por C.A. - Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 17:13

Tempo é de homenagear o grande Rodrigo Pian [de camisa-social azul, na foto], leitor tribuneiro contumaz, poeta urbano e brilhante teórico [intelectual] do choque de ordem carioca.
Estamos com ele.
Bicicleta é legal [minto], ecológico, saudável… E há até quem a considere um meio de transporte promissor [defensável] em pleno Rio 40º! Não interessa. (Cada um com suas empulhações elitistas - como se pode desconhecer tanto o clima e os costumes desta cidade? - e pretensões de vida européia)…
A questão é outra: calçada não é estacionamento, senão para quem confunde público e privado.
Aplausos tribuneiros para Rodrigo Pian, o jovem cérebro da municipalidade!
Pós-escrito [21h47]:
A apreensão de bicicletas paradas na calçada é muito mais simbólica que efetiva - o que não lhe tira a importância. A cidade está um caos - e é, sim, preciso radicalizar. (Também é preciso rever o conceito de arbitrariedade, aplicado contra a prefeitura; arbitrário é quem se alonga em privacidades sobre os espaços públicos - em suma, folga)!
Em termos práticos… Se o leitor reclama de um carro parado na calçada, deveria ter juízo parecido a respeito de uma bicicleta. Não? Ou o tamanho fará tanta diferença assim?
Aos poucos, sob os jeitinhos da desordem, o carioca foi entubando os mais variados assaltos à cidadania - e se conformou, já que o assunto é calçada invadida, em ter o seu espaço de pedestre progressivamente ocupado também por toda sorte de puxadinhos, e de maneira democrática, dos butequins mais vagabundos aos mais finos bistrôs: se há calçada livre, estendamos a varanda, seguros da mesma impunidade que eterniza os camelôs.
Quem passa pela rua Marquês de São Vicente, na Gávea, depara-se hoje com uma série de cartazes e faixas protestando contra a demolição de um grotesco puxadinho, construído à revelia, sem licença pública, pelo restaurante Espelunca Chic - e a manifestação me parece tanto mais absurda se lembrarmos que o estabelecimento comeu quase toda a calçada, não deixando mais que metro para que os pedestres resolvessem quem andaria à rua.
Os incomodados com o rigor do choque de ordem precisam avaliar se reagem a um exagero na aplicação da lei - ou se defendem a própria acomodação.
Fico com a segunda opção.


Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 17:30
Não aplaudo não.
Quando li a reportagem, pela manhã, achei arbitrário, exagerado. Antes de apreender deveriam informar, prevenir, afinal, qual o espaço que temos para colocar as bicicletas? Na Tijuca, por exemplo, não conheço.
Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 17:34
Querida Olga, se você reclama de um carro parado na calçada, deveria ter juízo parecido para uma bicicleta. Não? Ou o tamanho fará tanta diferença assim? Não é tempo de ceder. A cidade está um caos.
Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 17:41
O tamanho faz diferença, sim. Um carro atrapalha muito mais, ou não?
Não sou contra o choque, ele se faz mais do que necessário. Mas penso também se a cidade não nos oferece lugares para estacionamentos de carro, significa que devemos pensar ão custa nada prevenir.
Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 17:44
Olga, atrapalhar - em termos urbanos e, sobretudo, cariocas - deveria ser um valor absoluto. Temos de ser radicais.
E não há nada de novo [que justifique prevenção etc.] na apreensão de bicicletas largadas na calçada, ou talvez haja: o cumprimento da lei.
Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 17:45
continuando já que o comentário foi inacabado: que devemos evitá-los. Os meios de transportes são o que já se sabe, aí nos tiram a bicicleta também.
Mas o que questiono mesmo é a falta de aviso, é pegar todos de calças curtas.
Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 17:53
Juro, eu nem sabia que era contra-lei prender bicicleta em postes.
Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 21:37
Concordo com a Olga que há de se informar a população e há de se providenciar lugar oficial para estacionar bicicletas nas ruas, mas isso não quer dizer que não se deve punir pessoas que descumprem a lei. Já pensou se todos os motociclistas da cidade resolvessem estacionar suas bikes nas calçadas ao mesmo tempo? Pra lei não se deve ter exceção. Este é o grande mal do Brasil: impunidade.
Agora, essa história de que a bicicleta é uma alternativa ecológica para ir ao trabalho, por exemplo, no calor do Rio, é uma piada. A não ser que todo mundo tivesse banheirinho pra tomar banho assim que chegasse no trabalho. Já pensou que loucura? Mas eu não ando de bicicleta nas ruas por um só motivo: medo. Deus me livre de disputar espaço com os motoristas de carro e moto enlouquecidos de pressa e fúria!
Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 11:37
Excelente o trabalho do amigo Rodrigo Pian.
Em tempo: o agente da prefeitura tribuneiro completou anos no último domingo.
Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 14:24
Olga e Mariana,
Tenham certeza que, ao apreender poucas dezenas de bicicletas - com a razão e a legitimidade ao alcance das mãos - a refeitura fez um enorme serviço de comunicação de massa. Basta abrir a referida capa d’O Globo e ver, estampada a foto acima exposta.
Toda a cidade já sabe que será reprimida caso largue uma bicicleta fora do lugar adequado. O Prefeito e seu neo-Filinto Müller (perdão, Pian!) Rodrigo Bethlem, anunciaram desde que deu-se o resultado das urnas que haveria um choque de ordem em todas as direções para comunicar à população a reocupação de um posto que não se tinha mais na cidade: a Prefeitura.
Pian, meu querido, parabéns por domingo!
Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 14:26
Aliás, a capa d’O Globo me fez lembrar Chico Buarque…
“olha aí!
ai, o meu guri, olha aí…”
Só que, dessa vez, sem a venda nos olhos nem as iniciais na legenda… Já tá crescidinho o meu rebento, né?!
Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 14:26
A princípio, vejo com bons olhos o tal “choque de ordem”. E concordo contigo: o valor maior, ao menos até agora, é simbólico. Meu temor (e minha desconfiança) vem exatamente daí, desta oração coordenada. Ou seja: de que essas atitudes midiáticas se esgotem no campo do factóide, e não sejam parte de uma estratégia administrativa (não falo em estratégia política, advirto).
Só para não esquecermos do assunto: Paes e Cia ganharão minha admiração se estenderem esse “choque” aos altos escalões. Sim, falo mais uma vez da Liesa. A decisão está nas mãos do Executivo Municipal. Esperemos.
Terca-Feira, 17 de Marco de 2009, às 15:23
Gomide, o que questiono é a falta de lugar adequado, a falta de opção dos usuários e uma propaganda preventiva, porque as pessoas, por força do hábito, ignoram algumas leis. Ressalvo que não sou contra o choque. A cidade estava precisando de um governante que governasse de fato. Só achei que, no caso das bicicletas, houve um pouco de exagero.
E, Pian, parabéns, não sem muitas saudações alvinegras!!