a das “Diretas Já”], indicaria o seu candidato, até então o favorito [fosse quem fosse, bastava que o PDS seguisse unido], no pleito presidencial indireto contra o MDB de um Tancredo Neves ainda discreto, fingindo-se dedicado à causa democrática pelos palanques do país afora.
Ah, como dá voltas este mundo…
Em abril de 1984, José Sarney era presidente do PDS, conselheiro íntimo de Figueiredo e principal agente do partido em termos de sucessão presidencial.
Em agosto de 1984, apenas quatro meses depois, José Sarney já era líder máximo da Frente Liberal [a dissidência emedebista do PDS], conselheiro íntimo de Tancredo e principal agente da candidatura presidencial deste, de quem, ao final do mês, seria o vice.
Em quatro meses do já distante ano de 1984, José Sarney, o traidor, bandeando-se para a democracia de ocasião [para o futuro, que futuro!], entregou de bandeja a cabeça do partido em que se fizera senhor do Maranhão - e foi então, morto o moribundo Tancredo, viver a farsa de ser um estadista, como ainda se lê por aí, responsável decisivo [meu deus!] pela sólida redemocratização do Brasil. (Acredite, leitor: até Médici era mais “democrata” que Sarney).
José Sarney traiu o PDS, retalhou o partido para benefício [que benefício!] pessoal seu e, 25 anos depois, o hoje DEM, talvez sem saber [em política não há memória], pode lhe dar o troco, a vingança, o golpe final, a guilhotina! - para o que torço como se a defender o Império Serrano na avenida.
Avante, canalhas do DEM! Deixem baixar a lâmina! (As almas-penadas do PDS precisam descansar)…
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A dica é do grande Marcelo Moutinho - e pode representar, afinal, alguma utilidade [alguma vida inteligente] ao tal Twitter, pois que Millôr Fernandes, o cara!, vem de criar o seu: aqui.
Uma breve amostra do que o notável frasista publica por lá:
“Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor.“


Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 13:07
Choremos e dancemos hoje juntos, João. Vou tirar minha calça de couro do armário também…
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 13:21
Michael Jackson é o maior gênio com que nossa geração conviveu. Inesquecível.
Do mais, não responderei às calúnias estúpidas que o senhor Andreazza Neto dispara contra mim.
O senhor, Andreazza, é o Ziraldo do Leblon.
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 13:26
Do mais, caros leitores, desmascararei o senhor Andreazza Neto, o Ziraldo do Leblon.
Aguardem.
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 13:27
Michael era ídolo maior do nosso grupo.
Foram várias as vezes que encenamos Thriller na Dias Ferreira e, principalmente em nossos churrascos de 1 de Maio, em frente a Garcia d’Ávila.
E não poderia esperar homenagem mais adequada partindo deste grande monumento lebloniano que é o Reizinho.
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 13:41
Eu, Ziraldo. Você, Simonal.
Jota, meu grande amigo, nós damos o toque de humanidade que a canalha quer roubar do Leblon!
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 13:43
Agora: sobre ser o finado Jackson o “maior gênio com que nossa geração conviveu”, certo está que pertencemos a gerações distintas.
À minha, Luiz Carlos da Vila foi o maioral.
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 13:51
Eu não temo as suas ameaças, João Paulo “De Rose” Duarte!
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 13:56
Tentam tirar, meu amigo Andreazza, mas não conseguirão!
E para isso contamos, também, com figuras como Marcos André e Pian, uns jovens e explosivos baluartes.
Hoje, eles exageram o Leblon no meu lugar.
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 14:12
Orgulhoso e ruborescido fiquei com “explosivos” e “baluartes”.
Mas o que eu gostei mesmo foi o “exageram o Leblon”.
Obrigado, Reizinho.
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 14:14
E o seu lugar - trono absoluto do reinado do Embalo Bar - estará sempre à sua espera.
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 14:15
O maior gênio da minha geração , e não acceito réplica, foi Zico.
E confesso que esse monte de gente tirando calça de couro preto do armário me faz pensar no futuro deste sítio.
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 14:19
Alberto, o futuro desta Casa está seguro nos jeans folgados que ora uso; mas a nova moda de um tão importante colaborador - não tenho como negar - fundamenta as tuas dúvidas…
E Zico… Zico foi o maior gênio da humanidade. A posição dele não enxerga gerações, grande Alberto.
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 14:21
Alberto,
Junte-se a gente nesse vigoroso moonwalk!
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 14:35
Alberto, você - certamente mais velho que meus 29 anos - deve ter sido muito feliz com o formidável Zico.
E que bom que menospreza Jackson. Já pensou se todo dia 25 de junho te lembrasse a morte de um ídolo e o gol de barriga?
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 14:46
Olha a malcriação, Jota!
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 15:00
Pian,
Fui apenas justo com o teu merecimento.
Sexta-Feira, 26 de Junho de 2009, às 16:27
JP, de fato sou um ancião perto dos seus 29, tenho cinquentinha, sou do tempo que se fazia gol com o pé, e gol de barriga só contra.
E aproveitei bem nosso Wacko Jacko, via de regra meio bebum nas discotecas de outrora. Bebum um suficiente para ir pra cima das meninas, mas não o suficiente para fazer o moonwalk dentro de uma calça de couro preto.
Mas respeito todas as minorias, vai fundo!