por Bruna Demaison - Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 13:15
Foi por causa da cobertura de um evento de moda que elas começaram a questionar tudo. Na verdade sempre questionaram tudo, mas a partir daí extrapolaram. A jornalista confessou que eram muitos desfiles, poucas cadeiras, mais social e menos apuração, o jeito foi inventar. Eram inofensivas repetições daquele mais do mesmo, bastava fazer uma conclusão bonita e cara de quem tem certeza, os leitores se achavam antenadíssimos e todos viviam felizes para sempre. Pais fazem isso o tempo todo e crianças sobrevivem.
Elas inventaram que foi por causa de um evento de moda, mas estavam mesmo só esperando uma desculpa para recriar o mundo. Disseram que a revelação foi divisora de águas, última bomba assim deve ter sido saber que a Terra não acabava depois do horizonte. Sentiram-se imediatamente próximas dos que bradam que o homem nunca pisou na lua, são uns incompreendidos! E revoltadas por serem as enganadas, preferiram mudar de lado. Uma assumiu até que a opção pela faculdade de jornalismo era só vontade de deter o poder da informação, queria ameaçar os outros – se você não fizer o certo eu publico, o equivalente adulto ao vou contar pra minha mãe. O certo, claro, era uma visão unilateral e como sempre ganha quem gritar mais alto, combinaram de gritar. Depois do “se eu não lembro, não fiz” decretaram o “se eu não vi, desconfio” e derivados. As versões são invariavelmente melhores do que os fatos, bobas foram elas que demoraram tanto para tirar proveito disso.
“Para sua segurança esta conversa está sendo gravada” deveria ser lei até em boteco (ou principalmente neles). O Suriname não existe, quem garante que a Faixa de Gaza sim? Os repórteres estão lá agora ou aderiram ao “que se dane, copia o do amigo que eu não vou arriscar a minha vida”? A outra chegou a ligar para a Casa Branca, precisava falar com Obama. O último homem incrível assim em quem acreditou vestia roupas vermelhas e ela nunca estranhou ele caber na chaminé, yes we can be stupid. Foi como se a desconfiança lançada sobre os sóbrios que lhe relatavam os momentos embriagados tivesse transbordado para suas próprias verdades.
A vida terá sido uma sucessão de historinhas para boi dormir? Depois do Engov ser placebo falta mais o quê? Passaram a reavaliar desde pessoas da categoria “vocês têm tudo a ver” até empregos que qualquer um mataria para conseguir, conselhos de “não se envolve nisso” ganharam o carimbo de “para posterior avaliação”. O que antes era “ele não presta” e “você não devia ter feito isso” mudou de um homem cafajeste e uma mulher egoísta para ela não querer mais aquele volúvel e o outro ser incapaz de entender seus sinais de tédio.
Tudo passou a ser uma questão de ponto de vista. Se verdade é só a mesma história contada repetidas vezes, poderiam transformar em fato tudo o que tinham vontade que acontecesse. Difícil seria serem elas as primeiras a acreditar, mas obviamente isso seria possível. Quem disse que não?


Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 14:13
Bruna, desculpe por levar seu texto a uma discussão paralela, mas é que ele me remeteu a uma conversa que tive com um amigo jornalista. Ele falava sobre as agências de notícias e dizia que diversas redações não tinha correspondentes e simplesmente reproduziam o que, sei lá, a Reuters falava sobre a Faixa de Gaza (inclusive, a Reuters jura que ela existe). Chope vai, chope vem, percebemos onde ele queria chegar. Se bobear, metade da opinião pública mundial é formada através de informações de uma agência de notícias. É um poder e tanto nas mãos.
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 11:16
quero deixar claro que eu não tenho nada a ver com isso, e que eu sempre desconfiei de engov.
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 14:06
Bru,
Cadê aquela mulher que é a mistura de Bridget Jones com a Simone de Beauvoir que vc sempre foi?
Sinto falta daquelas angústias de arrumar um homem que presta junto com suas visões de mundo sempre interessantes.
Essa teoria da conspiração não combina contigo…
(…)
E ai, vamos marcar um choppinho?
Terca-Feira, 27 de Janeiro de 2009, às 15:42
Bru, como sempre um texto incrível que faz pensar em mil coisas…..as conversas gravadas em botecos seriam nossa salvação ou o fim do mundo geral ???
By the way, o amigão aqui em cima é insistente hein ??? : )