por C.A. - Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 15:09
Não tenho medo de bicheiro-bandido e não vou subir no muro agora: acredito, sim, que o resultado do carnaval das escolas de samba foi comprado-encomendado pela Liesa - e que esteve decidido no momento exato em que o Império Serrano venceu o grupo de acesso em 2008.
Serei claro: carta-marcada, crime concebido com um ano de antecedência - do qual todas as demais escolas do grupo especial tinham conhecimento, e com o qual concordavam.
Por melhor que se tenha apresentado o Império no último domingo - ou qualquer outra agremiação que abrisse os desfiles; o mesmo servirá para a Ilha em 2010 -, no time das 11 não se mexe, fechado que está, sacramentado, cabendo à décima-segunda [já foi a Estácio, já foi a São Clemente etc.] o balanço enganador de um sobe-e-desce sem fim.
Do jeito como esta quadrilha se organiza, à escola que ascende, maior ou menor em tradição, não importa, o tombo virá, sem dó, na quarta-feira. Para os vagabundos da contravenção, porém, 2009 poderia ter sido mais tranqüilo…
Ocorre que o Império Serrano assustou, incomodou, deu trabalho; o Império chegou chegando, botou banca, preparou-se bem, traçou uma estratégia, escolheu um lindo samba, ensaiou belamente na quadra e na Sapucaí… E então, sentindo o peso, a pressão, a força de uma escola de samba, e decerto que temendo o triunfo da verdade no carnaval sobre as tratativas-sujeiras de alcova; intuindo, afinal, que o Império Serrano superaria, na avenida, na marra, o destino que eles, ladrões obscuros da alma carioca, determinaram um ano atrás, eles, os dirigentes das agremiações ameaçadas, Mocidade, Viradouro, Porto da Pedra, Mangueira etc., abriram a boca, soltaram o verbo, falaram de dossiês, sugeriram trair algumas outras picaretagens da cúpula da contravenção [os jornais noticiaram], e não deu outra: tudo voltou ao previamente acertado, por segurança da máfia, e assim a Mangueira, que se desfez na avenida, arrumou um inacreditável e inaceitável lugar entre as campeãs, Porto da Pedra e Viradouro [a que fez mais barulho, aliás], cafonas e repetitivas, com sambas lastimáveis e erros graves de evolução [a escola de São Gonçalo, por exemplo, fez abrir um buraco de dois setores na passarela, que só eu vi!], cumpriram na tabela a condição medíocre essencial que lhes é possível, e a Mocidade, tão profundamente equivocada em seu enredo, fez afinal sacrificar o Império Serrano, como dantes acordado, para salvar o mais feio desfile da história do carnaval carioca - a não ser, claro, para o babaca de nome Dudu Nobre.
Em lugar nenhum do mundo, sob sério [honesto] julgamento, o Império Serrano poderia aparecer atrás dessas escolas, no que ainda incluiria Unidos da Tijuca, Imperatriz e Grande Rio. E se fosse dado o peso justo, equilibrado, para o que as escolas têm de superior, eu não teria de engolir o desrespeito à evolução e à harmonia [como punir-nos a cadência, a fluência e o canto!?] do Império na avenida, perfeitas, onde, por justiça e comparação, a escola teria feito a diferença de se colocar melhor, abrindo muita frente, com sobras, na bateria, não fosse este quesito avaliado de maneira covarde, tratando por suas iguais as de Imperatriz, Mocidade, Grande Rio, Beija-Flor e, um décimo abaixo, Mangueira e Portela.
Essas todas juntas, com o que cada uma tem de bom, nunca fariam, hoje, sombra para a bateria do Império Serrano. E é a noção desta sacanagem que nos faz brigar - e está só começando.
Lugar de bandido não é em festa popular. É na cadeia.
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Tudo isso para sugerir ao leitor tribuneiro o importante estudo comparativo de notas do carnaval das escolas de samba feito pelo Departamento de Comunicação do Império [que muito me honra integrar] e publicado - aqui - pelo confrade imperiano Marcelo Moutinho.
É um imperdível raio-x do assassinato do carnaval.


Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 15:49
Eu acredito em tudo que foi dito, achei que o Império foi roubado e que as notas para a Mangueira foram estranhas.
Só acho que isso dito no dia seguinte talvez perca um pouco a força.
Não para mim, que concordo que houve algo de estranho.
Mas acho que se a denúncia tivesse sido feita na época em que surgiu a história dos dossiês, ela teria mais força.
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 16:17
Mais do que perfeito!!
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 17:35
Secchin, nós realmente não acreditávamos que a sujeira fosse ser feita assim, na cara de todos. Imaginávamos perder aqui e ali uns pontos, até pq o Império é mau visto pelos bandidos da Liesa desde que fez o enredo criticando as superescolas de samba S.A. (ainda que a Liesa não existisse, seus ‘capos’ já tinham influência). Mas nenhuma pessoa decente poderia conceber, antes, um assalto flagrante como esse.
E eu continuo espantado com o silêncio da imprensa (fora os blogs combativos e um ou dois jornalistas aqui e ali)
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 17:41
Não foi pq eu desfilei mas tb fiquei indignada. Cada vez mais vemos que tudo nesse País tem dinheiro envolvido. Não gosto de dar nome aos Bois, mas Ninguém viu o carro quebrando da Porto da Pedra que gerou um buraco na aveninda? Os votos populares colocando a Imperio em 3o lugar, e os juris nos dando nota como se fossemos uma Escola sem brilho? Uma festa popular como é o carnaval, prefirou ouvir o que todos acharam da Escola. E deixar de ouvir o que os jurados alegaram como nota.
Ano que vem estamos juntos novamente.
=)
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 17:58
Marcelo, eu entendo perfeitamente a situação. À época da divulgação dos dossiês, inclusive, achei que havia nas entrelinhas uma porrada na Petrobras (leia-se no governo Lula). Não se percebia muito fácil o que aquilo tudo queria dizer.
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 18:00
Agora, essa história de “não tenho medo de bicheiro-bandido”, sei lá. Eu invejo a paixão que você, Marcelo, e o C.A nutrem pelo Império, mas não sei se compraria uma briga com pessoas que vocês mesmos classificam como uma máfia.
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 18:02
Em tempo, Marcelo, eu li o texto no seu blog e confesso que - apesar da gravidade da denúncia - ri muito com seus comentários. É que, realmente, a Mangueira no desfile das campeãs foi risível.
Sobre a imprensa, vamos falar a verdade: a maioria dos jornalistas não sabe nem a diferença entre Harmonia e Evolução.
Como vão criticar alguma coisa?
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 18:28
A imprensa, Moutinho? Eu ouvi gente da imprensa indignada com a possibilidade do carnaval sair das mãos dos contraventores, “agora que está tudo organizado?”. Essa é a nossa imprensa. A grande maioria da imprensa faz parte do senso comum, acha lindo o ramerrame, principalmente as Superescolas de Samba S/A, ou de Marcha, como bem disse o Veríssimo. Tire pelos comentaristas da apuração que não demonstraram nenhuma surpresa com as notas covardes e injustas dadas ao Império. Os sentidos dessas pessoas já estão comprometidos, pra eles tá de bom tamanho.
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 20:36
Olga, eu vi essa história do “agora que está tudo organizado”. Mais precisamente, ouvi do Paulo Stein, que se rebelou contra a proposta de tirar da LIESA o controle do carnaval. E olha que a proposta nem é de tirar a organização dos desfiles, e sim de tirar da Liga coisas como a venda de espaço publicitário na Sapucaí.
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 23:22
Posso te garantir meu querido , que a LIESA está preocupada com tamanha manifestação, precisamos continuar pelo menos o debate e as manifestações , eles não estão acostumados com este tipo de reação.
Não devemos esmorecer nas atitudes.
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 13:46
Andreazza, o tal encontro entre o Paes e o presidente do Império - noticiado pelo Ancelmo Góis - de fato aconteceu?
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 17:45
Meus caros,
Concordo com o Andreazza e com o Moutinho em absolutamente tudo que escreveram. Mas tenho observações:
A grande imprensa não tem porque defender o Império. Infelizmente, a grande maioria dos foliões aceita pular carnaval no meio de contraventores, mafiosos, e toda sorte de bandidos. Como é que podemos achar que a Liesa seria diferente, se ela representa os bandidos?
Quem conhece a Sapucaí sabe que autoridades, povão, gente honesta, bicheiros, mafiosos de caça-níquel e traficantes convivem naturalmente.
Acho que antes de buscarmos justificativas para o roubo, devemos lutar contra os bandidos do Carnaval. E, sobre isso, posso garantir que meu amigo Andreazza já falava há tempos. Resta-nos, agora, continuar essa luta contra os bandidos.
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 13:36
Amigo, se desejar a ajuda da Agenda em qualquer movimento é só avisar. Endosso suas palavras. Bjo!
Sexta-Feira, 27 de Fevereiro de 2009, às 14:09
João Paulo, a questão não é defender o Império. É ter opinião. Se posicionar. Não é possível que eles tenham achado justas algumas notas dadas ao Império, principalmente em harmonia e evolução. Não é uma questão de gosto, porque alguns quesitos são subjetivos mesmos. Eu, por exemplo, não gosto daqueles caminhões imensos que algumas escolas trazem, mas há quem ache lindo, tudo bem. Eu, apesar de achar exagerado aquele entre sai de componentes de dentro do carro “bota abaixo”, da Vila, gostei do desfile, e da idéia do carro alegórico. Agora, harmonia e evolução não são quesitos subjetivos. E nesses quesitos o Império jamais poderia ter tirado menos de 40.