por C.A. - Quinta-Feira, 28 de Maio de 2009, às 11:19

O incansável João Paulo Duarte, sempre vigilante às verdadeiras coisas do Rio de Janeiro, escreve-me para dar conta de que o deputado estadual Glauco Lopes [um desconhecido até ontem, mas que tem se especializado em lambanças ilustradas nesta Casa - aqui, por exemplo] apresentou à Alerj [e teve aprovado, já em segunda discussão] um projeto de lei que, caso sancionado pelo governador, perpetuará-eternizará - mas num arquivo de imagens fotográficas! - edifícios e logradouros públicos, inclusive os de valor histórico e arquitetônico, que passarão por intervenções urbanísticas [eufemismo para adulteração e, não raro, demolição] do estado…
Atentem para a justificativa - de pretensões delicadas - do projeto de lei, onde à estupidez:
“A criação de arquivos que registrem as alterações no território estadual permitirá a perpetuação da memória visual do território fluminense, o que, no futuro, certamente será de grande importância para a pesquisa histórica”.
É isso mesmo, leitor tribuneiro - a barbárie!
E tenho mesmo ganas de sangue quando leio, mormente se ao lado de falsas preocupações [eles pouco se importam com “a pesquisa histórica” e, de resto, não há “futuro”], expressões construídas para dissimular a vileza do que significam - “alterações no território estadual”… O que significa, à vera, tamanha vigarice? A serviço da especulação imobiliária e dos interesses econômicos do estado - nada a ver com urbanismo etc., portanto -, aterrar a história material do Rio de Janeiro. (Avento se não há novos templos evangélicos por trás disso)…
Direto ao ponto: em vez de reformar e preservar fisicamente - alô, Inepac! -, vamos documentar [tudo digitalizado e à disposição do povo!] construções e locais que serão destruídos em seguida.
“Memória visual”, deputado? Memória visual é o cacete!
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E vou mudar radicalmente de assunto [talvez nem tanto] para registrar a minha perplexidade ao parar, hoje bem cedo, diante de uma banca de jornal e me dar, em todos os periódicos - e não só os sensacionalistas - com a notícia, agressivamente tratada por verdade, de que o senhor DJ Marlboro teria abusado sexualmente de uma criança de 4 anos. (Não boto a mão no fogo por ele, claro; mas a cousa me parece tão improvável, sob tão forte cheiro de oportunismo, chantagem etc., e ainda tão criminalmente inconsistente)…
A questão que não me sai da cabeça é a seguinte: e se não for verdade?; o que sobrará deste senhor, o que sobrará, em que pese já ser funkeiro, de sua reputação?
Que jornalismo é esse?
Nota de rodapé, a propósito: acerca do jornalismo sensacionalista - e do descasamento entre conteúdo jornalístico e manchete - recomendo o excepcional artigo [aqui] que o filósofo José Luis Pardo teve publicado no El País de terça-feira [26/05], “Las garrafas y el vino del periodismo”.
Nota de rodapé II, quando a irrelevância jornalística serve, sem querer, ao jornalismo investigativo e de denúncia: o terrível site Ego, da Globo.com, noticia, em destaque [aqui], o passeio que o simpático casal Grazi Massafera e Cauã Raymond deu hoje de manhã pela bela e distante Prainha [Zona Oeste do Rio], ressaltando que o fizeram, sem embaraços, na companhia de três graciosos cães, em nenhum momento atentando [Ego desconhece a lei, claro] para a infração pública grave que é, nesta cidade, levar animais para a areia.
Como a farra está fartamente documentada em fotos [o material orgulharia o deputado Glauco Lopes], esperamos que o secretário municipal de ordem pública Rodrigo Bethlem - talvez se valendo dos serviços do excepcional executivo da municipalidade Rodrigo Pian - tome providências e, a partir da denúncia ao acaso de Ego, enquadre este casal ainda impune.
Ou a lei só vale para porco desconhecido?


Quinta-Feira, 28 de Maio de 2009, às 12:09
Triste, Imperiano.
Triste é o retrato do jornalismo brasileiro.
A nossa imprensa é porca.
Peguetes e ex-peguetes de jogadores, famosos e semi famosos, essa ode ridícula ao glamour de quem se acha personalidade…
É lamentável.
Já quanto ao projeto de lei do Glauco, sinceramente, acho irrelevante.
Quinta-Feira, 28 de Maio de 2009, às 13:09
Pian neles!
Quinta-Feira, 28 de Maio de 2009, às 13:36
Imperiano,
A prainha, infelizmente, não está sob a jurisdição da Subprefeitura da Zona Sul, órgão do qual me orgulho (muito!) em fazer parte.
Tenho certeza que a denúncia aqui exposta chegará aos ouvidos e olhos do nosso secretário Bethlem.
Mas esse é um problema enfrentado em toda nossa orla.
Aqui no Parque do Flamengo, por exemplo, nos debatemos diariamente com essa situação, onde cachorros fora da guia circulam na areia e áreas inadequadas, deixando loucos os pouquíssimos (e heróicos!) 12 guardas municipais da Décima Primeira Inspetoria.
Moradores de áreas valorizadíssimas como Praia do Flamengo, Rui Barbosa, Oswaldo Cruz (não o reduto da Gloriosa Águia, mas a rua do bairro) são os principais responsáveis por esse tipo de infração.
Uma questão de educação, certamente.
Some-se também 16 anos de permissividade e temos este resultado.
A lei, meu amigo Andreazza, vale para todo mundo.
(…)
E aproveito para agradecer o “excepcional executivo da municipalidade”.
Nosso trabalho apenas começou.
Continue cobrando e fazendo com que, cada vez mais, outras pessoas também o façam.
Abs
Quinta-Feira, 28 de Maio de 2009, às 18:09
CA, sempre te elogio, mas agora critico: não dê espaço a esses canalhas. Esse aí, de quem eu nunca ouvi falar, ganhou até foto. Ao menos, se for invitável falar dessa gente, coloca outra foto da Petkovick.
Quinta-Feira, 28 de Maio de 2009, às 19:16
Essa lei não vale nem pra porco desconhecido. Os cachorros circulam pelas praias da zona sul e zona oeste, tranquilamente…Pelo menos era assim até o verão passado.
Quinta-Feira, 28 de Maio de 2009, às 19:36
Porque falta um pouco de educação.