por C.A. - Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 12:17

Fui ver o filme - apenas bom [a participação brilhante de Chico Anysio assegura os melhores momentos] - sobre Wilson Simonal, “Você não sabe o duro que dei”. Um baita cantor [capacidade vocal extraordinária e absoluto domínio da platéia], a serviço de canções mais ou menos irrelevantes [mais para menos], não raro controlado-deslumbrado por pilantras espertos como Carlos Imperial.
Aos que lhe cobrassem, de início, militância afro-descendente [e engajamento político, depois], houvesse um pouco de razão-reflexão, um pouco de atenção à figura, ouvi-lo cantar bastaria ao desencorajamento imediato: Simonal era negro e pobre, condições que, entretanto [o imperdoável!], nunca explorou, felizmente; filho de empregada doméstica, comeu o pão que o diabo amassou [com os pés], mas ascendeu pelo talento, pelo trabalho também, sem cotas, e desenvolveu, em doses iguais e altíssimas, horror pela miséria [que tampouco, felizmente, chorou] e interesse, sempre assumido publicamente [com destemida, e talvez ingênua, franqueza], pelo poder [não pelos poderosos, que jamais conheceu]; era inteligente a certo modo, carismático de forma única e marrento quase à estupidez; fazia shows [incêndios, na verdade] como ninguém, vendia discos como ninguém [e desprezava a crítica…], enriqueceu como poucos e gastou a porra toda em carros, bebidas e mulheres - não nesta ordem.
Era um alienado contumaz - ignorância cujos efeitos, se existentes, seriam [deveriam ser] de todo pessoais. Não estava nem aí… Talvez não fosse o melhor dos caráteres [estava mais para um sujeito amoral], decerto que não era confiável [num tempo de acirradas desconfianças], sem dúvida que foi irresponsável e perdulário - mistura que, somada à truculência delegada, resultou no erro, gravíssimo, que afinal lhe ferraria a vida, ao mandar surrar barbaramente, por agentes do DOPS [que conhecera nas ruas; jamais formalmente], um contador que, supunha, roubava-lhe longamente.
Era o fim…
Simonal valeu-se, imbecil e covardemente, de suas relações com a pilantragem, de seu conhecimento boêmio entre a nata da vagabundagem burocrata [baixo-clero da cana-dura mesmo], crendo na impunidade de sua fama e no velho “você sabe com quem está falando?” brasileiro - pelo quê, nos termos estritos da lei, deveria ter sido punido exemplarmente; e só. Nunca foi, porém, informante do SNI etc. e jamais passou por alcagüete da polícia. Era artista demais e, sobretudo, fanfarrão demais pra isso; egocêntrico de maneira a jamais [poder-saber] reparar na atividade subversiva alheia, ainda que fosse [não era] capaz de reconhecê-la…
O negócio dele era ele mesmo; era rosetar, farrear malandramente, comer as loiras todas, e ninguém tinha nada com isso.
Ninguém teria nada com isso, não houvesse no mundo canalhas [patrulheiros do engajamento; hoje, aliás, mui bem recompensados pelo erário petista] como Ziraldo e Jaguar, que, por meio do Pasquim - onde se decidia-estabelecia o bem e o mal -, transformaram, sob propaganda inclemente, às vezes racista, um tipo de caráter duvidoso, normalmente falho [um babaca, vá-lá], que cometera desvio grave [mas pontual], num elemento de alta periculosidade alinhado aos ditadores-torturadores e que, pasmem!, delatava tudo e todos, directamente, ao presidente Médici, com quem tinha linha exclusiva…
Wilson Simonal, sujeito apolítico, foi bode-expiatório para a covardia, lápis-de-cor em riste, de valentões de Ipanema e Leblon, do Antonio’s!, como Ziraldo e Jaguar. (Ziraldo, ele mesmo admite em eufemismos, definia o inimigo, maquiavelicamente como sói aos intelectualmente rasteiros e rapinas, e este era então o diabo, o sete-peles absoluto, desprovido de humanidade - e se era o inimigo, ora, nesses termos do mal!, não bastava uma banda, não bastava derrubá-lo, abalá-lo; tinham de lhe meter a pernada e, uma vez ao chão, cravar-lhe a estaca fundo, no peito, a matá-lo, sempre com sucesso; a causa revolucionária, como ainda hoje, valia)…
Simonal, abandonado até pelos mais amigos [quase todos], teve a reputação arrasada, a carreira encerrada-negada - o Judas, segundo Ziraldo, o inquisidor! - e restou, até morrer [aos 62 anos, de cirrose hepática decorrente do álcool], no limbo destinado, pelo cristianismo vermelho, ao delator. Foi apagado da história da música popular brasileira, deixando de ocupar o justo espaço - certamente não o imaginado, à linha de frente, pelos realizadores do filme - que lhe é devido, secundário [com generosidade] no todo, importantíssimo a um certo breve período, mas que é dele, merecido, apesar de canalhas debochados, inescrupulosos, rancorosos e vingativos, gente perigosa, como Jaguar, o vencedor afinal, hoje se embriagando ridiculamente sob o soldo, imoral, da bolsa-ditadura milionária que lhe pinga a União.
A história do Brasil, leitor tribuneiro, com raríssimas exceções, tem sido escrita - tirem as criancinhas da escola - por gente da laia de Ziraldo e Jaguar. E não; não poderia ser pior.


Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:13
Andreazza,
São inacreditáveis os relatos do Jaguar e do Ziraldo no filme. Babaquice de marca maior, chega a dar raiva. O fim do Pasquim foi enriquecer essa gente com o dinheiro público, sem que eles tenham sofrido algum ataque dos militares (nenhum!), o que aumenta ainda mais o meu desprezo e alimenta minha vergonha por eles serem jornalistas (eles são?).
Sua abordagem é perfeita, meu amigo; o filme mostra bem a incrível voz, inigualável presença e o “impulável” carisma do grande Simonal. Sem pretensão, popular sem precisar apelar pras origens.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:46
João Paulo, eu acho o Ziraldo e o Jaguar dois chatos. Mas vamos com um pouquinho de calma nessa história de que “eles não sofreram nenhum ataque da ditadura”. O Ziraldo foi preso três vezes. Se isso é não sofrer nenhum ataque dos militares, como diria o torcedor do Fluminense, eu sou um astronauta.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:50
Os relatos do Jaguar e do Ziraldo são as coisas mais cafajestes dos últimos tempos. Porque errar é inerente ao ser humano(os tempos eram difíceis, ditadura braba, muito medo e desconfianças), mas reconhecer o erro e se arrepender somente os homens de alma grande. Jaguar e Ziraldo não demonstraram arrependimento por tão cruel e implacável perseguição. Mais cruel ainda quando se constata que ao grande artista Simonal não foi dado o direito de errar. Não lhe perdoaram, principalmente, o talento. E que talento! Lembro-me do quanto fiquei comovida ao vê-lo num programa de televisão, acho que pouco antes de morrer, bêbado e humilhado. Tremenda covardia.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:50
C.A, o Simonal é uma figura que me lembra um pouco o Romário. Quando ele veio jogar no Flamengo, em 1995, eu lembro de ver muita gente mobilizada contra aquele “marginal”, “mau exemplo”, “malandro”, “safado”, etc.
Era uma reação clara ao fato de ele ser mulato, de origem pobre, rico, irreverente, pegar louras e não dar satisfação a ninguém por isso.
Ele nunca fez questão de agradar, falava o que queria, comia quem queria e pronto. Nunca pediu desculpas por ter enriquecido.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:59
João Paulo, posso deduzir, então, que você certamente não tem vergonha de jornalistas como Lauro Jardim, Ali Kamel, Eurípedes Alcântara, Merval Pereira, Ancelmo Góis, Melchíades Filho…
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 15:26
Secchin, há canalhas de todos os lados e inclusive de lado nenhum. Devemos desprezá-los todos; e lhes ter vergonha, sempre.
Não estou defendendo o João Paulo; ele não precisa - mas é que qualquer um pode criticar os cafajestes Ziraldo e Jaguar sem estar compulsoriamente elogiando Merval Pereira etc. Você é um cara inteligente etc.; não precisa entrar por este caminho mais fácil, né?
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 16:00
Andreazza, estou gostando muito das suas intervenções nas fotos dos posts. Vi agora a “Jaguar e Ziraldo - o sorriso dos que não têm arrependimentos”.
É exatamente isso que faz o troço ficar mais perverso, não há arrependimentos.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 16:37
São canalhas sem coração, querida Olga; e muito mais perigosos que aqueles que pegaram em armas…
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 16:40
Deveriam estar presos - no fundo da privada, evidentemente. E que a bosta me perdoe.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 17:19
Secchin, reafirmo que Ziraldo não passou por nada. Sempre foi medroso e dedo duro.
Desculpe, mas não vou debater falácias. Eu achar Ziraldo e Jaguar uns babacas não me obriga a achar nada de ninguém. Isso não tem o menor sentido.
O Pasquim foi uma vergonha.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 22:05
Amigos,
Com grande alegria, informo-lhes que os tribuneiros agora têm companhia virtual, ainda que bastante tímida, mas por encorpar-se:
http://tribunadojobi.blogspot.com
Sintam-se convidados. O primeiro chope é por nossa conta!
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 09:51
Se hoje gosto de ler, devo muito (muito!) ao Ziraldo.
Seus livros foram a companhia da criança anacoreta, velha e enjoada que sempre fui.
Maluquinho, Quadradinho (este principalmente), Jeremias o Bom, Flicts e tantos outros…No meu caso, verdadeiras portas de entrada para Bobbio, Nelson Rodrigues, Schopenhauer, Dostoiéviski, Machado e tantos outros autores que vim a conhecer ao longo da vida.
Mas a verdade é que também me envergonha muito a mesada que eles ganham da União por nada.
Fico feliz em ver jornalistas como vocês - neo-reacionários estilosos, sem medo da própria opinião, com esplêndido controle da arte da bravata - formarem seus conceitos sem esse ranço maldito desses pseudo-guerrilheiros de antigamente.
Não serei eu a condenar por completo o Pasquim. Porém, não serei eu também a exaltar esses tempos com esse saudosismo babaca e hipócrita.
Esta casa, ao meu ver, é um sopro de esperança para a opinião carioca, cansada desses wannabes de Zózimo Barrozo do Amaral.
Um brinde de maracujá do Embalo a todos vocês!
Rodrigo Pian
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 10:04
Pian,
Gostei muito do seu posicionamento.
Mas se dependesse do Ziraldo eu nunca ia gostar de Literatura. Eu só vi que a parada é boa após ler “Capitães da Areia”, o que me causa orgulho.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 11:45
Meu grande amigo grande João Paulo,
O Zira, devo confessar, foi importante por demais na minha vida literária.
Mas a sua referência foi sensacional.
Lembro-me bem agora: eu, seu irmão Marcão e nossos colegas de sétima série inaciana, num inesquecível tropel juvenil, a comentar em êxtase as páginas que continham a maravilhosa cena de sexo anal das areias soteropolitanas.
Tudo para manter a “donzelice”.
Fundamental para a formação de um cidadão brasileiro.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 12:27
Não sabia que areias soteropolitanas tinham ânus, Pian, mas essas páginas são inesquecíveis! Mesmo para aqueles idiotas que só liam os resumos desses livros e assistiam à peça, no Shopping da Gávea, com o nosso inesquecível Vitor Hugo e o neo-Garrincha, André Gonçalves!
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 12:40
Polêmicas a parte, eu achei o filme incrível: bem feito, envolvente, alegre até o ponto que tem ser alegre, comovente quando tem que ser comovente … E acho que por ser um filme que fala da música brasileira já vale a pena a ida ao cinema.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 12:53
Mas, Leticia, o mais importante é a polêmica!
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 13:42
Me perdoe, Letícia.
Mas de qual filme você se refere?
(…)
E Andreazza, estou contigo: nada pode importar mais do que a polêmica.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:00
Desse mesmo filme Rodrigo, ainda bem que no mundo tem pessoas mais leves, com opiniões menos radicais, não ?
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:13
Leticia, a despeito de nossos exageros e polêmicas, não deixei de dizer que o filme é bom; aliás, principalmente pelas participações do Chico Anysio e do Miele, e pelos momentos em que Simonal canta, mormente aquele ao lado da Sarah Vaughan… Grande!
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:16
O Pasquim pode ter errado no radicalismo, no fundamentalismo, nas perseguições irresponsáveis. Mas o Pasquim, não devemos esquecer, teve grandes colaboradores: Henfil, Ruy Castro, Paulo Francis, Fausto Wolff, Rubem Fonseca… E fez parte, sim, de uma imprensa resistente e corajosa, numa época difícil demais. Inclusive com suas críticas aos costumes com um senso de humor extraordinário. Nisso num tempo em que ter opinião podia levar à prisão, à tortura. Portanto, o meu repúdio será sempre ao extremo irresponsável, ao injusto, ao cafajeste-cretino e, principalmente à censura, vinda de qualquer lado.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:25
Olga, sem querer te fazer reparos, apenas registro a minha convicção de que o talento sempre prevalece; e que Ruy Castro, Paulo Francis, Rubem Fonseca etc. teriam brilhado, igualmente [certamente mais!], sem Pasquim.
De uma maneira bem manjada [metódica mesmo…], os que hoje sugam o Estado em bolsas-ditadura, sugavam deles - do Francis, do Ruy, do Zé Rubem - a qualidade para existir… Ziraldo e Jaguar sempre foram empreendedores do talento alheio, que acho mais bonito que lhes dizer gigolôs…
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:33
Letícia,
Na hora fiquei na dúvida e achei até que você estivesse se referindo ao filme “Capitães da Areia”. (Até pesquisei na internet e acabei descobrindo que o filme realmente vai sair).
Quanto à necessidade da polêmica, digo apenas que este é um belo meio de iniciarmos uma discussão de qualidade.
As opiniões, leves ou pesadas, são sempre bem-vindas, Lê! O que (sempre!)vale a pena é o debate, a argumentação.
E vou ver se consigo assistir o filme.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:53
Andreazza, concordo que a bolsa-ditadura seja uma excrescência, uma coisa vergonhosa, mas não concordo que falte talento ao Ziraldo.
E, só pra esclarecer, nem ao menos insinuei que os citados talentosos são grandes por conta do Pasquim. Ao contrário, o Pasquim foi grande por conta do talento deles.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:55
“Flicts” é o clássico absoluto da minha infância. No fundo, vale aquela velha história: “Mesmo que os poetas sejam falsos, serão bonitas as canções”. O grande tricolor Chico sabe das coisas.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:58
Olga, veja os nomes que citou com mais cuidado e perceba que nenhum deles pode ser comparado a esta estirpe de babaca. Apesar de terem passado pelo Pasquim.
Quer dizer, não acho o Henfil babaca, mas ele é uma espécie de Renato Russo do cartunismo. Fez muito menos do que merecia para ser lembrado como gênio. Um comum. Inteligente, mas comum. E muito melhor que o Jaguar, é claro.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 16:06
João Paulo, não fiz comparação alguma, até porque têm coisas que são incomparáveis, ainda mais quando subjetivas.
Quanto ao Henfil, discordo totalmente. Ele não tinha nada de comum. Era um grande talento, com uma inteligência e força interior incomuns. Ainda que não tivesse feito nada, ser citado por Aldir Blanc, numa música tão definitiva, já o tiraria da linha dos comuns.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 16:22
Marcelo, exatamente. Você como sempre preciso!
E cito o “O menino maluquinho”, que já se tornou um clichê, mas, pra mim, uma pequena obra-prima. A constatação que o inquieto e endiabrado menino era apenas um menino feliz me encanta ainda hoje.
Portanto, cafajeste, sim, sem talento, não! (rs)
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 17:37
Meu preferido sempre foi o Quadradinho.
“Este é um livro como a vida. Só é para crianças no começo”.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 09:25
Querida Olga,
Então quase concordamos sobre o Henfil.
Tudo que li sobre ele, vi e ouvi - já que minha memória só me permite lembrar da luta contra a AIDS - me deixou claro que ele era muito inteligente e uma figura importante.
Disse que ele foi um cartunista medíocre (na média) e que é supervalorizado, assim como Renato Russo, o que é normal no Brasil.
Mas, me desculpe, mesmo com todo respeito que tenho por Aldir Blanc, a composição de uma música em homenagem não muda minha opinião em nada.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 14:24
Querido João Paulo, não pretendi interferir na sua opinião, imagina!, apenas quis dar a minha.
A música não foi composta em homenagem. Ela foi feita em intenção de algo muito mais profundo, por isso, a importância de um não comum citado nela.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 17:55
O texto estava indo bem, equilibrado, até se tornar numa peça de propaganda anti-petista, como se o PT fosse o responsável pelo ‘caso Simonal’. Um delírio… Como se Ziraldo e Jaguar fossem petistas históricos ou tivessem compromisso com o partido. Uma viagem… enfim, o texto se perdeu naquilo que se propunha, isto é, tratar das relações promíscuas entre o star system e a ditadura, e de racismo e de despeito artístico, para meter o pau num partido que nem existia na ditadura. Uma pena…
Sobre a parte em que o texto se propõe a falar de Simonal, antes de se perder, concordo muito.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 18:01
Juliano, quer dizer que você sabe ao que se propunha o meu texto? Genial…
Enfim, ao que interessa: o petismo é apenas uma fase - bastante sofisticada, aliás - do que Ziraldo e Jaguar, bem mais medíocres, representavam nos anos 70. Mas eles estão todos juntos, de mãos dadas [e bolsos conectados], vide a bolsa-ditadura… Em todo caso, sinceramente: aceito, com gosto, que este texto seja peça de propaganda anti-petista. Serei original assim, já que a imprensa, internética inclusive, apenas reproduz, com prazer, a palavra oficial.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 18:13
Lendo alguns comentários aqui me lembram meus tempos de Zaccaria: “arrependimentos”, “canalhas”… peraí, que coisa mais católica também?! Que necessidade de demonstrar culpa como se isso livrasse a cara! Como se Ziraldo e Jaguar, arrependidos, teriam tb vosso perdão??? Que lógica maluca…
Isso tb de tratar todo mundo de ‘canalha’ é psicanalítico, hein?! Pressupõe que o acusador é um cidadão acima de qualquer suspeita moral… tendo a duvidar dessas retidões explícitas. Não que isso invalide as críticas aos inimigos de Simonal, o cerne da questão, mas acho que os termos estão postos em bases bem questionáveis.
Bj gde,
J.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 18:34
Não, C.A., só achei muita ginástica essa conexão ideológica entre a perseguição ao Simonal com a ‘linha’ ideológica do petismo. Mesmo pq o PT, hoje, tá muito longe de praticar as bandeiras clássicas da esquerda, que seriam solidárias, aliás, a uma oportuna defesa do Simonal (nos termos que o seu texto apresenta, pelo menos).
Aproveitando a viagem para falar sobre um outro comentário acima: “o talento sempre prevalece”?? em que mundo vc vive, cara? Olhe a sua volta a quantidade de “talentos comuns” (nos termos dessa galera) que estão sendo incrivelmente desperdiçados porque não há espaço de expressão (político, econômico, artístico etc)! Essa ideia me parece meio religiosa, apenas uma vontade que assim seja, eu acho.
Bj gde,
J.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 10:28
Mas o Andreazza, apesar de ter sido defenestrado do São Bento, é muito católico, Juliano.
O que há de errado nisso?
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 18:17
Nada de errado, é claro. Não conheço o Andreazza, e, se não foi ironia, é bem evidente a expressão moral e a lógica do catolicismo, pelos termos mobilizados.
Poxa, afirmar a ‘canhalhice’ de alguém obriga um grau tão alto de retidão moral pelo acusador que eu duvido alguém garantir. Além disso, se são mesmo canalhas, um eventual arrependimento faria alguma diferença? O arrempendimento os livraria da canalhice, os purificaria? Peraí, que termos são esses? As coisas não funcionam assim…
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 19:05
O arrependimento pode não tirar de Ziraldo e Jaguar a pecha de cafajeste, naturalmente, mas, com certeza, daria aos dois uma grandeza que o cinismo não dá. Pra mim funciona assim.
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 19:13
Adorei o texto. Sei que não tem graça nenhuma o que vou dizer, mas concordo com tudo! Depois que vi o filme fiquei apaixonada por aquele homão com suingue e carisma, que canta muito, muito melhor que qualquer cantor de hoje…
Ah, e queria deixar registrado que “Capitães da Areia” era também lido pelas mocinhas. Quem não se apaixonou por Pedro Bala???
valeu.
bjo
Quarta-Feira, 27 de Maio de 2009, às 21:12
Larissa, teu comentário é muito bem-vindo. De resto, acho que “Capitães de areia” é o livro da melhor infância-adolescência.
Um beijo!