por C.A. - Segunda-Feira, 15 de Junho de 2009, às 15:04

Discursando na ONU, como hoje, ou na birosca de São Bernardo, como sempre, o presidente Lula tem todo o direito - e mesmo todo o dever [em consonância com sua “biografia”] - de defender uma agenda internacional “positiva”, que invista no combate às desigualdades sociais e na redução imediata dos níveis indecentes da miséria mundial. (No mesmo palanque, justiça seja feita, FHC, todo cheio de charme, falava francês impecável, citava Rousseau como um irmão - e dizia ainda menos, bem menos)…
Com este discurso de pretensões estadistas, porém, o presidente Lula não pode tentar justificar [minimizar-camuflar] as posições brasileiras recentes - e inaceitáveis - no Conselho de Direitos Humanos da ONU. A ajuda econômica que o país presta a Moçambique e Haiti, por exemplo, não pode jamais ser lida e vendida, a não ser com má-intenção, sob os mesmos valores - imorais - que norteiam a vergonhosa omissão brasileira ante os regimes ditatoriais assassinos do Sri Lanka e da Coréia do Norte.
No primeiro caso, o Brasil socorre países paupérrimos - e nós podemos discutir apenas se, com as suas próprias e tantas misérias, teria, à vera, meios de remediar a miséria alheia.
No segundo caso, não há discussão possível - não há: Coréia do Norte e Sri Lanka são ditaduras comandadas por tiranos da pior espécie, e uma democracia como a brasileira, firmada em bases institucionais felizmente sólidas, tem obrigação de assinar qualquer termo diplomático que condene o modo inclemente como os direitos humanos são ultrajados, por regra, nestes países. (Quando se nega a fazê-lo, sim, tem de aturar, com humildade e rápida autocrítica, que se duvide - de forma contundente - do real engajamento brasileiro às questões humanitárias).
Confundir e misturar pobreza material com miséria democrática ou é ignorância ou é desonestidade. E não se pode descartar que seja as duas coisas ao mesmo tempo…
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A incompreensão profunda do que seja a reunião de países em assembléias diplomáticas como a do Conselho de Direitos Humanos da ONU resulta, a propósito das omissões brasileiras, em frases como esta, do Sr. Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Lula e dado a sabichão das relações exteriores, embora só reconheça [talvez] o próprio umbigo: “O Brasil não tem de distribuir certificado de bom ou mau comportamento para outros países”.
O Brasil, não. Individualmente, como nação, jamais - o que poderia ser compreendido como desrespeito à soberania alheia. Entretanto, uma vez que integre um conselho diplomático da ONU - e uma vez que o faça na condição de estado democrático de direito -, o país tem de adotar, acima de relações bilaterais e de interesses econômicos [desapegada de varejos, em suma], uma posição de princípios incondicional em votações sobre direitos humanos.
De resto, lamentável é que o Palácio do Planalto, sob tom infantil - bom ou mau comportamento, ai-ai-ai… - compreenda posição diplomática firme em prol da democracia por mera distribuição de “certificados”, como se condenar a tortura e o trabalho forçado fosse o mesmo que impedir a circulação de carne bovina contaminada.
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Ah, sim, o Flamengo… Os leitores me pedem - são mais de dez e-mails - que escreva sobre coisas sérias e que, assim, comente a derrota rubro-negra vergonhosa de ontem.
Quero, contudo, lembrar-lhes da regra futebolística que hoje sigo - e que só me dá alegrias: o futebol só terá relevância quando das vitórias, e então o deveremos discutir com paixão e o tratar como o centro político-social do mundo.
De qualquer outra forma, será assunto irrelevante - e irresponsável - em meio ao caos do planeta; e terei muito mais com o que me preocupar. (As finais do brasileirão de basquete, por exemplo).
Aos que insistirem no assunto - grande flamengo que sou e, portanto, acostumado tanto às glórias como à grandeza de caráter -, direi que abandonei a tevê, para não mais voltar, no instante em que o jogador Airton, com a índole de um atleta do Sport Club do Recife, pisou criminosamente num adversário caído ao chão.
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Mostrando - sem pudor algum - todo o seu desprezo pelo estado de Israel, o governo brasileiro, por meio da Embratur, mandará àquele país - no dia 18 de junho - uma comitiva em que se destaca a bateria da São Clemente…


Segunda-Feira, 15 de Junho de 2009, às 16:18
Linda a ilustração do paesano Amedeo Modigliani.
Você está ficando bom nisso, Andreazza.
Segunda-Feira, 15 de Junho de 2009, às 16:27
Obrigado, Pian. Sou fã do grande Modi.
Segunda-Feira, 15 de Junho de 2009, às 16:38
E o estado da Palestina agradece e não esquecerá, Andreazza, não esquecerá…
Segunda-Feira, 15 de Junho de 2009, às 17:39
A considerar o gosto político internacional do governo brasileiro, Olga, é a bateria da São Clemente pra Israel e a do Império Serrano pra Palestina… Porém, só por cima do cadáver!
Segunda-Feira, 15 de Junho de 2009, às 18:33
Desconsiderando a política, escritor, seria um alento e tanto a bateria do grande Império numa festa com palestinos e israelenses…Como bem diz o samba, sonhar não custa nada, ninguém paga pra sonhar, né?