por C.A. - Quinta-Feira, 28 de Maio de 2009, às 09:45

A Venezuela - fui cético de início a respeito - caminha, sim, célere [e com apoio financeiro do Brasil], à ditadura. Exemplos de desequilíbrio democrático não faltam, institucionais sobretudo [parlamento e judiciário enfraquecidos, sucateados e marginalizados, oposição criminalizada, reeleição presidencial ilimitada…], mas é sempre sobre a liberdade de expressão que a cousa pesa primeiro e se exibe mais rapidamente.
Ontem, pois, em Caracas, ainda no aeroporto, o escritor peruano Mario Vargas Llosa, retido [com passaporte confiscado] por mais de hora à alfândega, foi formalmente advertido - por, atenção, policiais - de que não poderia dar declarações políticas enquanto permanecesse no país. (Disseram-lhe que seria melhor assim)…
A presença, sintomática, de agentes da polícia - quero me aprofundar nisso - numa ação de censura prévia, de restrição à liberdade de expressão, deve ser entendida, à luz [à sombra] do que se passou no regime militar brasileiro, exatamente pelo que é: a admissão de que já se vive num regime de exceção; e a senha-liberação para que, não tenho dúvida, a participação policial resulte e se consolide, cedo ou tarde, em [mais] corrupção, violência [tortura] e morte, porque é assim que acontece quando se delega poder de arbítrio à ponta mais distante - e afinal incontrolável - da lei.
Sabe-se como o enredo começa, repressão superficial aqui e acolá, mas nunca se sabe exatamente como termina, embora sempre - sempre - muito mal.


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