por Bruna Demaison - Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 09:05
Não sou mãe, pai e, a despeito do que possa parecer algumas vezes, tecnicamente não sou mais criança. Como se já fosse pouca pressão no mundo, me vejo obrigada a ter um namorado para pertencer a alguma categoria dos que ganham presente fora do aniversário. As vitrines dos shoppings acusam meu limbo, sou uma excluída de datas comerciais. A que ponto cheguei.Proponho instituir o dia dos adultos-solteiros-sem-filhos, aqueles que não encostam a cabeça no ombro de ninguém no cinema, não sabem quanto custa um cerimonialista nem se matriculariam os filhos no Batutinhas. Pessoas que até sonham com companhia para ver um DVD, mas acham a frase “esse quarto vai ser o do bebê” uma previsão do nível de carros voarem: pode acontecer, mas daqui a muito tempo. Cidadãos cujos amigos sempre têm alguém para apresentar, ali na faixa dos 8 aos 80 anos, caras muito legais em oposição a você, exigente e chata. Trabalhadores que chegam na sexta à noite exaustos, mas saem para não ouvir que em casa só vão conhecer o entregador de pizza.
E foi por isso que o gordinho todo errado me olhou com espanto só porque respondi que estou solteira desde que me entendo por gente. Bruna, não hostiliza o gordinho, amanhã ele te encontra nessa mesma boate com vinte quilos a menos e você vai ser bem pouco sarcástica, não reparou que os galãs do colégio viraram gays? “Me separei”, o bobo se vangloria. Ajudou o exército dos descasados a bater a marca de 10 milhões, gastou um casamento pra chegar ao mesmo lugar que eu e agora questiona meu estado civil: “mas você não vem sempre aqui”. Não, querido, nem você pode me conhecer melhor, nem a minha roupa ficaria perfeita no chão do seu quarto, nem sou a mulher mais linda que você conhece e é óbvio que não vai acontecer nada que eu não queira, não tenho quinze anos nem você é um estuprador. “É por isso que está solteira”. (Pode dizer, você também pensou isso).
No mais perfeito comercial de Havaianas o cara volta do mar e vem conversar enquanto o sol seca aquele corpo dourado. Não é o clichê de ser burro, só que para o conteúdo estar à altura daquela forma a escultura deveria compor o “Samba de Orly” de improviso. É cruel mesmo, tanto quanto o olhar deles no nosso doce balanço com celulites a caminho do mar. E não é preguiça porque homem bonito dá trabalho, é que eles não se esforçam, você já se jogou em cima no “tudo bem”. Tem o outro que é tão bonzinho, mais fofo seria seu urso de pelúcia. E o terceiro te acha legal, mas adverte que “você escolhe mal seus namorados. E homem não gosta de mulher independente, assusta. Parece mal-amada”. Na torcida ao lado estão todos os seus amigos que tanto te amam de joelhos implorando para você dar mais uma chance ao rapaz. Ser solteira exige paciência, fé e bom humor.
Até que você desiste, não tem mais festinha da moda nem salto alto, é All Star, cabelo molhado, aipim frito com chope à meia-noite de um domingo qualquer onde destilar todo o seu humor negro na mesa mais confortável do Jobi é bem mais interessante do que ser fatal em uma boate esfumaçada. Aí ele reorganiza os lugares e senta ao seu lado, demora uns segundos a mais te olhando enquanto ri, faz piada sobre o número de vezes que você disse que ia dormir. E ele não é feio nem bonito, burro nem inteligente, galinha nem carente, ele é ele, e faz você precisar ser só você.


Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 11:02
Não vai adiantar o gordinho emagrecer 20 kilos, ele vai ficar bonito e vai dar trabalho…. Pode continuar sendo sarcástica!
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 11:39
Adorei Bruna!!!!
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 15:35
A conclusão que chego é que você, na verdade, ia adorar ter um ombro para encostar sua cabeça no cinema.
Super normal, Bru.
E te confesso:
Eu também.
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 17:32
Adorei, Bruna! Agora que sou solteira me identifico ainda mais com seus textos.
Cada vez melhor!
Bjs
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 19:02
Sob o risco de ser chamada de metida, por meter onde não fui chamada, gostaria de registrar que acho o assédio do Pian, exceto pelo “Bru” (tenho uma certa antipatia por essas partículas nominais), quase sempre, uma graça. Tamanha insistência não deveria passar, assim, em branco, impunemente. Apenas uma opinião, por favor!
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 20:21
Olga,
na verdade “Rodrigo Pian” é um pseudônimo que eu uso para que meus textos sempre tenham comentários!
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 16:48
Adorei, Bruna.
Fiquei até meio envergonhado.
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 02:18
Sempre que estiver na mesa mais confortável do Jobi você me chama?