por C.A. - Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 10:06

Lamento - lamentei imediatamente - que não nos tenhamos lembrado de bater ao menos uma foto, o que repararemos, sem dúvida, no próximo encontro.
Ora importa apenas registrar que ontem, domingo [7 de junho], precisamente às 11h58 - no Bar do Chico, à esquina das ruas Afonso Pena e Pardal Mallet, no glorioso bairro da Tijuca - sentei-me afinal à “Mesa”, onde estavam, vencidas já algumas Brahmas mofadas [e um grande casco de Quilmes, que cheguei a tempo de dividir], o bardo Luiz Antonio Simas [que vestia as cores do poderoso Colo Colo de Ilhéus, campeão baiano de 2006], o atleta Luiz Carlos Fraga, em grande forma [veio pedalando desde Ipanema!], Felipinho Cereal, envergando a mais linda das camisas de clubes de futebol do Brasil, a do seu América, e Eduardo Goldenberg [do incontornável Buteco do Edu, aqui], a quem, apesar da boa amizade plantada-cultivada por esta rede internética, ainda não conhecia, e que esteve a me receber, sábio e generoso anfitrião que é, aos tragos dum conhaque e sob o manto-sagrado do Clube de Regatas do Flamengo.
Foi um baita prazer; e ainda mais, pois que surpreendente, uma vez que a “Mesa” é dinâmica e logo chegaram Leo Boechat e, pouco depois, Bia, a sobrinha do Simas, três anos de idade e todo o interesse do mundo em ouvir, como ela mesmo dizia e pedia, “histórias de muito tempo atrás”… Irresistível, senhoras e senhores. E então ficamos sabendo como São Jorge foi parar na lua; e como o telefone foi inventado em Pipa, Natal-RN. (Irresistível também esteve a carne-de-sol fatiada, com aipim, que nos foi fartamente servida).
Saí de lá, pouco antes das 16h [terá sido mais tarde?], já um tanto comovido, certo de que vivera uma tarde importante, lembrando histórias mil, nossas e alheias, contando memórias do futebol [este assunto máximo!] e cantando sambas-enredo supremos - “Xica da Silva” do Salgueiro, por exemplo. (Saí de lá e, já no carro, lembrei-me de outra fabulosa tijucana, a nossa tribuneira Olga, a olímpica!, e imaginei que ela ficaria feliz em saber deste domingo radiante; e desde já a quero convidar, com a licença dos anfitriões, para o nosso próximo encontro).
Por fim, conforme versa a lenda, segundo a qual à “Mesa” se tomam as maiores decisões desta cidade, de lá saí também com um furo de reportagem [que ainda me emociona, tantas horas já passadas!], este mesmo que dá título ao texto: sim, mestre Luiz Antonio Simas [autor do melhor blogue do Brasil, aqui], inspirado pelo enredo extraordinário que homenageará o cronista João do Rio em 2010 [o escritor Marcelo Moutinho dá mais detalhes sobre o tema, aqui], fará um samba-enredo para o concurso do Império Serrano, escola do seu [do nosso] coração, e nos chegou mesmo a mostrar [tinha os olhos marejados], num guardanapo que levava ao bolso, os primeiros esboços [e a sinopse sequer existe!] da obra definitiva que, estou seguro, será ainda melhor que a maravilha [derrotada, infelizmente] que compôs para o Salgueiro em 2009. Eu acredito.
Ao querido povo da gloriosa Tijuca, o meu fraterno abraço - e a certeza de que voltarei, em breve e muitas vezes.
Pós-escrito [às 15h14]: dois leitores me cobram que escreva sobre a derrota, vergonhosa, do Flamengo [no pior estádio do mundo, a Ilha do Retiro, a ser urgentemente demolida, contra o pequeno Sport de Recife, o clube mais sem caráter e oportunista do planeta, de resto comandado pelo desprezível Emerson Leão, o goleiro que mais levou gols do Flamengo em todos os tempos]; e eis então a prosa, leitores, apenas a reforçar o trouxa imoral que sou: quando me vou já convencendo de que temos um bom time, sou logo alertado - pelos próprios jogadores, os mesmos de sempre [Leonardo Moura e o arqueiro Bruno à frente] - para o evidente de que os futebolistas rubro-negros de hoje formam, com poucas exceções, um conjunto de frouxos destinado ao ridículo freqüente, que a paixão e um tri-campeonato estadual [vulgar] podem até enganar por um tempo, mas nunca para sempre.


Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 10:18
Que grande notícia. O Grande Simas, o Império e João do Rio.
Um grande momento, com certeza.
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 12:01
Andreazza: foi, de fato, uma manhã maiúscula, e a mesa ganhou muito com sua presença, pela qual - confesso - eu ansiava já há algumas semanas. Saiba que minha partida para o não menos glorioso Bar Varnhagem, por razões, digamos, profissionais, sem me despedir de você, foi uma forma de driblar o Tempo para que sua próxima presença, em brevíssimo (espero!), seja apenas a continuação daquelas tratativas indispensáveis para que a vida tenha mais graça e mais sentido. Recebê-lo na Tijuca ao lado de gente tão querida e fundamental foi, quero deixar o registro, uma grande honra. Fortíssimo abraço.
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 12:16
Edu, obrigado pela recepção de gala; também eu, faz tempo, esperava por este encontro. Gostei imensamente do Bar do Chico - a cerveja esteve em grande forma! - e terei dificuldade em conhecer outro estabelecimento tijucano. Sou obsessivo, do tipo que pede sempre o mesmo prato, e o Bar do Chico parece já entrar neste meu caráter persistente-permanente. É claro que voltarei, em breve e muitas vezes, ao glorioso bairro da Tijuca, seu, do Simas e da nossa querida Olga, em quem muito pensei no caminho de volta pra casa. Obrigado, Edu!
(Confesso que esperava algum comentário seu acerca do samba-enredo imperiano do Simas).
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 12:25
Andreazza: por partes, por partes…
01) fiquei - confesso que esperava algum crédito seu acerca da fotografia do Simas, de minha autoria!, e como é bom saber que minhas imagens são reiteradamente utilizadas neste grande espaço da grande rede!!!!! - imensamente feliz sabendo que você sentiu-se em casa. Não fôssemos nós, também, obsessivos, e não estaríamos lá, domingo após domingo, domingo após domingo, na mesmíssima esquina, na mesmíssima mesa, servidos dos mesmos pratos e bebendo aquelas variedades todas (cerveja, Domeq, capivodka de maracujá, água com gás…), sempre as mesmas;
02) - fiquei, confesso também, com uma ponta de inveja por não ter sido eu o autor do furo (faltou-me tempo e a bem da verdade achei que você, imperiano de fé, deveria dá-lo primeiramente). Fiquei extremamente feliz também porque, salvo engano meu (tenho essa incorrigível tendência ao egocentrismo), fui eu que sugeri, com o indicador apontado em direção à careca do grande Simas, a feitura do samba que é campeão desde já (sou imparcialíssimo, como sabes). E eu me lembro de ter dito, também, que sairia de um dos bolsos daquela bermuda mágica (a mesma de todos os domingos) o esboço da letra. Foi ou não foi?!
03) quanto à recepção, meu caro, não foi minha: foi da Tijuca, da mesa, do Chicão, do Chico, do Antônio, do sr. Pardal Mallet e do dr. Afonso Pena. Abração!
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 12:27
Não poderia esperar outra coisa. O enredo e o autor - o compositor! - parecem ter nascido um para o outro. A lamentar: o não convite para reunião de tão alta estírpe.
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 12:39
Edu, o crédito da tua foto, claro, já está dado. (És um fotógrafo tão profícuo, quase um Augusto Malta, que a questão do crédito às vezes se torna complicada).
E falaste a mais pura verdade: foi você quem puxou, de maneira enfática, a campanha pelo samba-enredo imperiano do Simas, a que logo aderimos, em seguida ao quê, de início especulando, você descobriu, para comoção geral, que o bardo de fato carregava ao bolso os esboços da obra que apresentará, em breve, ao povo de Madureira.
Esperemos, então, por que ele se pronuncie - o novo Silas!
Abraço forte!
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 12:42
Marcelo, meu caro amigo, foste longamente citado ontem - e o não-convite deveu-se simplesmente à nossa especulação de que você estaria muito enrolado com os afazeres do Viradão. Como outros domingos virão, a tempo corrigiremos a falha e você poderá ir à forra conosco.
Abraço imperiano!
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 15:28
Poxa, me sinto traída. Estou roxa de ciúmes e de inveja. Tremendo clube do bolinha!!!
Andreazza, não adianta esse papinho vagabundo de “da nossa querida Olga, em quem muito pensei no caminho de volta”. Vai catar coquinho, tá!
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 15:30
Poxa, Olga: já lhe fiz, publicamente, o convite para o nosso próximo encontro ao Bar do Chico… Isto não me servirá de atenuante?
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 15:58
Não!
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 16:02
Encontro dos mais antológicos, Andreazza.
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 16:06
Andreazza, querido, brincadeiras à parte, deu uma dorzinha mesmo sabê-lo ali no meu tão querido bairro e não estar presente. Ainda mais quando imagino que não foi pouco o que perdi. Mas, tudo bem, fica pra uma próxima. Porque eu, igualzinho ao compositor, “ando sempre louca pra perdoar”…
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 16:06
É verdade, Bezerra; e agora me lembrei de que cantamos, Simas, seu irmão Alexandre e eu, o samba, tão esquecido quanto lindo, com que o Império Serrano desfilou no nem tão distante carnaval de 1993 - “Alô, alô, taí o Império/Mudou, mudou, foi um caso sério/Foi tropical, não teve demanda/Deu Carmen Miranda no meu carnaval”…
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 16:11
Olga, saiba que teu bairro me recebeu de maneira inesquecível; e que eu não costumo abrir mão de companhias como as de ontem, de forma que, quando a “Mesa” tocar reunir novamente, serás convidada a comparecer - você e Moutinho.
Aliás, foi a cantarolar “Vem, vem ouvir/O Império tocou reunir” que Eduardo Goldenberg lançou a pedra-fundamental do que resultará, pelos brios, na construção do samba-enredo imperiano de Luiz Antonio Simas.
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 16:48
C.A.,
Permita-me rápida observação ao pós-escrito: ladeia os calhordas citados, Bruno e Leonardo Moura, o tal de Juan, que não joga absolutamente nada e se acha craque; quanto ao Sport, faz-lhe indispensável companhia o abjeto São Paulo.
Saravá!
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 21:36
Que sacanagem! Nao destruam, queridos, meu casamento. Mais uma aventura dessas de samba-enredo e a Candida vai de mala e cuia para a terra dos índios Goitacá.
De qualquer forma,e a despeito dessa rematada loucura do samba, foi mesmo uma tarde da maior qualidade. A Bia, quero crer,foi o grande destaque.
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 23:19
Luiz Antonio Simas, faça como o ministro Joaquim Barbosa: ouça a voz das ruas - ouça o povo do Império Serrano - e venha a Madureira defender, em samba, a escola do seu coração!
O Império, meu caro, tocou reunir. Sei que você não passará alheio a este chamado.
Forte abraço e obrigado pela inesquecível manhã-tarde de domingo.
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 23:29
Andreazza: deixa quieto, deixa quieto. Candida Carneiro, de Campos (e quando eu escrevo isso me lembro, agudamente, da escrava Isaura), JAMAIS (com a ênfase szegeriana) se aborrecerá com o fato de ter seu bom marido (note como defendo os meus com denodo e fé) disputando samba em Madureira. A modéstia do careca fala mais alto nesse primeiro momento. Mas vá por mim: a primeira do samba já está pronta. E ele, o tijucano fundamental que é o menino de Nova Iguaçu, fanático pela Conga e pela mulher loura dos banheiros de nossa juventude, estará diante de São Jorge, no imenso cenário que é Madureira, disputando a honra de ter seu hino cantado na Sapucaí. Tome nota!
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 23:42
Edu, confio na sua leitura e na sua experiência com o nosso bardo; e estou seguro de que plantamos, ontem, a idéia, urgente, no imperiano Simas - e sei que, a esta altura, ele já investe nos versos da segunda parte do samba.
A querida Candida, que deu ao Império Serrano a honra de desfilar duas vezes sob sua coroa [em 2008 e 2009], decerto que compreenderá o momento histórico que se avizinha e conosco estará, na gloriosa quadra da Edgard Romero, sob os cuidados de São Jorge, a defender o samba de seu brilhante marido. Eu tomo nota e faço fé!
Forte abraço!
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 09:39
Grande Carlos, que manhã de domingo. É sempre assim, cada vez melhor. Ainda teremos o Dicró na mesa conosco, estou tentando marcar um dia. Quanto ao Simas no Império, seria bagunçar o coreto mesmo. Então, que venha o Simão!
Abraço.
Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009, às 12:10
Felipinho, obrigado pela excepcional recepção de domingo. Foi uma baita manhã tijucana, com as melhores companhias do pedaço!
Forte abraço imperiano!