por C.A. - Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 15:17

Tenho o futebolista Robinho na pior conta. Como jogador, nunca me enganou - e isto cá já escrevi uma goleada de vezes.
Sempre o li por versão mais marqueteira do globetrotter Denílson, constrangedoramente aditivado, porém, pelo início de carreira no Santos e, portanto, pela inevitável e estapafúrdia comparação midiática com Pelé. (O Real Madrid não o vendeu para o Manchester City, inexpressivo clube inglês, à toa; Robinho nunca será o que dele se diz e espera simplesmente porque, dentro do campo, faltam-lhe meios para).
O que ora me interessa destacar em Robinho é a desfaçatez pública - a cara-de-pau mesmo - com que exerce sua infantilidade profissional. (É mimado pela mesma escola sem-limites de Peter Pan e Ronaldo, não por acaso o seu ídolo, a quem chama de “presidente”).
Aos 25 anos, Robinho descumpre contratos, boicota lideranças, debocha de datas e horários, desfaz-se de responsabilidades etc. em consonância com seus anseios mais debutantes - e as gentes da crítica [!?] sempre descobrem uma maneira de receber essa incontinente bronha púbere como gracejo do menino que ganhou o mundo… Robinho desconhece [ignora] os deveres absolutamente. Nada tem a oferecer - e não o esconde. É do tipo, mui em evidência, que só deseja receber. (Quer receber em dia, quer altos prêmios, quer as férias máximas etc. - e acha tudo isso, mais que justo, natural). Ele quer e pronto. Ele é o Robinho. Ele pode - e logo vem um paspalho da imprensa a lhe asseverar isso, ademais exaltando-lhe o simpático frescor da leviandade.
(Robinho - é patético - crê em que será um dia eleito o melhor jogador do mundo; e todo ano é a mesma fé difusa, a mesma confiança num tempo vago, que virá, a mesma inércia, mas nem a debilidade de um “quase” lhe tocará quando afinal anunciados os favoritos). (Robinho sequer chega a ser um desperdício).
Não é exatamente um tipo boêmio, como Adriano, mas se encaixa na mesma geração superestimada que, cercando-se de puxa-sacos, adolesce eternamente, para enfado de quem, como eu, ao ler o jornal, tomba d’olhos - sem querer - numa nova manchete de lhes reforçar a imagem de transgressores do próprio vexame, cavucadores do próprio buraco.
Desconfio de quem, como Robinho, está sempre brincando, “pedalando”. Procurem imagens dele num treino do clube ou da seleção e se darão, eu aposto, com um sorriso aberto para a irresponsabilidade, uma molecagem de profunda incompreensão sobre onde está e o que faz, uma brincadeira de anarquizar a rotina [este crime] - tudo isso a ser recebido pela mídia abestada e patife como demonstração saudável de um bom [descontraído, dirão] ambiente profissional… Uma ova!
Agravadas pela farsa do talento que não há, presenças egoístas como a de Robinho - os resultados mostram - são nocivas ao trabalho e contribuem para o senso comum perverso segundo o qual toda a forma de seriedade é antiquada e cafona.
(Ainda se ele fosse um craque; ainda se jogasse o que pensa que joga)…
Conforta-me, porém, saber que Robinho envelhecerá. O fim da juventude é definitivo. E penso em Sergio Malandro [ou no ridículo da senilidade garota] para escrever que ninguém finge-dribla a velhice.
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Nota [28-01]: o texto acima foi publicado antes de circular a informação [estranha e truncada, por ora] de que Robinho estaria envolvido num caso de estupro na Inglaterra.


Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 15:50
A respeito deste e do post anterior, li no blog do André Kfouri uma sugestão interessante. Por que não fazer do vindouro amistoso Brasil x Itália um Troféu Cesare Batistti? Quem vencer leva o cara.
Mudando de assunto, Andreazza, viu que nosso novo (novo?) prefeito resolveu manter o convênio com a Fundação Cacique Cobra Coral?
Quanta mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas…
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 16:00
Ivan, esta do Kfouri foi boa. Vou lá a ver.
Sobre o cacique sei lá do quê, aviso que o único Cacique que me interessa é o de Ramos! (Este, sim, faz chover).
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 16:01
Acho também o Robinho um bobalhão. E não suporto aquelas pedaladas.
Mesmo o assunto não merecendo, que beleza de texto, Andreazza!
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 18:09
Só um retoque num texto irretocável. O Sérgio Mallandro usa dois “l”. Mas, tranquilo, C.A, ninguém é obrigado a saber disso.
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 18:10
Confesso que o Robinho me enganou - e muito - naquela fase final do Brasileirão de 2002. Ele pintou e bordou. E, ao contrário de muitos supostos craques, “chamou a responsabilidade para si” (adoro chavões futebolísticos).
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 18:14
Independente do futebol, acho o Robinho um chato. Um tipo da pior qualidade, como só a imprensa paulista pode produzir (que me perdoem os leitores paulistas). É uma descontração sem graça, uma irreverência tola, uma espécie de “A praça é nossa” dos gramados. Robinho é a cara das celebridades que aparecem no programa do Gugu ou são entrevistados pelo Amaury Júnior. Superestimado, chato e sem nada a oferecer.
No mais, como o Kaká também. Este, sim, um craque, mas ainda assim, um chato.
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 18:15
Dá vontade de emoldurar o termo “incontinente bronha púbere”. Caralho (desculpe), eu tô rindo há horas.
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 18:16
Ivan, seguindo o raciocínio do C.A, o único Cobra Coral que me interessa é o antigo manto sagrado.
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 15:18
Usar dois “L”s já é um indício claro de maLLice…
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 13:38
Mesmo lendo seu artigo mais de um ano depois de postado, tenho de parabeniza-lo pela perfeição como descreve o que representa o futebol desse jogador. E agora, em vésperas de copa do mundo, seu artigo é mais do que republicável, se faz necessário devido ao excesso de “descontração” em comerciais e reportagens na TV. Futebol verdadeiro e sério é artigo raro…
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 15:21
O que mais me irrita nesse idiota fabricado pela mídia futebolística é a hipocrisia.
O cara não quis visitar crianças deficientes, pois eram de outra religião (AHUEHAEUHAE, esse MALA tem alguma religião?)
Mas estuprar pode né? Catar a mulherada puta pode né? A religião permite isso certo?
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 19:52
Valeu, André. Tua sugestão me fez relançar o texto - de fato atual… - no twitter. Abraço!