por C.A. - Segunda-Feira, 25 de Maio de 2009, às 10:21

Fiquei sabendo que os céus do Rio receberiam, no sábado último [23], a visita de um disco voador desenvolvido pelo artista ianque Peter Coffin em parceria com um importante núcleo de engenheiros alemães - evento que me desinteressaria de todo não fosse pela presença do “importante núcleo de engenheiros alemães” e, portanto, pela curiosidade de que tivessem concebido algum dispositivo capaz de sustentar um objeto de 800 quilos sob os movimentos habitualmente atribuídos a um disco voador - os movimentos de um beija-flor talvez, que pára de súbito e, em seguida, acelera como um tiro.
Minha surpresa - na verdade, minha vergonha [alheia, naturalmente] - deu-se quando informado, pelo Jornal Nacional [que brecou qualquer ruminar de jornalismo para mostrar a cousa ao vivo], de que o disco voador, de resto cafonamente iluminado, era carregado, como um presunto recolhido no Tabajara, por um helicóptero sito bem acima e absolutamente ao escuro.
Como!? Um helicóptero!? (Gargalhei incontinente). E cadê os engenheiros alemães graduados? Para que serviam, senão para fazer o troço voar? (Mas logo tive pena da repórter, destacada para reportar, como ocorrência original e relevante, emocionante!, um golpe que jamais se esforçou em não parecer golpe; e lá vinha, ao fundo, o disco, precário, tosco, balançando ao sabor dos ventos)…
Uma monumental farsa; um baita engodo, que, em si, pontualmente, não chega a ser grande coisa. Lida, porém, de maneira mais ampla, considerando a progressiva incapacidade brasileira por reconhecer o que é ruim e falso, a passagem do disco voador ilumina e esclarece - reforça - o colonialismo nacional incontornável de que qualquer fajuto estelionatário [qualquer oportunista 171], desde que gringo, chega aqui e, investindo minimamente em propaganda, faz o que quer, como quer, onde quer, não raro com a chancela de gênio e com a mais generosa e subserviente cobertura da imprensa nativa, como bem nos mostrou, quatro patas ao solo, a insuperável TV Globo.


Segunda-Feira, 25 de Maio de 2009, às 11:58
Imperiano, fui com meu irmãozinho de oito anos ver essa porcaria.
Eu, ele e até meu pai (dono da magnífica idéia de assistir a esse show de tecnologia espacial) ficamos com a mesma impressão.
Uma vergonha!
E o pior é que a Lagoa estava cheia de gente para assistir esse engodo.
Segunda-Feira, 25 de Maio de 2009, às 12:06
Bom, o primeiro gringo farsante tido como gênio pela Globo foi o próprio Hans Donner.
Segunda-Feira, 25 de Maio de 2009, às 12:09
Legal que entre os artigos relacionados, tem um sobre a Prado Júnior, maior e mais importante fonte de divisas do Rio. O que teria ela a ver com o disco voador?
Segunda-Feira, 25 de Maio de 2009, às 15:25
Pian, me tira uma dúvida: o boi voador, no fim das contas, não passou na Lagoa, certo?