por C.A. - Quarta-Feira, 18 de Marco de 2009, às 10:28

Então, doravante, à Fórmula-1, campeão será aquele que mais corridas vencer; e - é isso mesmo? - as gentes, os especialistas, o Reginaldo Leme e o Galvão Bueno, não gostaram? (O Barrichello tampouco)?
Quer dizer que se lhes oferecem uma chance, única, de transformar aquela bosta incolor, aquele carrossel milionário, em algo quase esportivo [minimamente competitivo] - e os caras ainda reclamam?
Fantástico é que as máquinas - as estratégias… - percam importância; as medalhas de bronze que, acumuladas, fazem um campeão. Fabuloso é que sejam diminuídos aqueles babacas de macacão ridículo, com imensos fones de comunicação, defronte a gigantescas telas de computador, algo como intelectuais da suspensão ativa - os pensadores, os filósofos da anti-esportividade!
Todos eles têm pavor do absoluto, do transparente - de que o campeão seja o que mais vencer, por exemplo - porque se lhes tira assim o controle estreito, as rédeas do medíocre, sobre o evidente de que, afinal, trata-se apenas de uma corrida de automóveis, páreo sempre estúpido, como estúpida é a velocidade. Todos eles têm pavor do direto, do evidente - de que o campeão seja o que mais vencer, repito - porque se lhes é assim esvaziado o mérito fantasioso de inflar por circo de charme e vanguarda [sofisticação, a palavra] o que se vai enfim reduzido a uma pista de asfalto [poderia ser de terra], com carros [poderiam ser jegues] e pilotos, que poderiam, até ontem, ser macacos, ou mesmo não existir, quiçá uns robôs. Até ontem.
O homem - o piloto - terá agora de explorar aqueles motores computadorizados, perfeitos, com o giro lá em cima, o tempo todo; e serão tão expostas [ridicularizadas] as engenharias do futuro, as suspensões cerebrais, as telemetrias infalíveis… As exigências da vitória, vencer ou vencer, resultarão em movimentos humanos, reações humanas, todas elas, e a tecnologia de ponta, experimentada ao vivo para o mundo inteiro, será aquilo que é - que sempre foi - quando de fato testada, exigida: fumaça.
Numa corrida a quase 300 km/h, o segundo lugar já não bastará - e eis então o que interessa: mecânicos voltarão a ser apenas mecânicos, pilotos serão apenas pilotos [ou seja, kamikazes para a diversão da massa faminta], e eis então o que interessa, riscos da primeira à última volta, freadas retardadas ao máximo, estupidez vendida por coragem, desespero vendido por ousadia, acidentes espetaculares, ultrapassagens quase assassinatos… O que o povo gosta: fraquezas, sangue, falhas, sangue, lágrimas, sangue, triunfos, sangue, ídolos, sangue, playboys mitificados, sangue! (Entretenimento, ora)! (Show)!
O automobilismo, que reúne [emprega] idiotas de pretensões variadas, que se acelera em falsa [acomodada] velocidade, precisa explorar-se à vera, expor-se pra valer - e este Big-Brother é provável que me interesse. (De vez em quando, quase nunca - a bem da verdade).
Entre cavalos, que maravilha de cérebro, só a vitória importa.


Quarta-Feira, 18 de Marco de 2009, às 14:20
“Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.”
Só não falo “vai escrever bem assim lá na China”, porque os amigos, ainda mais se escritor querido, prefiro por perto.
E olha que o assunto nem é dos mais atraentes…
Quarta-Feira, 18 de Marco de 2009, às 18:41
Minha primeira reação quando soube da mudança no regulamento foi de aplaudir;quando eu vi que o Rubinho era contra a mudança tive a confirmação de que seria uma boa para o espetáculo e agora lendo seu excelente texto só reforça a idéia de que as corridas voltarão a ser disputadas por pilotos de carne, osso e coragem. Parabéns.
Quarta-Feira, 18 de Marco de 2009, às 07:37
Mto bom o artigo. Mas o criador é tão atrasado no que diz respeito a F1 que o comentou após a anulação dessa regra.
Quanto à essa ignorância de vencer o campeonato aquele que tiver o maior número de vitórias, é algo deficiente. Sou à favor da pontuação maior para aquele que possuir o maior número de vitórias sim… Mas seria estranho um cara que chegar 8 vezes em segundo e 2 em primeiro e o restante em terceiro, ficar com uma pontuação (ou colocação no pódio) inferior à um que chegar 4 vezes em primeiro, quebrar 6 e ter o restante abaixo de 4ª colocação.
A idéia é colocar como vencedor o maior cagão da história ou premiar o melhor piloto?