por C.A. - Quinta-Feira, 25 de Junho de 2009, às 18:19

Seria patético não fosse um perigo - e é assim, hoje, no Brasil, segundo nos ensina diariamente o próprio presidente Lula: o senhor José Sarney, máximo senador da República, faz a maior lambança [parece que encontrou meios de empregar, sem saber!, a família inteira no Senado, e os amigos, e os amigos dos amigos], é pego com a boca na botija [o bigode impecável, porém], mas tudo não passa de uma “campanha midiática” para derrubá-lo.
Ele é vítima… A culpa, claro, é do jornalismo, sempre - e temos portanto a ordem dos acontecimentos, assaz crível, de acordo com Sarney: a imprensa queria arruinar-lhe a carreira, decidiu-se assim de uma hora pra outra [ah, a maldade…], e então se pôs a inventar “atos secretos” no Senado Federal, os quais anuncia - tudo orquestrado - com requintes de novela das oito, um capítulo após o outro, a cada dia envolvendo mais o senador e fazendo aparecer sobrinhos e netos que Sarney, eu não me surpreenderia, está prestes a revelar que também desconhecia.
É isso? Um bom caminho… (Com efeito, mais fácil será renegar a família para se safar da degola que botar esta na conta da imprensa).
Ora, José Sarney debocha da República. E já não basta que se afaste da presidência do Senado, ou mesmo que se licencie da Casa. (Nunca bastou). Pressionado de forma inclemente pelos instrumentos da democracia, Sarney - este grande democrata… - deve renunciar ao mandato de senador. Já. Será a senha para que o país comece a se livrar - pela mais elevada [ilustrada] camada do lamaçal - da escória de renans, collors, idelis, jucás etc.
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Recebi, agora, três e-mails [idênticos] que me gozam - ou tentam - pela vitória do time da CBF sobre a seleção da África do Sul.
Quero enfatizar o “tentam” - porque reside na palavra o motivo pelo qual lamento tanto: a equipe de Dunga, aquele amesquinhado bando que esteve em campo hoje, vence, caminha, progride, conquista; mas qual graça colhemos disso?, qual emoção?, qual memória?, qual prazer do que é essencialmente o futebol?, qual paixão?, qual saudade?, qual centelha de nos permitir brincar e, saudavelmente, até provocar?, gozar?, qual?, quais?
Eu pouco me importo com o jogo, com o futebol, com que se desenlaça dentro de campo, com as táticas e que-tais - eu quero é me emocionar, eu quero é me comover, é rir, é vibrar, é extravasar, irracional, o grito de quem, por 90 minutos, permite-se aliviar das responsabilidades, pelo lúdico!
Eu quero é que carreguem no corpo a expressão de entrega, de vida absoluta que traz na face este grande homem - um humanista - que é Joel Santana.
E assim resumo o meu lamento tanto:
Tirem Joel Santana do futebol, proíbam-no de trabalhar com o futebol - e ele morrerá. Entenderam? Morrerá!
Façam o mesmo com o Kaká, com o Dunga - e talvez eles até sejam felizes…


Quinta-Feira, 25 de Junho de 2009, às 18:39
E o povo?
Não tem culpa?
Todos os citados na última linha de teu texto não foram colocados no poder pela mesmíssima democracia que tu agora clamas como instrumento salvador da república?
Ou são todos uns pobres coitados?
Quinta-Feira, 25 de Junho de 2009, às 18:47
Os eleitos democraticamente - pelo povo, sim - podem, pela mesma democracia representativa, perder os mandatos e os direitos políticos; e é nisso que acredito, bom Pian.
Quinta-Feira, 25 de Junho de 2009, às 19:00
Eu também acredito nisso, Andreazza.
Mas teremos sempre que recorrer ao (exaustivo, quase intangível) recurso da perda de mandatos e direitos políticos, nos esquivando sempre da nossa (sim, nossa!) incompetência enquanto eleitores?
Sei que o sistema eleitoral é populista, ainda mais quando falamos das áridas regiões nordestinas do país, mas não temos nós uma significativa parcela de culpa nessa crise toda?
Mas eu reconheço que é complicado…foi só mais um desabafo.
Quinta-Feira, 25 de Junho de 2009, às 19:23
Com relação ao seu adendo esportivo, chega a ser um absurdo falar que não foi emocionante a nossa vitória na Copa América.
Uma semi disputadíssima com os uruguaios (decidida pelo excelente arqueiro Doni nos penaltis) e uma final que foi um verdadeiro baile sobre a eterna rival Argentina de Riquelme, Messi e cia. (Um time bem superior ao nosso, diga-se de passagem).
Na ocasião da disputa, fiz um churrasco aqui em casa para assistirmos a peleja continental.
Não me faltarão memórias, emoções e saudades daquele dia.
Ah, aquele pombo sem asas do Julio Baptista que entrou no ângulo do goleiro argentino!
Pra quem realmente gosta de futebol, aqui vai doce lembrança:
http://www.youtube.com/watch?v=k2nI-cxBaYU
Viva o Brasil!
Viva o Dunga!!!
Quinta-Feira, 25 de Junho de 2009, às 20:07
Carlos,
Por favor, dá uma olhada nesse artigo.
http://veja.abril.com.br/080409/p_068.shtml
Ele foi publicado em abril, e já dava indícios (com números!) de como Sarney efetivamente contribui para o atraso, impede o desenvolvimento.
Preste atenção (você e os leitores desse site!) para o gráfico que aparece clicando num link à direita. O Maranhão só fica atrás do Piauí no ìndice de desenvolvimento interessante do qual o artigo trata. É triste.
A mesma edição da Veja trazia um artigo do Roberto Pompeu de Toledo, falando do “estilo de gestão” do senador.
http://veja.abril.com.br/080409/pompeu.shtml