por C.A. - Segunda-Feira, 22 de Junho de 2009, às 14:41

O massacre em curso no Irã - indefensável - expõe, cá entre nós, um certo tipo de jornalista [de pensador; teórico da conspiração] que em tudo, preguiçosa e calhordamente, descobre a culpa dos EUA, o grande vilão do norte, que só pensa no petróleo do Oriente Médio etc. (E claro: logo dá um jeito de encaixar Israel na história e de amaldiçoar o país - é batata).
É o mesmo jornalista que, pasmem!, tem horror ao jornalismo e, nas vezes em que não atribui crimes monumentais aos EUA [todos os crimes do mundo], atribui-os à imprensa - a “imprensa tradicional” [Globo, Folha, Veja etc.], esta maldita comprometida com o grande capital multinacional e vendida aos interesses ianques os mais baixos…
Mas aí vem o Irã, o Irã de verdade, o Irã da intolerância atual, a tirania inclemente e sanguinária que é - e desmonta o discurso “bonzinho e generoso” desta cretinalha, pouco afeita às regras da democracia [querem aquela democracia menos excessiva, sabe?] e sempre disposta a defender os “oprimidos” [os heróis da resistência…], ainda que estejam montados na bomba nuclear.
Não há, salvo sob má-intenção, muito o que debater a propósito: a imprensa ora cumpre bem o seu papel, inclusive a explorar [de maneira revolucionária!] as novas ferramentas de comunicação internética, e as democracias do mundo - inclusive a grande e sólida democracia norte-americana - têm todo o direito [têm a obrigação, eu diria] de cobrar respeito aos valores humanitários e de questionar institucionalmente, ecoando a voz das ruas [olha ela aí!] de Teerã, a legitimidade das eleições presidenciais iranianas.
Democracia - eu ensino - não é gangorra, não pode oscilar; não pode ser refém do desejo autoritário de um governante contrariado… Não se faz barganha doutrinária com os fundamentos da democracia, nem proselitismo com o relaxamento dos direitos humanos. Essas coisas simplesmente não são aceitáveis, para desespero desta turma ocultista que aplaude e mitifica qualquer bandido assassino disposto a afrontar - e não lhes importam os meios - o imperialismo americano. (Esses tiranos, aliás, cultivam maneira estranha - peculiar, eu diria - de afrontar os EUA: torturando e matando sobretudo concidadãos)…
A verdade - a verdade, não a versão - é que as eleições no Irã se passaram em condições impróprias [fraude mesmo] para o pleno exercício democrático; o povo então foi às ruas, aos milhões, protestar; a imprensa - nem a tradicional, nem a moderna, mas a honesta - noticiou imediatamente, as imagens são definitivas, a censura não tardou [apesar do caráter transgressor extraordinário da internet], tampouco a repressão [o pau cantou e canta], os jornalistas não puderam e não podem trabalhar livremente, as pessoas estão morrendo baleadas nas calçadas, mas ainda têm canalhas que procuram, à sombra da verdade incontornável [um golpe de estado], a mentira marginal e ideológica [a impostura que suaviza!] segundo a qual tudo se trata de uma manipulação de interesses econômicos muito bem urdida pelos poderosos americanos e europeus, estes que, de resto, imperialistas históricos e eternos!, jamais poderiam abrir a boca para falar de democracia…
Eu não tenho paciência para a vigarice intelectual.
Quem procura relativizar, inclusive com passagens históricas toscas e distorcidas, a violência, física e moral, em curso no Irã, sempre dá um jeito de se ressalvar, em seguida, por “defensor incondicional dos direitos humanos” etc., como se as duas posturas fossem conciliáveis. Não são. Mas é curioso… É um vício recorrente também naqueles - e são os mesmos, claro! - que se dizem democratas sem o ser: fazem tudo pelo [e para o] contrário, justificam, com a ideologia [sempre ela], as maiores atrocidades humanas, insistem em pintar por compreensível o que é intolerável [ditaduras de esquerda], mas, ao final, claro, proclamam: “somos grandes democratas e defensores incondicionais dos direitos humanos”.
Mentira!
Não existe meio termo democrático, não há jogo de cintura em matéria de direitos humanos - e quem neles muito rebola [muito se explica] hipócrita é.
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Em tempo, afinal um assunto sério: como foi bom [emocionante] ver - no Maracanã, ao vivo - a volta do craque Petkovic ao Flamengo. O manto o veste como pele, assim como sói aos ídolos imortais.
E eu repito: o futebol - o esporte, aliás - só tem importância nesses momentos de glória.


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